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domingo, 4 de junho de 2017

A verdade incontestavelmente liberta!


A verdade exerceu fascínio em mim desde pequena.
Lembro-me, muito novinha, presenciar sem querer uma conversa entre dois adultos muito queridos meus em que um abria o seu coração e contava para o outro no que tinha errado. 
Percebi toda a dificuldade que os dois estavam tendo para lidar com aquele confronto delicado. 
Um assustado e até mesmo com raiva e o outro, aos prantos, parecia estar em carne viva, porém, ao mesmo tempo, decidido a colocar em pratos limpos o que estava lhe perturbando e tirando a graça do seu dia a dia.
Além da presente carga emocional, senti que também havia um poder de regeneração naquela declaração de culpa e erro que, naquela época, eu não consegui captar o significado em sua magnitude. Foi um sentir. Uma intuição. Algo a mais que eu não saberia nomear e nem mesmo detalhar, entretanto, no meu interior, eu percebi a importância.
Não soube, após, ao certo, o desenrolar e o desfecho de tal confissão. Eu não tinha vivência suficiente para bem avaliar as coisas na prática.
Sei, contudo, que aquilo impactou a minha alma.  Guardei aquela percepção, a impressão que me causou aquela cena, como um  tesouro e também como uma valiosa referência.
Hoje eu sei que desde lá senti uma ressonância com o que valorizo e busco na minha vida, nos meus atos, na minha postura. 
Sem experiência e com pouca idade, admirei, sem maiores questionamentos, aquele que estava se despindo, se fragilizando.
Agora, decorrido tanto tempo, mais vivida e com o conhecimento adquirido, consigo lançar um olhar mais abrangente sobre aquele processo de desnudamento em curso e compreendê-lo. E posso, sem vacilar, descrevê-lo como um momento de inteireza e de muita força.  Força interior e de caráter!
Tive, ao longo da minha existência, outros fatos mais ou menos similares a esse, que me marcaram. 
Pessoas do meu convívio que me surpreenderam de forma positiva e que conquistaram um lugar cativo no meu coração por terem usado dessa franqueza, dessa grandeza ao se deslocar de lugar seguro que se encontravam e que todavia estava contaminado de omissões e mentiras. 
De se posicionarem conforme a realidade se deu. De serem fiéis ao fato, ao como, quando e o porque nele estavam e no que falharam na honestidade esperada. 
Nenhuma dessas revelações aconteceram como num passe de mágica, de mão beijada, fácil, sem esforço, sem vergonha e sem que tivesse havido algum processo desgastante antes. Não. Todas elas requereram maturidade, firmeza de propósito e, sobretudo, uma reafirmação do sentimento em relação a mim e como prova definitiva de afeto e de seriedade. 
Souberam eles se portar com dignidade, com altivez e modificar esse estado de inverdades, de baixa vibração em ganhos que jamais serão perdidos.  Eles subiram degraus evolutivos.  Enfrentaram a mim e, o principal, a si mesmo, recuperando com essa coragem a autoestima e autovalorização.
Essa mudança de atitude trouxe-lhes, também, respeito. Inclusive, o próprio.  E, óbvio, uma explícita e profunda admiração por eles serem capazes de ir além do mundo da falsidade e dos enganos, os quais seduzem, mas não satisfazem! Afinal, todos nós somos seres espirituais buscando  progredir e melhorar e sair dessa zona nebulosa que nada acrescenta, ao contrário, puxa para baixo, nos faz menores!
Contudo, como a verdade liberta e a tranquilidade não tem preço, eis que, sem sombra de dúvida, as maiores vantagens foram a paz de espírito e a liberdade alcançada. E, o que não pode ser considerado menos relevante, o fortalecimento dos laços.
Vitórias pessoais, relacionais e morais a serem comemoradas e relembradas sempre! Sempre!

Em homenagem a todos que em momentos pontuais, ou não, foram suficientemente corajosos para se superarem e irem além do cômodo e da mentira. Ambas situações que enfraquecem e costumam aprisionar e desagregar!
E aos que ainda farão essa opção de serem verdadeiros e honestos levados por sua consciência e visando o seu bem estar. 
O que me parece ser uma decisão inteligente e também uma ótima oportunidade de ascensão, já que em essência todos nós somos inteiros, corretos, bons e do bem!
Escrito por Anitha em 4 de junho de 2017, às 23h20.

sábado, 27 de maio de 2017

Um adeus, simplesmente!...


                    
                    



Ontem foi um dia atípico e que me fez sair da rotina. Motivo triste, mas que, em contrapartida, foi providencial, visto que me deu oportunidade para eu refletir sobre questões com as quais eu estava agindo de forma displicente ou sem colocar o peso necessário.
Logo muito cedo, recebi o telefonema de uma amiga muito querida  participando-me do falecimento de sua cunhada, de quem ela muito gostava. 
Claro, foi o tempo de eu me arrumar e fui me encontrar com ela. Levar o meu abraço e conforto. 
Além de toda comoção que uma perda dessas causa, foi um susto para eles a forma como ela se foi. Sem nenhum aviso. Foi embora feito um passarinho. Ela nunca teve nenhuma doença que pudesse fundamentar o infarto fulminante que a acometeu. Sua idade também não justificava a sua partida e nem ao menos o seu histórico de vida. 
Estavam todos muito abalados. E com razão!
Minha amiga me disse mais, que ela se parecia comigo na sua forma  de ser. 
Gostava de escrever, sair e dançar. Era vibrante, muito alegre e também expansiva. Tinha facilidade para fazer amizades. Acreditava no poder das energias e na bondade das pessoas. Tinha um olhar  complacente sobre tudo. E adorava "namorar" e que quando amava, amava!
Então, ela, que eu não conheci em vida, se tornou, logo após a fala da minha amiga, alguém próxima de mim, quase íntima, afinal, tínhamos tantas coisas em comum. 
Pena que nunca fomos apresentadas e nem nos esbarramos por ai.
E, assim, a conhecendo um pouco melhor, emocionada pelo clima reinante e participando ali da dor da minha amiga, do viúvo, dos familiares e conhecidos, e, querendo ser solidária com eles e também rezar por sua alma, me postei ao lado do seu caixão. 
E, nesse ato de contrição, não pude, ou não quis, impedir que pensamentos brotassem livremente e em quantidade, o que me pôs mais sensibilizada do que já estava.
E, de repente, num piscar de olhos, ocupei o seu lugar. 
Eu é que estava sendo velada. Ao meu redor pessoas que ainda fazem parte do meu presente e outras que ficaram lá atrás no meu passado.  
Jorraram lembranças. Momentos bons compartilhados, alguns inesquecíveis, recordações caras com pessoas especiais, muitas delas que nem mais aqui se encontram. 
E, para contrabalançar, algumas situações dúbias, mal elaboradas.  Palavras que deveriam ter sido ditas, entretanto que, por um motivo ou outro, não foram. Eventuais mal entendidos não elucidados. E, principalmente, dizeres, gestos e atos de agradecimento, de reconhecimento da importância, de validação e de carinho que não foram expressos na ocasião ou que não foram explicitados com toda a carga justa e devida. 
Vez ou outra, ainda nesse processo de imaginação, alguém próximo a mim alternava comigo nessa posição lúgubre. 
Esse exercício, em particular, conseguiu apertar o meu peito, provocando-me um estado latente de sofrimento.
Tanta coisa me ocorreu. Sentimentos os mais diversos em intensidade e também em significado. Muitos bons desejos.  Uma vontade muito grande de liquidar eventuais pendências. E uma urgência que senti para poder, o quanto antes, clarear, conversar, confessar, solucionar, perdoar e pedir desculpas, sobretudo, pedir desculpas!
Tanto ainda por fazer, tantas providências para eu tomar para que o meu fim, caso seja tão rápido como o dela, não deixe ninguém - pelo menos ninguém que tenha sido ligado, ou ainda seja, a mim por laços filiais, afetivos ou amorosos - se sentindo em débito comigo! 
Ou, na minha concepção, o que seria pior, eu não criar a partir de agora condições favoráveis para poder zerar a minha vida. Para poder pedir clemência pelas minhas falhas ou atos que tenham provocado mal estar, mesmos àqueles involuntários, caso tenha havido. Para receber a indulgência do outro que pode ter se sentido ofendido ou destratado, mesmo que eu não tenha feito nada com essa intenção.
Quero sim, quando for, se possível, ir leve. Bem leve! 
Nada a acertar. Nenhuma conta nem porta que deveria ter fechado, pois a tudo resolvi a tempo e à hora.
Que possa, sim, ser uma despedida com dignidade. Simplesmente um derradeiro, sereno e sentido adeus!
Sem ressentimentos, culpas ou mágoas guardadas sejam minhas ou de quem quer que seja.

E que eu possa, por conseguinte, descansar em paz. Encontrar a luz, se, da minha parte, houver merecimento. 
E também - tão relevante quanto - deixar cada pessoa com quem tive algum laço, e que sobreviverá à minha passagem por este mundo, com o coração limpo, aquecido e bem tranquilo! 
Escrito por Anitha em 26 de maio de 2017, às 18h30.
Viva! O Henrique nasceu! Seja bem-vindo, meu sobrinho-neto!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Pedidos e Anseios da Alma


Ei, estou indo...
Resolvi acatar a máxima que a vida é para ser vivida e não adiada. 
Amanhã? Ah, do dia de amanhã nada sei  Nem mesmo se ele chegará. O Aqui e Agora é só o que tenho. 
E, diante dessa realidade irrefutável, bela e provocante, me abro para dar ouvidos, e crédito, para o que a minha alma anda me sussurrando; em outras horas, implorando e, de forma pontual, até mesmo gritando. 
Admito, e me rendo, às suas exigências. E ao seu bom senso. 
Em instante nenhum ela tangenciou, se descuidou ou deixou por menos.
Na verdade, ela tem sido zelosa e se mostrado absurdamente coerente dentro das incertezas e das infinitas possibilidades, como convém a tudo que é guardado dentro. 
Ela tem me dito à boca pequena coisas demais no calar da noite. Coisas que eu estava desconhecendo ou desinteressada. 
E, sobretudo, ela tem se mostrado uma fiel  guardiã do meu bem estar e do meu equilíbrio. 
Para tanto, ela me propôs - para o quanto antes, até mesmo para ontem - a atualização dos meus quereres. Do meu regozijo. 
E, para colocar fim a alguma dúvida, me sinalizou que só atingirei esse estado com trocas, bem feitas, é claro, e profundas, se possível. Prosas. Afinal, a palavra me estimula, assim como inteligência, bom humor, olho no olho, contato, risos, e, para passar a régua, atitude. 
Abundância também me é indicado. Em todos os sentidos, o que não é excesso, já em que em mim a intensidade faz morada.
Assim, vindo de encontro ao que desejo, considero justo e oportuno começar imediatamente a me movimentar e provocar essas benditas mudanças. Não tem mais justificativa e nem o porquê de protelá-las ou de dar pausa nesta minha marcha.
Ainda, hoje, num gesto de salvaguardar o que se fazia importante, fiz algumas tentativas de conciliar o passo. E, também, de compartilhar esse processo em ponto de ebulição. 
Talvez os tenha feito de maneira ineficaz ou até mesmo tímida,   porque foi em vão. Não teve eco ou, sendo bem simples, interesse. E, como sabemos bem, desculpas, quaisquer que sejam, não mudam nem a cor e nem o tom.
Gostaria que tivesse sido diferente. Mas, como dizem, devemos aceitar as coisas como vem e são.  
Essa é a tal proclamada, e difícil, resiliência, que põe tudo na perspectiva saudável e do possível.
Pois é, escuto batidas na porta. E sei que não é o vento...
Escrito por Anitha em 22 de maio de 2017, às 23h25