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terça-feira, 27 de março de 2018

Novos ares...


Algo está mudando. Dentro e fora.
As manhãs estão mais interessantes e luminosas. As flores têm aparecido, mesmo ainda modestas, vestidas com cores, graça e perfumando com suavidade em torno.
Os pássaros,
tão caprichosos em apurar timbres e tons, estavam emudecidos. Ou quem sabe eu é que estava inepta a ouvi-los? Pode ser...
Eles retornaram há pouco com as suas delicadas sinfonias. E a proeza maior a distinguir no meu dia a dia é eles estarem inaugurando as minhas manhãs e se pondo, seresteiros, no parapeito da janela do meu quarto. 
Seus cantos têm me deixado enlevada e desperta, e esse estado de prazer tem permanecido por horas, quando não pelo dia todo. 
A chuva, que por hábito fecha o verão, tem marcado sua presença. E ultimamente vem apresentando com destaque o seu outro lado, o da destruição. Todavia,
esse fato tão nefasto não tem conseguido retirar ou apagar a sua força e nem a sua beleza ao cumprir com fervor a sua missão. 
E, quando ela escolhe cair mais tranquila e amena, tenho me permitido me banhar nas suas águas. Isso tem se repetido com frequência.
Oras, esse fascínio quase irresistível que sinto pelas gotas que caem das nuvens, acho que posso creditar à presença marcante do elemento água no meu mapa zodiacal. Só pode! É muita atração!
Por outro lado, o sol, já apresentando a sua face mais aprazível, tem feito carinho na minha pele. Agradável, languidamente, tem-me enchido de calor e das melhores energias! Tenho me sentido radiante, talvez, por osmose...rs... 
Tenho andado também com a cabeça nas nuvens. Assim, quando dou por mim, já atravessei ruas, faixas de pedestres e sinais. Como? Não sei dizer.
Há uma música de fundo me acompanhando pra lá e pra cá. Mal distingo a letra. O que me chama a atenção é a melodia que tem me embalado, alegrado e tem feito meus dias adquirirem uma certa magia, um suave frescor.
Ah, o extraordinário...este mistério no ar...anda me intrigando.
Sei, ou melhor, sinto que já teve início de maneira espontânea um movimento interno, sutil e peculiar, no sentido de desvendá-lo...
Aonde vai dar? Como saber?...
Só sei que, antes de mais nada, adoro esta inquietude e este gostinho, que me intriga e me entrega, de renovação!
Escrito por Anitha em 18 de março de 2018

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Quisera eu...






Quisera eu poder ser água corrente, simples e ininterruptamente, indo ao encontro do mar. Ah, por certo, me bastaria.   
Nasci, contudo, com redemoinhos, cachoeiras, relevos altos e baixos e um dispositivo projetado a mais. 
Esse plus me expõe e me faz sentir muito. Em demasia. 
Assim, sem uma regular e constante medida, a tanta água não dou vazão. E as que ficam, represadas, me parece, aos poucos vão ruindo, ruindo e minhas bases cedem. Tento...e como tento. Persistente, insisto, me debato, luto, vou fundo.  E me desfaço. Esmoreço. Adoeço. Perco cor e tom. Desfaleço. Morro.   
Ah, ai, num daqueles mistérios da vida, renasço!

Dai, eis-me forte, faceira e me acho. De novo. Toda feminina, viro mulher grande, valente e enfrento e mato no peito a bola da vez.
Talvez...talvez, em outra vida, eu venha, quem sabe, equipada nem mais e nem menos, para lidar com o que hoje não sei.
Lembro-me de todos os ensinamentos, apesar de existir aqui dentro um buraco que mói palavras, intenções, beleza, alegrias, decepções e dores. 
Da mistura delas, crio textos, para manter o equilíbrio, o humor, aliviar cansaços, frustrações e comemorar tesões, vitórias, quando eles se fazem presentes.
Escrito por Anitha em 8 de janeiro de 2018

sábado, 6 de janeiro de 2018

Só para quem pode...



É! Ser de escorpião, realmente, não é para qualquer um.
É preciso profundidade, coragem, sensibilidade à flor da pele, intensidade, amor à verdade, poder, sensualidade, intuição, destemor, espírito arrojado, resistência, ânimo, mente e coração! Tudo no superlativo!
Ah, tem que driblar o medo e saber mergulhar, se conectar, trabalhar com energias e probabilidades, buscar sem cessar sentido e significados, enfrentar de peito aberto os perigos e obstáculos, desvendar os mistérios da percepção, da morte, do sentir e do viver, renascer das cinzas, enfim, tem que possuir a alma fênix, e assim agir! Sem trégua, sem garantia e com toda a entrega!
Escrito por Anitha em 16.12.2018