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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Minha Menina


Minha menina se ausentou
Ela me faz tanta falta
Que no meu coração
Estou sentindo
Como se tivesse um buraco.

Para aonde terá ido?
Não faço nenhuma idéia
Será que foi se aconchegar nos trópicos
Para calor poder sentir?
Ou foi para o sul
Para com agasalhos se aquecer?

Cadê, cadê minha menina?
Sem ela não consigo viver
Ela é a minha melhor parte
Sem ela como sonhar
Brincar, sorrir, criar,
Acreditar e amar?

Cadê minha menina?
Por favor, me avise
Se por acaso você a encontrar
E diga-lhe
Que ela me é muito cara
Dê-lhe a mão de forma terna
E a traga de volta para mim. Escrito por Anitha em 20/02/2008

domingo, 19 de abril de 2009

Esperança...


Olá!
Qualquer hora nos encontraremos novamente.
Eu bem sei.
Antes, cuidaremos dos fios soltos.
Alinharemos os afetos.
Redimensionaremos as distâncias.
Chegaremos a um denominador comum
O da vontade de expandirmos o amor.
Se for necessário
Daremos um tempo
Para arejar os espaços
E para as saudades serem tantas
Que teremos vontade de dar cabo delas...
Escrito por Anitha em 19.04.09

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Vivências da Quimioterapia


Meu Deus! É muito boa a sensação de estar quase terminando o tratamento da quimioterapia!
Das quatorze sessões prescritas, hoje é a décima primeira. Bem dizem, nada como um dia atrás do outro!
Saio desse devaneio, pois sou chamada para a consulta semanal com o meu médico Dr. Alexandre de Castro.
Não é à toa que ele é o meu preferido. Ele é cuidadoso, paciente, gentil. Um amor! Além de ser simpático, o danado é bonito, o que nessa altura do campeonato é um plus que não se pode desprezar. O seu único demérito é ter a idade próxima do meu primogênito. Nem tudo é perfeito, não é mesmo?
Depois de fazer o exame meticuloso, e também de averiguar que os meus exames de sangue semanais e obrigatórios estão a contento, ele me diz que a sala de aplicações está cheia de pacientes da véspera, devido a um problema que houve de falta d’ água na clínica.
– “Que tal deixar para amanhã? Hoje está muito cheio e vai demorar muito até desocupar um lugar para você poder fazer a sua quimio?”
Quase pulo da cadeira:
-“Jeito nenhum. Nem pensar. Amanhã ela tem outros compromissos e não poderá vir comigo, e, como ela tem feito questão de me acompanhar e não me deixa de forma nenhuma até parecendo ser minha irmã siamesa, sem condições.”
Peço-lhe que dê um jeitinho... Não acabei de dizer que ele é especial? Ele dá. Bom, já que não tem solução, solucionado está, como dizia o meu paizinho sempre saudoso e querido.
Descemos para o segundo andar. O das aplicações. Realmente, há que se ter paciência. Tudo lotado!
Ufa! Depois de um tempo considerável, surge uma acomodação. Uma poltrona que fica em uma área coletiva.
Vendo o lado bom das coisas, será uma oportunidade que terei para saber como é a experiência de tomar os medicamentos em grupo, visto que tive o privilégio de ficar somente em área exclusiva.
Até aqui ficava deitada bela e comodamente em cama individual, num compartimento separado dos demais por uma parede divisória, o que me possibilitava desfrutar de uma privacidade muito conveniente.
E ali, nesse espaço, só me faziam companhia as pessoas que por ventura eram as minhas acompanhantes do dia, ou seja, algumas poucas amigas diletas.
A Lourdes, que de brincadeira diz ser a minha irmã preta, foi a que mais esteve comigo nesses tempos iniciais de incertezas e de muitos questionamentos. Ela se desdobrou ao máximo para tornar esse processo o menos traumático e o mais suportável, ficando sempre ao meu lado, a todo tempo solidária e presente com o seu carinho e desvelo. A ela serei grata para sempre!
Atualmente, minha “anja”, Mariléa, irmã de sangue e de coração, desde que retornou da Irlanda, é quem me leva a Oncomed. De qualquer forma, de lá da Europa, através inclusive da web cam, ela nunca deixou de estar junto a mim, me dando força, apesar da distância. E agora, de volta a BH, ela não abre mão desta incumbência de jeito nenhum. Ah! Durante as aplicações ela fica a postos ao meu lado como uma verdadeira escudeira! Carinhosa e fiel, fica me acarinhando, me paparicando, me pondo para cima.
Pois é, mesmo que eu tenha mil vidas não serão suficientes para eu agradecer toda essa dedicação, desprendimento, boa vontade, presença e amor constantes! Sem sombra de dúvida, são pessoas imprescindíveis como elas que dão sentido à minha vida e me ancoram no mundo, e que tornam essa caminhada um pouco mais fácil.
Ah! Voltando à vaca fria e ao tratamento...
Sento na única poltrona livre. Por sinal acho bem desconfortável, tanto que me lembro imediatamente do meu sofá da sala de televisão. Coitado! Bem que tentei, mas ele não prima pela comodidade. Isso é o resultado de eu ter priorizado, no ato da compra, o sofá-cama em detrimento do conforto. Me estrepei!
Da parte deles, vá lá saber os motivos que tiveram para fazer essa má escolha...
Aguardo as picadas da agulha na mão direita. A esquerda não poderá nunca mais, por causa da cirurgia na axila.
Suo frio. Não, não tire conclusão apressada. Não seria justo. Não é falta de habilidade dos enfermeiros. Ao contrário. Eles são ótimos! Profissionais de primeira! A culpa mesmo é das minhas veias, que estão rijas e muito doidas. Resolveram fazer greve. Aliás, não lhes tiro a razão. Têm sofrido pra burro nessa travessia, as coitadinhas!
Definitivamente, não gostei da experiência da poltrona! Também pudera!
Do meu lado direito sentou uma paciente que me relata que teve câncer de seio em 2002 (setorectomia, do mesmo tipo do meu, até o esvaziamento axilar foi igual). Diz que fez todo o tratamento e seguiu todas as recomendações, e que agora em 2009, para o seu horror (e meu também), foi descoberto que ela está com metástase no fígado.
Do lado esquerdo, uma jovem senhora, que também tinha tido câncer no seio quatro anos atrás, fez todo o tratamento, inclusive a cirurgia de remoção do seio, e, recentemente, teve o diagnóstico que está com metástase no fêmur esquerdo. E à minha frente um senhor que teve no intestino, e que, infelizmente, a doença reincidiu e ele está com vários tumores no abdômen.
Dei sorte, fala a verdade? Só gente com metástase? Reconfortante e animador, não??? Tenho razão de não ficar fã, não é? Você ficaria???
Semana que vem, dia 22, nem morta sento em uma daquelas poltronas.
Eu, hein, Rosa??? Nem pensar!!! Nem amarrada!!! Com o perdão da má palavra, nem f......!!!
Escrito por Anitha em 15 de abril de 2009.