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quinta-feira, 13 de abril de 2017

A chuva dos meus sonhos!



Não sei há quanto tempo estava eu com vontade de tomar chuva.  
E esse querer, por um motivo ou outro, vinha sendo adiado, preterido em nome de uma inércia e descuido contínuo.
Assim, não priorizado, óbvio, não entrava no rol dos anseios mais prementes ou tangíveis. Contudo, não colocá-lo em evidência ou prática não quer dizer que ele estivesse ausente ou desaparecido. Não. Ele só estava meio esquecido.
E, hoje, tive a certeza que ele estava mais ativo que nunca.
Em torno do meio dia, o céu foi ficando carregado de nuvens, bruscamente escurecendo, trovões ruidosos antecipavam o que estava por vir: um pé- d’água.  Um aguaceiro torrencial. Desses, se demorados, de inundar ruas e cidades num piscar de olhos.
E – os deuses, parece,  estavam a meu favor -  um dilúvio suficiente para me fazer recordar do que estava adormecido, e, também, para me conectar com a criança que cada dia está se fazendo mais  presente na minha vida. 
E, dessa forma, de maneira imprevisível, mas decidida, tirei minhas sandálias dos pés. Estava a caminho do centro da cidade. Oras, por que não retornar ao meu?
Rindo, meio brincando meio dançando, deixei aquele temporal escorrer pelos meus cabelos e corpo todo coberto. A cada rajada de água havia uma reação de estremecimento. Mas, também, de júbilo. 
Recebi aquela chuvarada com uma alegria desmedida, entretanto com respeito e reverência. Gratidão!
Dentro de mim, abandono e entrega atuaram como se eu tivesse participando de um ritual. Solitário, significativo e profundo.
Abstrai-me do mundo ao redor. Só havia eu e aquele temporal.  Estava eu junto e misturada com a natureza. Nada mais havia. Nada importava.
Senti-me plenamente viva, energizada apesar de molhada até à alma. E uma paz absoluta tomou conta do meu ser: estava purificada, santificada e extremamente feliz!
Bendita e bem-vinda chuva, que veio para me lembrar que as coisas simples e verdadeiras ai estão. Devo aproveitá-las mais.
Descer do salto, despedir-me do orgulho, desfazer-me da vergonha, não dar atenção ao diz me diz, e me permitir usufruir das bênçãos ao meu dispor!
Inesquecíveis foram esses momentos tão ricos e tão singelos! Instantes esses eternizados no meu coração!
Escrito por Anitha em 12/4/2017, às 23h