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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Metamorfosear


Vou desobstruir
As vias do meu coração
O que ganho
Ficando desse jeito?
Contida, magoada?
Triste, zangada?

O outro não está nem aí
E eu aqui para explodir
O outro nem ligando
E eu remoendo
Guardando
Doendo.

Vou deixar, então
De dentro sair
Fluir
Extravasar
Cobras e lagartas
Metamorfosear.

Decido abrir assim
As portas do meu coração
Já sinto os primeiros raios
Do sol nascente
E as borboletas
Em torno de mim
Esvoaçando
Lindamente. Escrito por Anitha em 27.02.09

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Doçuras


Não sei
Ao certo
Se foi sonho
ou não
Mas me disseram
Que lá na frente
Depois do arco-íris
Tem um pote de mel
e de afetos.

Eu, como sou crédula,
Estou indo lá buscar.

Se você quiser
ir comigo,
Venha logo
É só me avisar.

Pode, inclusive,
Ter certeza sim
Que a sua companhia
Será um prazer pra mim!Escrito por Anitha em fevereiro de 2009.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Venha!


Quero um amor inteiro
De falas e sussurros
De trocas profundas
Segredos e mistérios
Gozos e alegrias.

Quero um amor maior
De entrega e encontro
Pele e química
De infinitas descobertas
Encantos e magia.

Quero um amor de afinidades
De olhos nos olhos
Transparente e gentil
De espaços necessários
E vindas desejadas.

Quero um amor de surpresas
Que suscite fantasias
E vontade de estar juntos
Que torne a vida mais bonita
E viver mais interessante.

Quero um amor de verdade
Puro de intenção e do bem
Sem máscaras ou artifícios
Sem falsidade e malícia
Sem dores desnecessárias.

Quero um amor refinado
De presentes e presença
É imprescindível também
Lealdade e fidelidade
Cumplicidade e bom humor.

Quero um amor de olhares
Entendimento sem palavras
Delicadezas e carícias
Doçura e gentilezas
De cuidados constantes.

Quero um amor amigo
De confidências e risos
De generosidade e parceira
De histórias compartilhadas
E muito bem vividas.

Quero um amor saudável
Sem mágoas, ciúmes
E sem machucados.
De queridas lembranças
E memoráveis instantes.

Quero um amor intenso
De desejos e tesão
Com gosto de eternidade
De almas companheiras
E coração entregue.

Quero um amor belo e leve
De palavras verdadeiras
De mãos dadas
Beijos trocados
Aconchego e abraços ternos.

Quero um amor confiável
Que cause admiração
Que a tônica seja o respeito
E que leve a mútua evolução.

Quero um amor
Que amor seja
Do começo ao fim
Lindo e completo
Na minha medida
De receber e retribuir.

Quero este amor carinhoso
Com todo o meu ser.
E que ele venha logo
Para me preencher.

Já o esperei demais
Está na hora
De encontrá-lo
E ele ao meu encontro vir.

Temos muito a viver
Não me deixe esperar
Venha inteiro, pleno
Venha logo,
Venha para mim...Escrito por Anitha em 19 de fevereiro de 2009, às 17:29 h.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Vou Me Achar!


Espera!
Deixe-me parar
Um instante, dia, ano
O quanto eu precisar.

Em algum lugar,
Eu me perdi,
Não sei onde
Quero me achar.

Venho me arrastando
Desencontrada de mim
Sem motivos claros
Vazia fui ficando.

E pelo caminho
Privei-me de partes relevantes
A rotina diária se encarregou
De que eu perdesse o restante.

Do que gosto?
Como e por que eu faço?
Com que vibro?
O que me faz feliz?

Quais são hoje
Os meus reais objetivos?
Para onde estou indo?
Quem sou eu?

Espera um instante...
Como continuar assim?
Sem consciência,
Que significado isto tudo tem?

Sem face,
Diga-me
Para que o espelho?
Sem perspectivas,
O que vou almejar?

Meu Deus!
Em que ponto me perdi?
Quero, ah!
Quero me achar.

Sei que ainda é tempo.
Vou tratar de me buscar
Ser plena, inteira,
Para com todo o meu ser
Desejar, querer e amar.

Pára! Pára tudo!
Vou seguir sozinha
Por favor
Preciso ir só.

Tenho que
E quero me encontrar
Sei que a hora é agora
E que disto sou capaz.

Tudo é muito simples.
É desvendar o sentido
ou a falta de.
É me procurar
E me encontrar.

Já comecei o processo
Deixe-me agora
Estou indo atrás de mim
Quero e vou me achar...Escrito por Anitha em 27/02/2007

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Bendita Linhagem


A vida é uma caixa de surpresa, como em algum momento já nos disseram.
Não tem jeito, herdamos amores imensos; dores-mestres.
No seguir da vida, nesta alternância, se pudermos, descobrimos a essência.
A verdade é que este processo nem sempre é suave; mas é possível, necessário e pessoal.
Há que se ter prumo, afeto e corações disponíveis e constantes para não se perder no caminho. Facinho para quem sonha demais ou carrega sofrimento em suspenso.
Qualquer passo em falso, ou não, o bem ou mal se instala. Vez um; vez outro, sorriso e choro. É belo; entretanto sangra.
Todavia sei que todo esse emaranhado de emoções traz a contrapartida da criação. Que por si só vale toda essa herança, sabemos nós.
Assim, bendita linhagem que nos torna mais ricos, apesar de sofridos.
Hoje, minha amiga, são essas as palavras que nascem do meu coração para você. Elas são de amor! Escrito por Anitha em 09.02.09.

Desabafo de Um Medo Medonho


Peço-lhe permissão para partilhar com você o desabafo abaixo.
Ele eclodiu como se fosse uma erupção vulcânica saindo de dentro de mim às 5 e meia do dia 5 de fevereiro de 2009, quinta-feira, madrugada quente e sem chuva.
É algo íntimo, muito íntimo, o que vou lhe revelar.
Por que o faço? Talvez seja porque fui aconselhada a fazê-lo para auxiliar quem está passando pelo difícil tratamento de quimioterapia após cirurgia de câncer.
Ou, o mais provável, seja para desmistificar. Desmitificar sim, porque passo a impressão de ser forte, que dou muito bem conta de todas as situações e que também sou arrojada e corajosa.
É! Em circunstâncias corriqueiras essa premissa pode até ser verdadeira.
Entretanto, atualmente, devido a todo esse momento excepcional pelo qual estou passando, isso procede em parte.
O que é real é que nos dias seguintes às sessões de quimioterapia me sinto muito frágil. Debilitada tanto física, afetiva, como psicologicamente. E nesse estado tão suscetível é um pulo para o medo tomar conta de mim. Sem pedir licença, ele chega sem dó e nem piedade e se instala!
Por isto, nestas ocasiões em que me encontro tão fragilizada preciso de braços a me amparar, confortar, para que eu possa continuar a voar. Minhas asas não são suficientes. Confesso-lhe, nem para voos rasteiros.
Meu Deus! Como fico necessitada de afeto, de demonstrações de amizade e carinho, apesar de quase sempre não conseguir verbalizar essa carência.
Minha sorte é que nos outros dias, dito normais, graças ao Bom Pai, volto ao habitual e recupero as minhas características próprias e inatas. E aí sou deveras a Anitha corajosa, poderosa, alegre, otimista, confiante e alto astral.
Constato também por essa minha vivência particular como é interessante a alma humana. É mesmo um mistério decifrável na maioria das vezes através da expressão e da consciência. Ou de catarse. Como se deu  comigo.
Percebo que esse meu desnudar poderá atuar como um meio não intencional para me dar a conhecer. O reverso de mim mesma. Meu lado B, que sempre procuro preservar de uma forma tão cuidadosa.
Então, faço-lhe um pedido especial, acolha-me, busque o seu lado sensível e compreensivo para captar o que estou lhe declarando e o que está nas entrelinhas, pois, do contrário, me sentirei como se tivesse jogando pérolas ao vento.
Você deve saber que sentimentos dolorosos e expostos podem ser comparados à produção das pérolas naturais. Tanto um como o outro resultam de algo que machuca, fere no interior das ostras como de nós, seres humanos.
Do que se pode deduzir que sentimentos, sejam eles quais forem, assim como as pérolas verdadeiras, têm valor inestimável, porque são únicos, irreproduzíveis e absolutamente pessoais.
Sendo assim, quero crer que haverá de sua parte, de forma espontânea, acolhida e zelo. Coisas do coração!
Agora, daqui pra frente é com você. Leia com atenção  e sem crítica, se for possível!
Com carinho,
Beijo,
Anitha

Medo, medo, medo!!!
Esse é o meu mais novo inquilino.
Reconheço a minha impotência,
Para fazê-lo de mim desalojar.

Ele está me consumindo
Levando-me ao desespero
Meu sono tirando
Minha paz nem sei mais aonde está.

Ele está sempre presente
Sorrateiramente junto de mim
Mesmo quando faço
Que não o vejo.

Medo, medo, medo!!!
Tão atual e tão novo para mim.
Estou me sentindo incapaz
E refém de todo esse processo.

De fato, estou me sentindo
Muito carente
Nessas circunstâncias.
Pesa-me não ter condições de melhorar
Essa rotina cotidiana e entediante.

Falam que tenho muitos amigos.
Tenho sim, muitos.
Mas são bem poucos
aqueles que se manifestam
de forma solícita e expressa
para amenizar a minha solidão.

Há também àqueles que o fazem
como se cumprissem um ritual
fosse um dever a eles imposto.
Digo que não me importo
Mas isso não é verdade.

Alguns, de vez em quando, aparecem
mas como vem desaparecem.
E assim, como nada peço
Continuo refém
da minha sempre presente
E real  necessidade.

A verdade nua e crua
É que poucas são as pessoas disponíveis
que posso contar
para o que der e vier
no meu dia a dia de acamada.

Medo, medo, medo!!!
Que  sorrateiramente
Minhas forças está tirando
Que devido aos eventos do último ano
Já nem eram tanto assim.

Agora então me encontro
Completamente fragilizada.
Tenho me esforçado
Mas só eu sei
O que isso tem me custado.

Portanto, não me peçam coragem
Não me digam que sou valente
Que dou conta
Que é vontade de Deus
Ou que logo tudo isto passa.

Também não quero ler depoimentos
Não me contem casos conhecidos
Nem me falem de exemplos
E daqueles que estão muito bem.

Saibam, não estou dando conta
Respeitem os meus limites!
Esta experiência é minha
Deixem-me vivê-la como eu puder.

Apesar das boas intenções
Não queiram me distrair
Diminuir a importância
Do que está me acontecendo.

Por favor, estou com medo!
E ele está me corroendo.
Não falem que sou forte
Muito menos que darei conta.

Estou com medo, muito medo
Das dores, inclusive internas.
Da minha desestrutura
E dessa minha pouca resistência.

Medo das minhas urgências
Dos reais sintomas
Das restrições.
De precisar tanto
E ficar assim tão a mercê.

Medo. Ah! Que medo!
Eu não queria me sentir
Desse jeito
Mas é um fato.
Minha sensibilidade está tão à flor da pele
Que capto o não dito
E ando rejeitando o estéril carinho de plástico.

Medo da falta de solidariedade
Dos diletos amigos me faltarem
Do cansaço, também dos que me cercam,
Dos dias que passo muito só.

Medo dos meus pensamentos
Desordenados
Da insônia improdutiva
E da falta de motivação.

Medo de julgamentos
De crítica
De não ter apoio,
Aconchego, afeto e nem colo.

Medo de incomodar
De ser peso
Da não aceitação
Seja ela qual for.

Medo de não ser compreendida
De comparação
De ser inconveniente
De desapontar.

Medo do ridículo
De ficar chorosa
Da minha exaustão
Dos meus sentimentos contraditórios.

Medo das perdas
Do que não terá retorno.
Do meu rosto que não reconheço no espelho
Da minha estranheza, de ficar careca.

Medo de não ser desejada
Do silêncio das pessoas que eu prezo
De ser rejeitada
Das perdas que ainda virão.

Medo de tudo que me dava segurança
E hoje não tenho mais como suporte.
Medo da perda de sentido
De não ter capacidade para lidar
Com as coisas práticas e básicas da vida.

Medo da minha sensibilidade
De não agüentar a pressão
Da minha insegurança
De sentir depressão.

Medo do tédio
Da crise existencial
Da angústia
De estar chata, e devo estar!!!
Da minha falta de paciência
E falta de jeito.

Medo de perder a fé
De não dar conta
Medo da morte
Da doença reincidir.

Medo da agressividade do tratamento
De ser preciso repeti-lo
De fazer exames
E esperar que os  resultados deem positivo.
Medo do desconforto atual
Dos vários efeitos colaterais.

Medo do medo
Medo de como tudo irá acabar
Do hoje e do futuro
Medo que me péla
Ah! Como estou com medo!!!
Escrito por Anitha em 05/02/09.

Meu Caminho Eu MesmaTraço


Meu caminho eu traço
a cada manhã.

Não procure saber
para aonde vou,
nem eu mesma sei....

Meu destino me pertence,
de fato e de direito.

Se você quiser vir junto,
tudo bem,
me faça companhia.

Senão,
dê adeus
e não me impeça....Escrito por Anitha em 06/11/07.