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domingo, 12 de janeiro de 2014

O vitiligo que chega...e não toma conta de mim!


Agora, sim, assumi de vez o meu vitiligo!
Como descrevo abaixo, há 8 meses tive um choque muito intenso ao descobrir a despigmentação em algumas áreas do meu corpo. 
Mas o tempo - ah, o tempo, que bênção!- e o bom senso - bendito pai das ações equilibradas! - me fizeram enxergar que essa enfermidade poderia ter a exata dimensão que eu quisesse lhe dar. 
Ponderei: 
Para que me tratar? Vou sarar dessa doença de maneira definitiva? Cheguei à conclusão que não! Para ela ainda não existe nenhum processo de cura eficaz que possa lhe debelar de vez. 
Viverei sempre atenta às manchas novas ou aquelas já existentes, classificando-as de  acordo com o aspecto ou o quanto se alastrou? Não valeria a pena! Seria um desperdício imenso de energia e um ataque danoso ao meu amor próprio!
De forma consciente, portanto, optei por não fazer nenhum tipo de tratamento. 
Levei em consideração que nenhum desses recursos disponíveis, para os que padecem dessa moléstia, estaria livre de efeito colateral, e, o principal, o vitiligo não me faria mal algum, a não ser provocar a perda da coloração da minha pele, já tão clara, ou seja, a consequência seria somente estética. Nada mais. 
É um fato! Torna-me diferente! Contudo, não menos atraente!
Abstrai e o absorvi. E acalmei o meu coração e os meus pensamentos.
Nem me lembro mais no meu dia a dia que tenho algumas manchas. E elas deixaram de me afetar. 
Foi e é simples! Uma questão de priorizar: as manchas ou ser livre delas, apesar de tê-las! A opção é e sempre foi minha! 
Eu escolhi ser feliz ao invés de dramatizar ou me deixar ser dominada!
Escrito por Anitha em 8 de setembro de 2014



No dia seis de janeiro deste ano novo, ao acordar, tive uma surpresa que me tirou o chão. Descobri várias manchas brancas pelo corpo, principalmente nos joelhos, cotovelos, braços, algumas bem pequenas no rosto e na nuca.
Apressei-me para marcar horário com uma dermatologista que fosse especialista em doenças de pele, pois já tinha suspeita do que fosse.
Infelizmente, ela confirmou que é mesmo vitiligo, não obstante no histórico da minha família não constar nenhum caso dessa enfermidade.
Ela me disse que possivelmente isso seja consequência do efeito colateral da radioterapia que precisei fazer há 4 anos, como tratamento complementar à cirurgia de um câncer de mama.
Já fiz os vários exames que ela me solicitou, e, logo que ficarem prontos, irei levá-los para que ela possa me indicar um remédio que possa me trazer bons resultados. 
Disseram-me que ela é uma excelente profissional, aliás, se não for a melhor do Brasil, com certeza de Minas Gerais ela é!
No primeiro contato, a impressão que tive dela foi ótima. Achei-a muito humana. Haja vista que com um diagnóstico desses a gente precisa é de um colo imediato que nos dê alento e esperança. E foi o que ela me deu naquele dia!
Pois é, ironia da vida...
Há alguns anos tive um companheiro, afrodescendente pelo lado materno, que era portador dessa doença. E no decorrer da nossa convivência, que não foi pouca, ele zoava comigo por causa da minha brancura. E, sempre brincando, me dizia que eu escondia dos outros que eu tinha vitiligo no corpo todo. 


Realmente, tenho a pele muito branca. E, por nunca ter gostado de me expor ao sol, conservo essa cor leitosa...Digamos que aparento ser quase uma fantasma...rs...
Entretanto, desde a descoberta, a coisa perdeu a graça e virou assunto sério e eu, confesso-lhe humildemente, não estou gostando nada disto.
O fato é que estou tentando elaborar toda esta novidade e, mais do que tudo, ainda me encontro sob o efeito do choque de algo que jamais fez parte do rol dos meus pedidos feitos a Deus. 

É! Está sendo um abalo respeitável na minha autoestima.
Devido à circunstância, nem poderia me sentir diferente, como sabem as pessoas que me conhecem bem.
Dentre cinco irmãs, sou eu a mais vaidosa. E há justificativa para isto. Genes e zelo! Pelo menos é o que ultimamente apregoa a minha mãe. Diz ela que herdei esses cuidados e preocupações com a  minha avó, sua mãe, que nunca saía do quarto de manhã sem estar com os cabelos arrumados, vestida adequada e elegantemente e sempre aparecia perfumada.
Reconheço, também, que sinto prazer em me fazer mais apresentável, visto que nunca fui nenhum modelo de beleza, nenhuma miss.
É fácil deduzir, portanto, que, desta forma, pouco há a fazer agora a não ser, além das providências que já dei início, dar tempo ao tempo. 
Além de me permitir sentir medrosa, assustada, triste, menos atraente e confusa como tenho me sentido, e aceitar, inclusive, o que vier nos dias futuros no pacote das emoções. 
É! Sem dúvida, é um processo impactante que vira o mundo de ponta cabeça, e, até por isso mesmo, deve ser respeitado e vivido plenamente.
O que tem me ajudado é me lembrar que tenho como referência momentos outros que, apesar de não terem sido esperados, desejados ou provocados, passaram e – melhor! - dei conta de todos eles! Tanto que de alguns tirei proveito; outros me deram lições valiosas e de todos -todos- sai mais forte!
Intuitivamente, sei que esta será mais uma oportunidade para que eu aprenda, evolua, tire de letra e me torne uma pessoa melhor e com mais bagagem!
Além de tudo, sou uma felizarda! Mas uma Felizarda com F maiúsculo.

Tenho uma família amorosa, presente e dedicada que faz tudo o que pode, e mais um pouco, para me apoiar, confortar, facilitar a minha aceitação, acarinhar, tornar tudo mais leve para mim. E possuo também amigos leais e do peito que estão juntos comigo haja o que houver!
Logo, chego à conclusão, com todas estas condições favoráveis, somadas à fé que nunca me deixa e me serve de esteio em todas as ocasiões, daqui um tempo a história será outra!
Certamente virão novos capítulos, lutas e vitórias, enredos variados e me transformarei numa pessoa com mais capacidade de vivenciar novas fases, faces e façanhas!
E vamos em frente!
Há muito a viver e a acontecer!
Escrito por Anitha em 12 de janeiro de 2014, às 18h.