Páginas

28 fevereiro 2009

Metamorfosear


Vou desobstruir
As vias do meu coração
O que ganho
Ficando desse jeito?
Contida, magoada?
Triste, zangada?

O outro não está nem aí
E eu aqui para explodir
O outro nem ligando
E eu remoendo
Guardando
Doendo.

Vou deixar, então
De dentro sair
Fluir
Extravasar
Cobras e lagartas
Metamorfosear.

Decido abrir assim
As portas do meu coração
Já sinto os primeiros raios
Do sol nascente
E as borboletas
Em torno de mim
Esvoaçando
Lindamente. Escrito por Anitha em 27.02.09

25 fevereiro 2009

Doçuras


Não sei
Ao certo
Se foi sonho
ou não
Mas me disseram
Que lá na frente
Depois do arco-íris
Tem um pote de mel
e de afetos.

Eu, como sou crédula,
Estou indo lá buscar.

Se você quiser
ir comigo,
Venha logo
É só me avisar.

Pode, inclusive,
Ter certeza sim
Que a sua companhia
Será um prazer pra mim!Escrito por Anitha em fevereiro de 2009.

19 fevereiro 2009

Venha!


Quero um amor inteiro
De falas e sussurros
De trocas profundas
Segredos e mistérios
Gozos e alegrias.

Quero um amor maior
De entrega e encontro
Pele e química
De infinitas descobertas
Encantos e magia.

Quero um amor de afinidades
De olhos nos olhos
Transparente e gentil
De espaços necessários
E vindas desejadas.

Quero um amor de surpresas
Que suscite fantasias
E vontade de estar juntos
Que torne a vida mais bonita
E viver mais interessante.

Quero um amor de verdade
Puro de intenção e do bem
Sem máscaras ou artifícios
Sem falsidade e malícia
Sem dores desnecessárias.

Quero um amor refinado
De presentes e presença
É imprescindível também
Lealdade e fidelidade
Cumplicidade e bom humor.

Quero um amor de olhares
Entendimento sem palavras
Delicadezas e carícias
Doçura e gentilezas
De cuidados constantes.

Quero um amor amigo
De confidências e risos
De generosidade e parceira
De histórias compartilhadas
E muito bem vividas.

Quero um amor saudável
Sem mágoas, ciúmes
E sem machucados.
De queridas lembranças
E memoráveis instantes.

Quero um amor intenso
De desejos e tesão
Com gosto de eternidade
De almas companheiras
E coração entregue.

Quero um amor belo e leve
De palavras verdadeiras
De mãos dadas
Beijos trocados
Aconchego e abraços ternos.

Quero um amor confiável
Que cause admiração
Que a tônica seja o respeito
E que leve a mútua evolução.

Quero um amor
Que amor seja
Do começo ao fim
Lindo e completo
Na minha medida
De receber e retribuir.

Quero este amor carinhoso
Com todo o meu ser.
E que ele venha logo
Para me preencher.

Já o esperei demais
Está na hora
De encontrá-lo
E ele ao meu encontro vir.

Temos muito a viver
Não me deixe esperar
Venha inteiro, pleno
Venha logo,
Venha para mim...Escrito por Anitha em 19 de fevereiro de 2009, às 17:29 h.

17 fevereiro 2009

Vou Me Achar!


Espera!
Deixe-me parar
Um instante, dia, ano
O quanto eu precisar.

Em algum lugar,
Eu me perdi,
Não sei onde
Quero me achar.

Venho me arrastando
Desencontrada de mim
Sem motivos claros
Vazia fui ficando.

E pelo caminho
Privei-me de partes relevantes
A rotina diária se encarregou
De que eu perdesse o restante.

Do que gosto?
Como e por que eu faço?
Com que vibro?
O que me faz feliz?

Quais são hoje
Os meus reais objetivos?
Para onde estou indo?
Quem sou eu?

Espera um instante...
Como continuar assim?
Sem consciência,
Que significado isto tudo tem?

Sem face,
Diga-me
Para que o espelho?
Sem perspectivas,
O que vou almejar?

Meu Deus!
Em que ponto me perdi?
Quero, ah!
Quero me achar.

Sei que ainda é tempo.
Vou tratar de me buscar
Ser plena, inteira,
Para com todo o meu ser
Desejar, querer e amar.

Pára! Pára tudo!
Vou seguir sozinha
Por favor
Preciso ir só.

Tenho que
E quero me encontrar
Sei que a hora é agora
E que disto sou capaz.

Tudo é muito simples.
É desvendar o sentido
ou a falta de.
É me procurar
E me encontrar.

Já comecei o processo
Deixe-me agora
Estou indo atrás de mim
Quero e vou me achar...Escrito por Anitha em 27/02/2007

13 fevereiro 2009

Bendita Linhagem


A vida é uma caixa de surpresa, como em algum momento já nos disseram.
Não tem jeito, herdamos amores imensos; dores-mestres.
No seguir da vida, nesta alternância, se pudermos, descobrimos a essência.
A verdade é que este processo nem sempre é suave; mas é possível, necessário e pessoal.
Há que se ter prumo, afeto e corações disponíveis e constantes para não se perder no caminho. Facinho para quem sonha demais ou carrega sofrimento em suspenso.
Qualquer passo em falso, ou não, o bem ou mal se instala. Vez um; vez outro, sorriso e choro. É belo; entretanto sangra.
Todavia sei que todo esse emaranhado de emoções traz a contrapartida da criação. Que por si só vale toda essa herança, sabemos nós.
Assim, bendita linhagem que nos torna mais ricos, apesar de sofridos.
Hoje, minha amiga, são essas as palavras que nascem do meu coração para você. Elas são de amor! Escrito por Anitha em 09.02.09.

Desabafo de Um Medo Medonho


Peço licença para dividir com você o desabafo abaixo.
Ele eclodiu como uma incontrolável erupção vulcânica às cinco e meia, do dia 5 de fevereiro de 2009. Uma madrugada de quinta-feira muito quente e abafada.
Por que o faço? Apesar dele ser tão íntimo, fui aconselhada a compartilhá-lo para  - quem sabe? - auxiliar quem estiver passando pelo difícil tratamento de quimioterapia. E, também, para poder desmistificar. Sim, desmitificar, porque passo a impressão de ser sempre forte, de dar conta de todas as situações e por ser considerada arrojada e corajosa.
É! Em circunstâncias normais até pode ser verdade. Entretanto, atualmente, devido a toda excepcionalidade, a qual envolve descoberta, diagnóstico, cirurgia e pós intervenção cirúrgica para a remoção de um câncer de mama invasivo, isso procede em parte.
Foram recomendados, para o meu caso, além das futuras diárias radioterapias, perfazendo um total de 36 sessões, também 16 de quimio a ser feitas, cada uma, num espaço de 21 em 21 dias.
O tratamento teve início em novembro e até aqui já fiz 3 quimioterapias. E, em todas elas, me senti debilitada tanto física como afetiva e psicologicamente. Não sei, se tudo agravou por eu morar só. Só sei com certeza que, nesse estado tão suscetível, o medo, sem avisar, foi se imiscuindo traiçoeiro e impiedosamente!
Confesso que em todas essas ocasiões quis muito ser amparada e confortada para continuar a voar. Minhas asas estavam sem força até para voos rasteiros. Mas nem sempre foi possível, por um motivo ou outro.
Meu Deus! Que necessidade de afeto, de demonstrações claras de validação,  amizade e carinho, apesar de dificilmente manifestar de forma verbal essa carência.
Minha sorte é que lá pelo décimo dia, graças ao Bom Pai, me sinto bem novamente e recupero as minhas características inatas. E sou deveras a Anitha destemida, alegre, otimista, confiante, cheia de energia e alto astral de sempre.
Por essa minha vivência particular, constato como é interessante a alma humana. É mesmo um mistério decifrável, digamos assim,  na maioria das vezes, através da expressão e da consciência, para os atentos de plantão. Ou por intermédio de catarse. Como se deu  agora, aqui comigo.
Talvez, esse meu desnudar poderá até pôr em evidência o meu lado B, este que sempre procuro preservar de uma forma muito cuidadosa.É um risco que corro.
Então, faço-lhe um pedido especial. Acolha-me, por favor, buscando ai dentro de si o seu lado mais sensível e compreensivo para captar o que estou lhe declarando e, sobretudo, o que contém nas entrelinhas. Se não for pedir muito, sem crítica, por gentileza!
Quero crer que haverá de sua parte boa acolhida e zelo. Tomara!
Então, daqui pra frente é com você.
Beijo,
Anitha

Medo, medo, medo!!!
Este é o meu mais novo inquilino
Reconheço a minha impotência
Para fazê-lo, de mim, desalojar.

Ele está me consumindo
Levando-me ao desespero
Meu sono tirando
Minha paz nem sei mais aonde está.

Ele está sempre presente
Sorrateiramente junto de mim
Mesmo quando faço
Que não o quero ou não o vejo

Medo, medo, medo!!!
Tão atual e tão novo para mim.
Tenho me sentido incapaz.
E refém de todo esse processo.

De fato, estou me sentindo
Incompetente e inábil

Pesa-me não estar apta a melhorar
Essa rotina nauseante.


Tenho muitos amigos.
Mas bem poucos são
Os que se dispõem
De forma genuína e solícita
A amenizar esse meu vazio.

Há àqueles que se apresentam
como se cumprissem um ritual,
Um dever autoimposto.
Digo que não me importo
Mas isso não é verdade.

Alguns aparecem
Mas, assim como vem, desaparecem.
E como nada peço
Continuo solitária.

A verdade nua e crua
É que poucos são os disponíveis,
Com os quais de fato posso contar
Para o que der e vier.


Medo, medo, medo!!!
Que  sorrateiramente
Tem debilitado as minhas forças
Que já nem estavam no seu apogeu.

Agora então me encontro
Completamente fragmentada.
Tenho me esforçado
Mas só eu sei, de fato,
O que isso tem me custado.

Portanto, não me peçam coragem
Não me digam que sou valente
Que sairei dessa melhor
Que é vontade de Deus
Ou que logo tudo isso passa.

Também não quero ler depoimentos
Nem saber de vivências de conhecidos
Nem me falem de exemplos
E nem citem os vencedores.

Por favor, escutem
Estou com medo!!!
E ele está me corroendo.

Não falem que sou uma mulher forte
Muito menos sugiram ou exijam
O que não me é possível
Parem com isso
Aceitem esse meu desânimo.

Afinal, não estou dando conta!
Respeitem os meus limites

Esta experiência é minha
Deixem-me vivê-la como eu puder.

Apesar das boas intenções
Não queiram me distrair
Diminuir a importância
Do que está me acontecendo.


Estou com medo, muito medo!!!
Das dores, inclusive, as internas.
Da minha desestrutura
E dessa minha tão pouca resistência.

Medo das minhas urgências
Dos reais sintomas
Das restrições.
De precisar tanto
E ficar assim tão a mercê.

Medo. Ah! Que medo!!!
Eu não queria me sentir
Dessa maneira
Minha sensibilidade tão à flor da pele
Captando o não dito
E rejeitando o estéril carinho de plástico.

Medo da falta de solidariedade

Do meu cansaço
E também dos que me cercam,
Dos dias que passo muito mal.

Medo dos meus pensamentos
Sombrios e desordenados
Da insônia improdutiva
E da falta de motivação.

Medo de julgamento
Da acidez da crítica
De não obter apoio,
Aconchego e nem colo.

Medo de incomodar
De pesar, de refutar
Da não aceitação
Seja ela qual for.

Medo da intolerância
De não ser entendida
Da funesta comparação
De ser inconveniente
De desapontar.

Medo do ridículo, da feiura
De ficar lamentosa e chorosa
Da minha exaustão
Dos meus sentimentos
Alterados e contraditórios.

Medo das perdas que ainda virão
Do que jamais terá retorno.
Do meu rosto entristecido
Que não reconheço mais no espelho
De minha estranheza, da minha careca.

Medo de não ser mais desejada
Do silêncio das pessoas que eu prezo

De me faltar segurança
E de ser rejeitada.

Medo da perda de sentido
De não ter capacidade para lidar
Com as ocorrências do dia a dia
Com as coisas práticas e básicas da vida.


Medo da agressividade do tratamento
De ser preciso repeti-lo
De fazer exames com o coração nas mãos
E esperar, ansiosa, que os  resultados deem positivo.
Medo do real desconforto
E dos vários efeitos colaterais.

Medo da minha sensibilidade
De não aguentar a pressão
Da minha insegurança
De cair numa terrível depressão.

Medo do tédio e da angústia
Da crise existencial

De estar chata - e devo estar!!!
Da minha falta de paciência
De tato e jeito.

Medo de perder a fé
De sucumbir
Da doença reincidir
E, por isso, dela morrer.

Medo, até mesmo do medo!!!
Medo de como tudo irá acabar
Do hoje e do futuro
Medo que me péla
Ah! Como estou com medo!!!
Escrito por Anitha em 05/02/09.

Meu Caminho Eu MesmaTraço


Meu caminho eu traço
a cada manhã.

Não procure saber
para aonde vou,
nem eu mesma sei....

Meu destino me pertence,
de fato e de direito.

Se você quiser vir junto,
tudo bem,
me faça companhia.

Senão,
dê adeus
e não me impeça....
Escrito por Anitha em 06/11/2007.