Não sei há quanto tempo eu estava com vontade de tomar chuva.
E esse querer, por um motivo ou
outro, vinha sendo adiado. E, hoje, até que enfim, pude satisfazê-lo.
Assim, em torno do meio dia, o céu foi ficando
carregado de nuvens e trovões ruidosos antecipavam o
que estava por vir: um forte e intempestivo pé-d’água. Sim, os deuses - parece - estavam a meu favor.
Caiu água suficiente para encharcar o chão e aumentar o nível dos reservatórios. E, também, o bastante para me fazer sentir viva e me conectar com a minha criança interior, esta que, no frigir dos ovos, foi a maior beneficiária dessa tarde tão diferente e significativa.
Caiu água suficiente para encharcar o chão e aumentar o nível dos reservatórios. E, também, o bastante para me fazer sentir viva e me conectar com a minha criança interior, esta que, no frigir dos ovos, foi a maior beneficiária dessa tarde tão diferente e significativa.
Então, obedecendo a um impulso, tirei as sandálias, levantei a barra do vestido longo, pus a bolsa a tiracolo e sem sombrinha para atrapalhar, decidi, ali, usufruir daquele inesperado presente dos céus.
Recebi aquele temporal com entrega de corpo e alma como se ele fosse um bem-vindo amante que, generoso e abundante, consegue, com sua fluidez e desenvoltura, arrebatar a sua parceira e devolvê-la inteira e realizada à vida. Senti a cada rajada de água uma sensação de prazer, liberdade, de conexão com o divino.
Recebi aquele temporal com entrega de corpo e alma como se ele fosse um bem-vindo amante que, generoso e abundante, consegue, com sua fluidez e desenvoltura, arrebatar a sua parceira e devolvê-la inteira e realizada à vida. Senti a cada rajada de água uma sensação de prazer, liberdade, de conexão com o divino.
É! Recebi aquela chuvarada com alegria, respeito, reverência. Com uma terna gratidão!
Abstrai-me do mundo ao redor. Só existia eu e aquele quase dilúvio. Estava em comunhão com a natureza, em uma celebração particular. Nada além me importava, nem mesmo os olhares atravessados dos transeuntes e das pessoas dentro dos carros.
Senti-me plenamente energizada, apesar de ensopada. E uma paz absoluta tomou conta de mim:
estava purificada e extremamente feliz!
Bendita chuva que veio para me
lembrar que as coisas simples e verdadeiras ai estão, ao meu dispor. Tenho o direito e o dever de aproveitá-las mais.
Para tanto, aprendi, nesse dia, que é imprescindível eu descer do salto, desfazer do orgulho, colocar de lado a vergonha, não atentar ao diz me diz e, o principal, me dar a permissão para gozar das bênçãos tão fartas e disponíveis neste mundão de Deus!
Momentos ricos e intensos esses que eu vivenciei e que ficarão pra sempre na minha mente e no meu coração!
Escrito por Anitha em 12/4/2017,
às 23h

