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domingo, 6 de dezembro de 2009

Coração aberto e aquecido


Há tempo tomei uma resolução que se encaixou perfeitamente aos meus princípios e  natureza.
Decidi, lá trás, que tanto as pessoas do meu convívio familiar como os meus conhecidos, amigos e afins ficariam a vontade para me procurar quando bem quisessem ou se isto lhes fosse conveniente.
Ao longo da minha vida, isso tem acontecido de maneira saudável e até mesmo descomplicada.
Busco não fazer nenhuma cobrança e nem exigência. E como é natural gosto de ter essa reciprocidade nas minhas relações.
Nunca fui adepta das imposições, nem mesmo aquelas ditas sociais. As protocolares e obrigatórias, somente quando, e se, imprescindíveis.
Continua claro pra mim que cada um sabe de si e a cada um compete fazer a sua escolha e tomar a atitude que bem entender no sentido de entrar em contato comigo ou não. E como conviver é um processo de mão dupla, sempre me é concedido este privilégio em contrapartida.
Sim! Respeito o silêncio e o afastamento, se eles ocorrem.
Confesso que em muitas ocasiões sinto uma falta enorme. Doída!  Principalmente quando a pessoa ausente tem morada certa no meu coração. Mas penso: fazer o quê? Isso faz parte do processo da convivência pacífica e do respeito ao outro. E não há motivo para reclamar. Só razões para agradecer! É uma bênção sem medida poder sentir e usufruir do afeto...longe ou perto!
Às vezes, faço uma tentativa de aproximação, de me fazer lembrada. Se obtenho sucesso, ótimo! Que dádiva! Estou cá sempre a postos, coração aberto e aquecido!
Agora, se não tiver êxito neste movimento, tudo também está certo e nos conformes. O outro está lá cuidando de si e de seus problemas e de seu viver. O que já é muito!!!
É! Presença boa é àquela que se dá de dentro pra fora...e há um mútuo sentimento de querer bem e um querer estar próximo.
Ah! Entretanto, como não poderia deixar de ser, pontuo, quando tenho oportunidade, que esta minha disposição nem sempre é linear, apesar do meu empenho.
Afinal, convenhamos, ninguém está, é, ou permanece inalterável. Ao contrário, as mudanças estão sempre em curso e daí numa dessas, tudo pode acontecer. Inclusive, haver a perda do lugar ocupado aqui dentro de mim...rs...
No fim das contas, o bom mesmo é poder pôr em prática a coexistência prazerosa e da teoria do deixa viver...pois quando juntos há trocas significativas, sintonia e a gratificação de  poder compartilhar instantes que valem a pena! Que marcam fundo porque não houve pressão e nem sacrifícios em vão!
Escrito por Anitha em 06.12.09
Domingo chuvoso e dia da decisão do Campeonato Brasileirão de 2009

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Estória de Carochinha...


Oh! Ao meu ver, alguns homens e mulheres se desencontram tanto em seus anseios e buscas por bobagem. Pura e simplesmente. Veja se você concorda comigo:
A mulher romântica e sensível pra dedéu, bicho bobo, quer romance; e o homem, racional e cabeça fresca, besta a não poder mais, quer sexo sem compromisso...rs...
Daí para resolver esse impasse crucial na vida dos dois, eles fazem que são...,no mínimo, apaixonados. Ele incorpora o personagem...Um Dom Juan...Doce e sedutor. Olhos ternos, palavras escolhidas a dedo, sorri bastante, elogia mais ainda... E, depois de conseguir adentrar a fonte dos prazeres, volta ao normal, e algumas vezes, grosseiramente, até vai embora sem dizer adeus. E ela, feminina e carente como ela só, desde o início, faz que acredita mesmo que internamente desejasse que fosse de verdade...Trata-o como um verdadeiro príncipe encantado...Um cavaleiro da armadura dourada... E se entrega e aproveita o mais que pode...E vira oszoinhos não sei quantas vezes e se dá por satisfeita......rs...
E os dois saciados ficam realizados e felizes...até um próximo...encontro...Com outros, é claro!...
E assim, até lá, ela se sentindo vazia, mas com a pele radiante e os cabelos muito sedosos, assiste a todas as novelas e come algodão doce, cheia de sonhos e de fantasias; e ele, realizado e contente por ter satisfeito os seus desejos e...se sentindo o próprio galã da novela das 9...sai pra vida ao encalço de mais uma que se sujeita a fazer de conta...
O mais? É história da carochinha....rs...
Escrito por Anitha em 25.11.09 às 13:32

terça-feira, 17 de novembro de 2009

SOU TANTAS!


Meu amigo, sendo sincera com você, não perca o seu precioso tempo tentando me entender. Têm horas que nem eu consigo. Sou mulher, lembra-se? E várias em uma!
Para lhe dar um subsídio a este entendimento, usarei a frase do poeta americano Walt Whitman, a qual poderá me definir melhor: "...Eu sou imenso. Há multidões dentro de mim...".
Assim sou. Muitas! Tantas, tantas, que nem sei. Tem muito a ver com o tempo, o humor e o meu bem estar ou não. Isso mesmo!
Além do que, como a soma das partes compõe o todo, sou o resultado direto de tudo que me afetou desde o início...do início...do início...que não tem como mensurar...
E desse modo, desde lá, venho sendo... E carregando comigo tudo o que fui... O que sou efetivamente... E o que tenho feito esforço pra me tornar...
Você pode imaginar o tamanho do empenho? Não é mole não, Rapaz!...Vai lá saber há quantos mil anos estou nessa empreitada ...Aqui nesse nasce e morre, sem parar?...rs...
Pois é, nessa toada, tenho lá as minhas dúvidas se conseguirei o meu intento de finalmente me sentir pronta e completa... Até porque no meio do caminho posso resolver dar um novo rumo e ir ao encontro das estrelas, ao invés de continuar caminhando bela e feliz por aí...
De verdade, tenho me esforçado muito para me tornar mais leve, o que não quer dizer mais magra...rs...Peloamordedeus, isto já é bem mais difícil...rs...
E dentro desses meus nascimentos e inaugurações, tenho levado prá-lá-e-prá-cá, o tempo todo, as minhas pendências e delas nem queira saber...Só conto no confessionário, se for obrigada... Ou se for torturada...Pensando bem, ai, ai, não!... Detesto sentir dor...
As qualidades também, poucas... miúdas... minguadas ainda...não obstante, ter adquirido algumas de peso e que fazem a diferença.
Defeitos, muitos...os mais variados...e não me orgulho disso, de forma nenhuma....Sei que os atuais ainda tento trabalhar para dar cabo deles... ou ao menos atenuá-los... ou, quando não dá, tento dar-lhes um tom mais delicado...soft... e passá-los para a categoria de... charme!... Já os do passado têm me servido como referência e aprendizado...experiência que levo em conta no presente.
Conquistas pessoais, estas, de fato, me provocam sentimentos de orgulho e de satisfação...Natural....Fiz por merecê-las, certamente!
Certezas...A que mais se destaca é a minha capacidade de amar! E, igualmente, a despeito do desamor coletivo e da falta de solidariedade entre os nossos pares, o gostar de gente de todo tipo e ser adepta do ser e do fazer feliz! Sem restrições!
Temores...Nesse quesito pode me considerar bem corajosa...nem medo de barata e rato eu tenho...veja só!...rs...
Ousadia...Ah! adooooro! E fala sério! Como a vida ficaria sem graça sem ela...E por possuir essa característica bem peculiar, dizem, me torno mais interessante...Vai lá saber....rs...
Desejos...não vivo sem...Alguns inconfessos...e estes guardo a sete chaves... e devezemquando as perco... para poder perder a cabeça...ih! fiquei corada!....Eta coisa boa!...rs...
Reticências...Uso-as... sem pudor...e sem pedir licença...Quer saber? Abuso delas mesmo...Com vontade!!!
Pontos finais. Isto é assunto sério demais pra mim, tanto que jamais começo uma história sem pôr fim na anterior. É! Por uma questão de consideração e respeito, os mesmos que quero pra mim.
Interrogações são o meu alimento e me ajudam a evoluir...Poucoapouco...No meu tempo e de acordo com a minha capacidade e entendimento...Têm também me feito seguir em frente, esperançosa de dias melhores....
Bem-me-quereres...Elementar, caro Watson!... A gente precisa do coração aquecido e, em contrapartida, aquecer, não é?... E o que seria da vida sem este conforto e esta garantia?
Alegrias...Se não as tenho... as crio...Em série...pra durar mais, que de boba eu não tenho nada...ou penso não ter ou não ser... o que é pior, né?
Belezas, que estão dentro dos meus olhos...e, como é sabido...o que está dentro está fora, daí...
Lugares onde estive...Todos, sem exceção, me acrescentaram algo valioso...
Pessoas com as quais convivo hoje ou já convivi...A todas sou grata...sem nenhuma distinção... Pelo bem ou pelo mal que me fizeram... Apesar que, a bem da verdade e por questões de afinidades e de energia, sempre só atrai pessoas de bom caráter e do bem.
Ufa! Por hoje está de bom tamanho...não é não?
Escrito por Anitha em 18.11.09

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O meu guardado


O que é meu, meu bem,
De fato e de direito
Encontra-se bem guardado.

Ah! claro que me restam alternativas
Mas elas ou me enfadam
Ou não me convém...

Por isso
Por enquanto
Pacientemente
Espero como espera
O copo o conteúdo
Do vinho entornado
O nariz o agradável aroma
Da pessoa amada
A boca o sabor do beijo molhado

Sei que ele está chegando
Está perto
Próximo demais
Já sinto a sua energia
Um frenesi
Em todo o meu ser
E o meu corpo todo excitado.

Aqui e agora
Sei o que quero
Sem problema
O que é meu está guardado.

Aguardo!
Escrito por Anitha em 16.11.08

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Bens preciosos



Não foi por mero acaso que ele tomou conta do meu interior. Não!
Tenho que ser justa. Eu mesma abri a porta e o convidei a entrar:
-Fique à vontade, eu lhe disse, estava a sua espera.
E ele não se fez de rogado. Sem demora, ocupou todos os espaços, e o meu tempo também!
E assim me tornei escrava quando antes era dona e senhora.
Ironia das ironias, apesar de saciada, comecei a me sentir vazia.
Hoje, vejo que devia ter tomado cuidado. Sim, ter sido mais cautelosa, menos afoita.
Entretanto, agora preciso dar um basta!
Chegou a hora de ter juízo. Esvaziar a casa. Reavaliar sentimentos e atos, o que é valioso de verdade.
Ele, contudo, tem fincado o pé. Não quer sair de jeito nenhum. Sente-se e age como proprietário.
De uma ou outra maneira, terei que fazê-lo sair. Despejá-lo, se preciso for, para o bem geral.
Mas, antes de qualquer atitude mais drástica, acho melhor tentar convencê-lo. Vá que ele me atende.
- Por favor, Desejo, saia! Preciso recuperar o que você me tomou. Principalmente a paz e a liberdade.
É! Esses bens preciosos que perdi quando lhe dei permissão para que se apossasse de mim.
Escrito por Anitha em 08.09.09

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Nada é em vão!


Tenho pra mim que, intensa como sou, quando ouso muito amar e me deixo levar pela paixão e o bem gostar, e o outro também se abre e oferece o seu melhor, pode até ser que a relação chegue ao seu final, se esgote por si mesma, e eu sofra os efeitos desse término, mas mesmo que assim seja, por opção minha ou mesmo do parceiro, deixo saudades, pedaços...de mim...; e em contrapartida levo-o dentro de mim, onde ele ficará para sempre, sempre, como uma grata e terna lembrança...
Escrito por Anitha em 02.09.09

terça-feira, 5 de maio de 2009

Para o seu Conhecimento


Esse é um recadinho para você: adoro receber um alô. Curto, longo, escrito, por telefone, pessoalmente, no Orkut, e-mail, seja como for. O que importa é a lembrança. O resto não tem importância. Deleta.
Agora para o seu conhecimento: estou bem e feliz. Hoje farei a minha última sessão de quimioterapia. Nem acredito. Chegar firme e forte até aqui. Parece milagre. Claro que ter senso de humor foi necessário. Mas também quem aguenta pessoas pesadas no entorno? E quem suporta ficar deprimida o tempo todo? Eu? Falta-me talento e paciência para isto. E o principal, no meu poço tem mola.
Só sei que entre mortos e feridos me salvei. Hahahaha. A que custo? Esse é um segredo bem guardado que não contarei agora. Não. Tenho outros planos para o momento. Abrir-me para acolher o melhor é o mais simples deles.
Por enquanto, posso lhe assegurar, pretendo dar um tempo e esquecer um pouco essa travessia.
Aliás, na verdade, tão logo eu esteja distante desses eventos tão críticos; e ao mesmo tempo tão ricos, sinto que terei condições suficientes para fazer um verdadeiro balanço de toda esta vivência.
Tenho para mim que aí sim poderei avaliar de forma sensata quais as lições que levarei adiante e quais poderão me servir de lembrete ou de aprendizado. Já sei de antemão que precisarei rever conceitos, atitudes e diretrizes. Caminhos e escolhas. Mas, no momento, a ordem do dia é viver o que está aí. O que não é pouco de jeito nenhum.
Até começo de agosto terei vencido outra etapa. A da radioterapia. Serão 33 sessões. E ponto final.
O futuro? Ah! Está logo ali sorridente a minha espera.
Mais na frente, num dia qualquer, escreverei sobre toda essa experiência. Sim, senhor, pode me cobrar. Escrito por Anitha em 06.05.09

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Em Construção


Enquanto isso, com a sensibilidade à flor da pele, estou me desconstruindo. Sem pudor, sem medo e em profundidade. Retiro as minhas máscaras. Fico em carne viva.
Meu Deus! A verdade é que isso dói pra burro e é muito incômodo!!! Mas é preciso. Sinto que chegou a hora.
Quero e busco os meus porquês, sentidos e limites. Vou elaborando as vitórias, acertos, dores e perdas. E me permito, de forma muito particular, nesse hiato entre ser e não ser, me aceitar como uma pessoa em construção.
Estou frágil. Absolutamente frágil, como é de se esperar de quem está sem alicerces firmes a lhe sustentar.
Mas tenho fé que, através deste processo doloroso, absolutamente só, intenso e consciente que ora estou envolvida, deixarei para trás tudo aquilo que não vale a pena e não tem mais significado para mim e para a minha vida e que, por isso mesmo, de uma forma ou de outra, faz anoitecer e sangrar a minha alma; para iluminada, esclarecida, leve e inteira seguir em frente como Anitha plena, verdadeira, feliz e em paz! Escrito por Anitha em 14/03/08

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Minha Menina


Minha menina se ausentou
Ela me faz tanta falta
Que no meu coração
Estou sentindo
Como se tivesse um buraco.

Para aonde terá ido?
Não faço nenhuma idéia
Será que foi se aconchegar nos trópicos
Para calor poder sentir?
Ou foi para o sul
Para com agasalhos se aquecer?

Cadê, cadê minha menina?
Sem ela não consigo viver
Ela é a minha melhor parte
Sem ela como sonhar
Brincar, sorrir, criar,
Acreditar e amar?

Cadê minha menina?
Por favor, me avise
Se por acaso você a encontrar
E diga-lhe
Que ela me é muito cara
Dê-lhe a mão de forma terna
E a traga de volta para mim. Escrito por Anitha em 20/02/2008

domingo, 19 de abril de 2009

Esperança...


Olá!
Qualquer hora nos encontraremos novamente. Eu bem sei.
Antes, cuidaremos dos fios soltos. Alinharemos os afetos. Redimensionaremos as distâncias. Chegaremos a um denominador comum: o da vontade de expandirmos o amor.
Se for necessário, daremos um tempo...Para arejar os espaços e para as saudades serem tantas que teremos vontade de dar cabo delas...Escrito por Anitha em 19.04.09

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Vivências da Quimioterapia


Meu Deus! É muito boa a sensação de estar quase terminando o tratamento da quimioterapia!
Das quatorze sessões prescritas, hoje é a décima primeira. Bem dizem, nada como um dia atrás do outro!
Saio desse devaneio, pois sou chamada para a consulta semanal com o meu médico Dr. Alexandre de Castro.
Não é à toa que ele é o meu preferido. Ele é cuidadoso, paciente, gentil. Um amor! Além de ser simpático, o danado é bonito, o que nessa altura do campeonato é um plus que não se pode desprezar. O seu único demérito é ter a idade próxima do meu primogênito. Nem tudo é perfeito, não é mesmo?
Depois de fazer o exame meticuloso, e também de averiguar que os meus exames de sangue semanais e obrigatórios estão a contento, ele me diz que a sala de aplicações está cheia de pacientes da véspera, devido a um problema que houve de falta d’ água na clínica.
– “Que tal deixar para amanhã? Hoje está muito cheio e vai demorar muito até desocupar um lugar para você poder fazer a sua quimio?”
Quase pulo da cadeira:
-“Jeito nenhum. Nem pensar. Amanhã ela tem outros compromissos e não poderá vir comigo, e, como ela tem feito questão de me acompanhar e não me deixa de forma nenhuma até parecendo ser minha irmã siamesa, sem condições.”
Peço-lhe que dê um jeitinho... Não acabei de dizer que ele é especial? Ele dá. Bom, já que não tem solução, solucionado está, como dizia o meu paizinho sempre saudoso e querido.
Descemos para o segundo andar. O das aplicações. Realmente, há que se ter paciência. Tudo lotado!
Ufa! Depois de um tempo considerável, surge uma acomodação. Uma poltrona que fica em uma área coletiva.
Vendo o lado bom das coisas, será uma oportunidade que terei para saber como é a experiência de tomar os medicamentos em grupo, visto que tive o privilégio de ficar somente em área exclusiva.
Até aqui ficava deitada bela e comodamente em cama individual, num compartimento separado dos demais por uma parede divisória, o que me possibilitava desfrutar de uma privacidade muito conveniente.
E ali, nesse espaço, só me faziam companhia as pessoas que por ventura eram as minhas acompanhantes do dia, ou seja, algumas poucas amigas diletas.
A Lourdes, que de brincadeira diz ser a minha irmã preta, foi a que mais esteve comigo nesses tempos iniciais de incertezas e de muitos questionamentos. Ela se desdobrou ao máximo para tornar esse processo o menos traumático e o mais suportável, ficando sempre ao meu lado, a todo tempo solidária e presente com o seu carinho e desvelo. A ela serei grata para sempre!
Atualmente, minha “anja”, Mariléa, irmã de sangue e de coração, desde que retornou da Irlanda, é quem me leva a Oncomed. De qualquer forma, de lá da Europa, através inclusive da web cam, ela nunca deixou de estar junto a mim, me dando força, apesar da distância. E agora, de volta a BH, ela não abre mão desta incumbência de jeito nenhum. Ah! Durante as aplicações ela fica a postos ao meu lado como uma verdadeira escudeira! Carinhosa e fiel, fica me acarinhando, me paparicando, me pondo para cima.
Pois é, mesmo que eu tenha mil vidas não serão suficientes para eu agradecer toda essa dedicação, desprendimento, boa vontade, presença e amor constantes! Sem sombra de dúvida, são pessoas imprescindíveis como elas que dão sentido à minha vida e me ancoram no mundo, e que tornam essa caminhada um pouco mais fácil.
Ah! Voltando à vaca fria e ao tratamento...
Sento na única poltrona livre. Por sinal acho bem desconfortável, tanto que me lembro imediatamente do meu sofá da sala de televisão. Coitado! Bem que tentei, mas ele não prima pela comodidade. Isso é o resultado de eu ter priorizado, no ato da compra, o sofá-cama em detrimento do conforto. Me estrepei!
Da parte deles, vá lá saber os motivos que tiveram para fazer essa má escolha...
Aguardo as picadas da agulha na mão direita. A esquerda não poderá nunca mais, por causa da cirurgia na axila.
Suo frio. Não, não tire conclusão apressada. Não seria justo. Não é falta de habilidade dos enfermeiros. Ao contrário. Eles são ótimos! Profissionais de primeira! A culpa mesmo é das minhas veias, que estão rijas e muito doidas. Resolveram fazer greve. Aliás, não lhes tiro a razão. Têm sofrido pra burro nessa travessia, as coitadinhas!
Definitivamente, não gostei da experiência da poltrona! Também pudera!
Do meu lado direito sentou uma paciente que me relata que teve câncer de seio em 2002 (setorectomia, do mesmo tipo do meu, até o esvaziamento axilar foi igual). Diz que fez todo o tratamento e seguiu todas as recomendações, e que agora em 2009, para o seu horror (e meu também), foi descoberto que ela está com metástase no fígado.
Do lado esquerdo, uma jovem senhora, que também tinha tido câncer no seio quatro anos atrás, fez todo o tratamento, inclusive a cirurgia de remoção do seio, e, recentemente, teve o diagnóstico que está com metástase no fêmur esquerdo. E à minha frente um senhor que teve no intestino, e que, infelizmente, a doença reincidiu e ele está com vários tumores no abdômen.
Dei sorte, fala a verdade? Só gente com metástase? Reconfortante e animador, não??? Tenho razão de não ficar fã, não é? Você ficaria???
Semana que vem, dia 22, nem morta sento em uma daquelas poltronas.
Eu, hein, Rosa??? Nem pensar!!! Nem amarrada!!! Com o perdão da má palavra, nem f......!!!
Escrito por Anitha em 15 de abril de 2009.

quinta-feira, 19 de março de 2009

* Um Brinde


Decido e divido com você esta resolução.
Comprarei uma taça bem bonita e delicada
A mais linda taça de campeã que houver.
Uma que encha meus olhos
e encante o meu coração.

Sim, uma taça de vencedora
De percalços, labutas, da vida.
Ocuparei o meu justo lugar no pódio.
Primeiríssima.
Medalha de ouro!

É. Sou uma.
Mereço.
Para que falsa modéstia?
Pelo menos, agora não
Não mesmo!.

Na minha caminhada,
Venci batalhas muito difíceis.
Muitas delas, solitária e calada.
Travei combates incompreensíveis para muitos.
Mesmo assim resisti. Lutei.

Outras, várias,doídas para mim.
Algumas raras, sangrentas até.
Mas, necessárias.
Delas não tive como escapar.
Questão de vida ou morte interna.
Para mudança de estado,
De pele, de forma.
Por ideias e ideais.

Perdi a conta das que valeram à pena.
Não foram poucas, bem sei.
Também, em contrapartida,
Em grande quantidade e importância,
Recebi calorosos e sinceros apoios.

Houve, também, é claro,
Aquelas alegres e festivas.
Essas todas, que bom,
Compartilhei a tempo e na hora
Com quem eu bem quis,
Com quem devia e precisava.

Quantas sem perspectiva de vitória.
Mas não podiam ser adiadas,
E nem delas fugir.
Findadas com sucesso ou perdidas,
Foram corajosas em seus objetivos.

Incontáveis vezes,
Entrei em conflito comigo mesma.
Reconheço,
Fui e sou a minha adversária
Mais severa e exigente.

Tantas pelejas
Por paixão
Por amores, por amor.
Algumas pela falta de.

Rompi paradigmas.
Perdi a calma
Fui tomada pela emoção.
Na totalidade pus a alma.

Usei, abusei, me esqueci da razão.
Sem sentido aparente à primeira vista.
Pelos porquês ocultos ou desvelados.
Por mim. Por outros.
Por joias da minha vida.

Teve até empenho
Por quem não fez por merecer.
Mas teve sua valia mesmo assim.
Por ser fundamental
A minha essência fazer sentido.
Por não entender quando há falta de.

Fiz descobertas maravilhosas.
Tive ganhos sem medida.
Quantas buscas valiosas.
O conhecimento do bem e do mal.
Experiências adquiridas e vivenciadas.
Encontros ricos e memoráveis.
Transformações profundas.
Redenções. Trocas.
Perdas. Perdões.

Lutei,
Venci quase todas...
Olhando para trás,
Vejo que precisei disso tudo,
Para me tornar quem hoje sou.

Ah! Mereço.
Como mereço!
Minha luta foi,
É e será sempre,
Tenho convicção disto,
Constante e sem trégua.
Por melhores dias.
Melhor qualidade de vida.
E, sobretudo, esta que,
Sem dúvida nenhuma,
É a mais ferrenha de todas elas,
Tornar-me uma Anitha cada vez melhor...

Então, aproveitando o ensejo,
Feliz e orgulhosamente,
Um brinde a esta aguerrida Anitha!
Tim-tim!
Escrito por Anitha, em 08/05/07

* Quero fazer neste momento um brinde especial ao Ary. Por sua amizade cuidadosa e gentil.
Em 2007, enviei a todos os meus amigos alguns escritos meus. Pois não é que o Ary os guardou e hoje delicadamente me pediu que postasse este aqui. Portanto, tim-tim também a você, meu caro amigo! Tim-tim e a minha gratidão!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Amigos!


Amigos! Que bênção!
Amigos, quando de alma são, não se cobram e nem precisam se desculpar. Eles compreendem o não dito assim como as ausências.
É simples! O entendimento nasce e é elaborado pelo coração. Prescindem de palavras e de explicações. Eles, principalmente, levam em conta, em determinadas circunstâncias e instantes, quando uma das partes não está em fase de abundância. Ou porque está em míngua interna; ou por causa do tempo e do espaço que se faz necessário para se ir ao verso do reverso ao encontro de si; ou porque naquele momento simplesmente não se está a fim.
É um fato, entre amigos não existe hiato. Existe sim a certeza do puro e verdadeiro afeto. E isto é tudo. Pouco ou muito, irrelevante. Longe ou perto, pouco importa. A energia da afeição transcende o vácuo, rejeita medidas e vence qualquer limitação.
É! Amigos sinceros intuem também que na vida existem horas de se ir só pra ilha (eu vou sempre pra minha); e ocasiões de proximidade, de optar por estarem juntos, bem juntos. Fazerem trocas. Se nutrirem.
Amigos, amigos de verdade, sentem que se gostam, a despeito de....E estão unidos, apesar de...Escrito por Anitha em 05.02.09

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Metamorfosear


Vou desobstruir
As vias do meu coração
O que ganho
Ficando desse jeito?
Contida, magoada?
Triste, zangada?

O outro não está nem aí
E eu aqui para explodir
O outro nem ligando
E eu remoendo
Guardando
Doendo.

Vou deixar, então
De dentro sair
Fluir
Extravasar
Cobras e lagartas
Metamorfosear.

Decido abrir assim
As portas do meu coração
Já sinto os primeiros raios
Do sol nascente
E as borboletas
Em torno de mim
Esvoaçando
Lindamente. Escrito por Anitha em 27.02.09

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Doçuras


Não sei
Ao certo
Se foi sonho
ou não
Mas me disseram
Que lá na frente
Depois do arco-íris
Tem um pote de mel
e de afetos.

Eu, como sou crédula,
Estou indo lá buscar.

Se você quiser
ir comigo,
Venha logo
É só me avisar.

Pode, inclusive,
Ter certeza sim
Que a sua companhia
Será um prazer pra mim!Escrito por Anitha em fevereiro de 2009.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Venha!


Quero um amor inteiro
De falas e sussurros
De trocas profundas
Segredos e mistérios
Gozos e alegrias.

Quero um amor maior
De entrega e encontro
Pele e química
De infinitas descobertas
Encantos e magia.

Quero um amor de afinidades
De olhos nos olhos
Transparente e gentil
De espaços necessários
E vindas desejadas.

Quero um amor de surpresas
Que suscite fantasias
E vontade de estar juntos
Que torne a vida mais bonita
E viver mais interessante.

Quero um amor de verdade
Puro de intenção e do bem
Sem máscaras ou artifícios
Sem falsidade e malícia
Sem dores desnecessárias.

Quero um amor refinado
De presentes e presença
É imprescindível também
Lealdade e fidelidade
Cumplicidade e bom humor.

Quero um amor de olhares
Entendimento sem palavras
Delicadezas e carícias
Doçura e gentilezas
De cuidados constantes.

Quero um amor amigo
De confidências e risos
De generosidade e parceira
De histórias compartilhadas
E muito bem vividas.

Quero um amor saudável
Sem mágoas, ciúmes
E sem machucados.
De queridas lembranças
E memoráveis instantes.

Quero um amor intenso
De desejos e tesão
Com gosto de eternidade
De almas companheiras
E coração entregue.

Quero um amor belo e leve
De palavras verdadeiras
De mãos dadas
Beijos trocados
Aconchego e abraços ternos.

Quero um amor confiável
Que cause admiração
Que a tônica seja o respeito
E que leve a mútua evolução.

Quero um amor
Que amor seja
Do começo ao fim
Lindo e completo
Na minha medida
De receber e retribuir.

Quero este amor carinhoso
Com todo o meu ser.
E que ele venha logo
Para me preencher.

Já o esperei demais
Está na hora
De encontrá-lo
E ele ao meu encontro vir.

Temos muito a viver
Não me deixe esperar
Venha inteiro, pleno
Venha logo,
Venha para mim...Escrito por Anitha em 19 de fevereiro de 2009, às 17:29 h.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Vou Me Achar!


Espera!
Deixe-me parar
Um instante, dia, ano
O quanto eu precisar.

Em algum lugar,
Eu me perdi,
Não sei onde
Quero me achar.

Venho me arrastando
Desencontrada de mim
Sem motivos claros
Vazia fui ficando.

E pelo caminho
Privei-me de partes relevantes
A rotina diária se encarregou
De que eu perdesse o restante.

Do que gosto?
Como e por que eu faço?
Com que vibro?
O que me faz feliz?

Quais são hoje
Os meus reais objetivos?
Para onde estou indo?
Quem sou eu?

Espera um instante...
Como continuar assim?
Sem consciência,
Que significado isto tudo tem?

Sem face,
Diga-me
Para que o espelho?
Sem perspectivas,
O que vou almejar?

Meu Deus!
Em que ponto me perdi?
Quero, ah!
Quero me achar.

Sei que ainda é tempo.
Vou tratar de me buscar
Ser plena, inteira,
Para com todo o meu ser
Desejar, querer e amar.

Pára! Pára tudo!
Vou seguir sozinha
Por favor
Preciso ir só.

Tenho que
E quero me encontrar
Sei que a hora é agora
E que disto sou capaz.

Tudo é muito simples.
É desvendar o sentido
ou a falta de.
É me procurar
E me encontrar.

Já comecei o processo
Deixe-me agora
Estou indo atrás de mim
Quero e vou me achar...Escrito por Anitha em 27/02/2007

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Bendita Linhagem


A vida é uma caixa de surpresa, como em algum momento já nos disseram.
Não tem jeito, herdamos amores imensos; dores-mestres.
No seguir da vida, nesta alternância, se pudermos, descobrimos a essência.
A verdade é que este processo nem sempre é suave; mas é possível, necessário e pessoal.
Há que se ter prumo, afeto e corações disponíveis e constantes para não se perder no caminho. Facinho para quem sonha demais ou carrega sofrimento em suspenso.
Qualquer passo em falso, ou não, o bem ou mal se instala. Vez um; vez outro, sorriso e choro. É belo; entretanto sangra.
Todavia sei que todo esse emaranhado de emoções traz a contrapartida da criação. Que por si só vale toda essa herança, sabemos nós.
Assim, bendita linhagem que nos torna mais ricos, apesar de sofridos.
Hoje, minha amiga, são essas as palavras que nascem do meu coração para você. Elas são de amor! Escrito por Anitha em 09.02.09.

Desabafo de Um Medo Medonho


Peço-lhe permissão para partilhar com você o desabafo abaixo.
Ele eclodiu como se fosse uma erupção vulcânica saindo de dentro de mim às 5 e meia do dia 5 de fevereiro de 2009, quinta-feira, madrugada quente e sem chuva.
É algo íntimo, muito íntimo, o que vou lhe revelar.
Por que o faço? Talvez seja porque fui aconselhada a fazê-lo para auxiliar quem está passando pelo difícil tratamento de quimioterapia após cirurgia de câncer.
Ou, o mais provável, seja para desmistificar. Desmitificar sim, porque passo a impressão de ser forte, que dou muito bem conta de todas as situações e que também sou arrojada e corajosa.
É! Em circunstâncias corriqueiras essa premissa pode até ser verdadeira.
Entretanto, atualmente, devido a todo esse momento excepcional pelo qual estou passando, isso procede em parte.
O que é real é que nos dias seguintes às sessões de quimioterapia me sinto muito frágil. Debilitada tanto física, afetiva, como psicologicamente. E nesse estado tão suscetível é um pulo para o medo tomar conta de mim. Sem pedir licença, ele chega sem dó e nem piedade e se instala!
Por isto, nestas ocasiões em que me encontro tão fragilizada preciso de braços a me amparar, confortar, para que eu possa continuar a voar. Minhas asas não são suficientes. Confesso-lhe, nem para voos rasteiros.
Meu Deus! Como fico necessitada de afeto, de demonstrações de amizade e carinho, apesar de quase sempre não conseguir verbalizar essa carência.
Minha sorte é que nos outros dias, dito normais, graças ao Bom Pai, volto ao habitual e recupero as minhas características próprias e inatas. E aí sou deveras a Anitha corajosa, poderosa, alegre, otimista, confiante e alto astral.
Constato também por essa minha vivência particular como é interessante a alma humana. É mesmo um mistério decifrável na maioria das vezes através da expressão e da consciência. Ou de catarse. Como se deu  comigo.
Percebo que esse meu desnudar poderá atuar como um meio não intencional para me dar a conhecer. O reverso de mim mesma. Meu lado B, que sempre procuro preservar de uma forma tão cuidadosa.
Então, faço-lhe um pedido especial, acolha-me, busque o seu lado sensível e compreensivo para captar o que estou lhe declarando e o que está nas entrelinhas, pois, do contrário, me sentirei como se tivesse jogando pérolas ao vento.
Você deve saber que sentimentos dolorosos e expostos podem ser comparados à produção das pérolas naturais. Tanto um como o outro resultam de algo que machuca, fere no interior das ostras como de nós, seres humanos.
Do que se pode deduzir que sentimentos, sejam eles quais forem, assim como as pérolas verdadeiras, têm valor inestimável, porque são únicos, irreproduzíveis e absolutamente pessoais.
Sendo assim, quero crer que haverá de sua parte, de forma espontânea, acolhida e zelo. Coisas do coração!
Agora, daqui pra frente é com você. Leia com atenção  e sem crítica, se for possível!
Com carinho,
Beijo,
Anitha

Medo, medo, medo!!!
Esse é o meu mais novo inquilino.
Reconheço a minha impotência,
Para fazê-lo de mim desalojar.

Ele está me consumindo
Levando-me ao desespero
Meu sono tirando
Minha paz nem sei mais aonde está.

Ele está sempre presente
Sorrateiramente junto de mim
Mesmo quando faço
Que não o vejo.

Medo, medo, medo!!!
Tão atual e tão novo para mim.
Estou me sentindo incapaz
E refém de todo esse processo.

De fato, estou me sentindo
Muito carente
Nessas circunstâncias.
Pesa-me não ter condições de melhorar
Essa rotina cotidiana e entediante.

Falam que tenho muitos amigos.
Tenho sim, muitos.
Mas são bem poucos
aqueles que se manifestam
de forma solícita e expressa
para amenizar a minha solidão.

Há também àqueles que o fazem
como se cumprissem um ritual
fosse um dever a eles imposto.
Digo que não me importo
Mas isso não é verdade.

Alguns, de vez em quando, aparecem
mas como vem desaparecem.
E assim, como nada peço
Continuo refém
da minha sempre presente
E real  necessidade.

A verdade nua e crua
É que poucas são as pessoas disponíveis
que posso contar
para o que der e vier
no meu dia a dia de acamada.

Medo, medo, medo!!!
Que  sorrateiramente
Minhas forças está tirando
Que devido aos eventos do último ano
Já nem eram tanto assim.

Agora então me encontro
Completamente fragilizada.
Tenho me esforçado
Mas só eu sei
O que isso tem me custado.

Portanto, não me peçam coragem
Não me digam que sou valente
Que dou conta
Que é vontade de Deus
Ou que logo tudo isto passa.

Também não quero ler depoimentos
Não me contem casos conhecidos
Nem me falem de exemplos
E daqueles que estão muito bem.

Saibam, não estou dando conta
Respeitem os meus limites!
Esta experiência é minha
Deixem-me vivê-la como eu puder.

Apesar das boas intenções
Não queiram me distrair
Diminuir a importância
Do que está me acontecendo.

Por favor, estou com medo!
E ele está me corroendo.
Não falem que sou forte
Muito menos que darei conta.

Estou com medo, muito medo
Das dores, inclusive internas.
Da minha desestrutura
E dessa minha pouca resistência.

Medo das minhas urgências
Dos reais sintomas
Das restrições.
De precisar tanto
E ficar assim tão a mercê.

Medo. Ah! Que medo!
Eu não queria me sentir
Desse jeito
Mas é um fato.
Minha sensibilidade está tão à flor da pele
Que capto o não dito
E ando rejeitando o estéril carinho de plástico.

Medo da falta de solidariedade
Dos diletos amigos me faltarem
Do cansaço, também dos que me cercam,
Dos dias que passo muito só.

Medo dos meus pensamentos
Desordenados
Da insônia improdutiva
E da falta de motivação.

Medo de julgamentos
De crítica
De não ter apoio,
Aconchego, afeto e nem colo.

Medo de incomodar
De ser peso
Da não aceitação
Seja ela qual for.

Medo de não ser compreendida
De comparação
De ser inconveniente
De desapontar.

Medo do ridículo
De ficar chorosa
Da minha exaustão
Dos meus sentimentos contraditórios.

Medo das perdas
Do que não terá retorno.
Do meu rosto que não reconheço no espelho
Da minha estranheza, de ficar careca.

Medo de não ser desejada
Do silêncio das pessoas que eu prezo
De ser rejeitada
Das perdas que ainda virão.

Medo de tudo que me dava segurança
E hoje não tenho mais como suporte.
Medo da perda de sentido
De não ter capacidade para lidar
Com as coisas práticas e básicas da vida.

Medo da minha sensibilidade
De não agüentar a pressão
Da minha insegurança
De sentir depressão.

Medo do tédio
Da crise existencial
Da angústia
De estar chata, e devo estar!!!
Da minha falta de paciência
E falta de jeito.

Medo de perder a fé
De não dar conta
Medo da morte
Da doença reincidir.

Medo da agressividade do tratamento
De ser preciso repeti-lo
De fazer exames
E esperar que os  resultados deem positivo.
Medo do desconforto atual
Dos vários efeitos colaterais.

Medo do medo
Medo de como tudo irá acabar
Do hoje e do futuro
Medo que me péla
Ah! Como estou com medo!!!
Escrito por Anitha em 05/02/09.