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sábado, 30 de janeiro de 2010

As escolhas da vida


Meu caro amigo,

Acredito piamente que a vida nos impõe escolhas, para que possamos exercitar a nossa capacidade de sermos felizes e de bem aproveitarmos o tempo que temos por aqui, já que tudo é tão passageiro. E ele, o tempo, por mais que queiramos, não nos espera na esquina para que decidamos nos colocar na agenda.
Difícil fazer opções? Demais! Sobretudo quando outras pessoas dependem de nós. Mas por outro lado, quem irá viver as nossas angústias, frustrações, enfados, alegrias, realizações internas ou seja o que for?
Além do que ninguém nos devolverá os bons momentos que perdemos estando envolvidos em atividades que não têm mais significado para nós. E lhe pergunto: o que vale a vida se não houver sentido em nossas ações?
De verdade, compreendo você!
Fiz muitas e importantes escolhas na minha vida e delas não me arrependo. Ao contrário. A cada vez que buscava dentro a coragem necessária para efetivar as mudanças internas ou mesmo externas, e vitoriosa me permitia seguir em frente com a cabeça em pé, fui me tornando melhor em todos os sentidos, inclusive para todos à minha volta. Por quê? Porque respeitei as decisões do meu coração.
Atualmente, assim como há anos, todas às vezes que preciso tomar decisões de peso e que têm potencial de trazer modificações relevantes para a minha vida, eu me lembro do ensinamento transmitido pelo feiticeiro Dom Juan para Carlos Castaneda, aprendiz dos conhecimentos indígenas e autor do livro "A Erva do Diabo":

"...Tudo é um entre um milhão de caminhos (un camino entre cantidades de caminos). Portanto, você deve sempre ter em mente que um caminho não é mais do que um caminho: se achar que não deve segui-lo, não deve permanecer nele, sob nenhuma circunstância. Para ter uma clareza dessas, é preciso levar uma vida disciplinada. Só então você saberá que qualquer caminho não passa de um caminho, e não há afronta, para você nem para os outros, em largá-lo, se é isso o que seu coração lhe manda fazer. Mas sua decisão de continuar no caminho ou largá-lo deve ser isenta de medo e de ambição. Eu lhe aviso. Olhe bem para cada caminho, e com propósito. Experimente-o tantas vezes quanto achar necessário. Depois, pergunte-se, e só a si, uma coisa...: esse caminho tem coração? ...Se tiver, o caminho é bom; se não tiver, não presta. Ambos os caminhos o conduzirão ao mesmo lugar; mas um tem coração e o outro não. Um torna a viagem alegre; enquanto você o seguir, será um com ele. O outro o fará maldizer sua vida. Um o torna forte; o outro o enfraquece."

Que assim seja! Que seu coração seja o seu guia!
Sempre com bem querer e com amizade,
Envio-lhe um afetuoso abraço,
Escrito por Anitha em 30 de janeiro de 2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Prazeres...


Que tal?...Noite estrelada...Barulho de grilo na roça...Céu azulzinho...Fazer o bem...Filhos criados...Ver a família crescer...Agregados...Brindar:Tim-tim...Comida bem temperada...Exposições...Fazer trabalho voluntário...Escolher a profissão do coração...Criança e velho...Vento fresco batendo no rosto...Jantar á luz de vela...Incenso...Parque de diversão...Disputar jogo três/um...Brincar sem pudor...Ser reconhecida...Prática de doar sangue...O meu time ganhar...Transformar o meu amado em Rei...Copo de água, quando com muita sede...Tomar chuva...Pular corda...Jogar pingue-pongue...Chocolate...Chocolate quente...Prosear na cozinha...Dar e ganhar presente...Água de coco...Carnaval...Tirar a "máscara" no resto do ano... Dormir de conchinha...Mãos dadas...Festa...Receber agrado...Amor perfeito...Queijo frescal e todos os outros...Borboleta...Fazer aniversário... Comemorar...Entender dos números...Fazer cursos...Terapia de Florais...Escutar problemas...Poder ajudar...Estourar champanhe...Balões coloridos...Plantar...Semear a paz...Tulipas e rosas...Pedir perdão...Desculpar...Ter vasos em casa....Ser anfitriã...Esperar visita e ela chegar...Jogar conversa fora...Andar a cavalo...Roupa de cama limpa e cheirosa...Perfume agradável...Gente....Mesa farta...Palavras de carinho...Solidão necessária...Encontro aguardado...Estar centrada e alegre por estar viva...Sorrir...Declaração de amor... Lembranças boas de infância....Beijo molhado...Comida e afago de mãe...Conselho e carícia de pai...Surpresa....Um abraço esperado...E também o inesperado...Ter irmãos...Receber telefonema da pessoa amada...Chamego de vó e tias...Mensagens carinhosas no celular...Bolo de laranja...Contato com pessoas acolhedoras...Aumentar o círculo de amizade...Não ter hora para acordar...Andar descalça na grama... Procurar conchinhas...Andar sem pressa pela praia....Comer fruta no pé...Jogar buraco, pif-paf e duvido...Sorvete num dia de verão...Cafuné...Chá quentinho numa noite de inverno...Cheiro de terra molhada de chuva...Segredo compartilhado...Falar besteira...Poder gastar em bobagem...Ter como pagar as contas e sobrar...Barzinho...Petisco...Comer em bom restaurante...Dar risada...Ler prosa...Escrever o que dá na telha...Fazer poesia...Ser a amiga predileta...Ter muitos amigos especiais...Ser querida simplesmente...Passear...Querer bem a todos... Roda de samba...Sambar...Música de boa qualidade...Fazer caminhada... Cachoeira...Subir em árvore...Aprender...Desaprender...Matar curiosidade... Contadores de causos... Cochilo na rede... Gargalhar... Cantar no chuveiro...Dançar solto ou junto, tanto faz...Estender a mão...Receber um abraço...As inúmeras possibilidades de escolha...Optar... Amizade sincera...Cerveja gelada...Acordar em paz...Dormir tranquila...A beleza da primavera...O encantamento do outono...Namorar...Dirigir carro...Doar...Saber acolher...Afeto e carinho...Elogio merecido...Vinho tinto...E também o branco...Ter e matar saudades.... Um livro interessante... Silêncio... Olhar de ternura...Pé-de-moleque...Goiabada com queijo...Pão quentinho...Broa de fubá...Canto de passarinho...Liberdade...Chegar de viagem...Rezar...Amanhecer...Ter fé...Bichinho de estimação...Pôr-do-sol...Amanhecer na serra...Flores em botão...Meditar...Sombra de árvore...Linha do horizonte...Conversar com pessoa inteligente e que tem senso de humor...Piada engraçada....Estar no meio de gente feliz...Gostar de se olhar no espelho...Café passado na hora....Banho quentinho e demorado...Massagem...Rir sem motivo...Cafuné... Ronronar de um gatinho... Lágrimas sentidas... Ombro amigo... Agradecer gentileza...Trocas de afeto...Sintonia e afinidades...Abrir e-mail afetuoso...Reunião de família...Perceber o significado das pessoas, das coisas e das circunstâncias ainda a tempo...Celebrar o presente....Reverenciar o passado...Fazer planos para o futuro...Entre dois caminhos, ouvir o coração...Rever pessoas caras...Colo...Acolhida nos momentos de carência...Ter com quem desabafar...Fazer confidencias...Pudim com delícia...Nadar no calor... Dedos entrelaçados... Olhos que falam e se entendem... Cheiro da nossa casa...Cumplicidade....Farra de travesseiros...Ganhar sobrinhos... Ter amigos verdadeiros...Viajar...Viajar sem rota pré-determinada....Tirar fotos...Porta-retrato com quem amamos...Conhecer novos países...Povos...Culturas...Peça interessante de teatro...Assistir filme de comédia...Romance...Ter certeza que vale a pena viver...Cura da dor e da enfermidade...Amar com tesão e ser correspondida...Orgasmo...e tantas coisas mais...
É! São infindáveis os pequenos e maravilhosos prazeres da vida!
Que você tenha muitos deles e seja feliz!!!
Escrito por Anitha em 13.01.10

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Homenagem a D. Raulina


D. Raulina era uma mulher como poucas. Ímpar mesmo e quem a conheceu sabe disso; quem não teve a oportunidade de conviver com ela, que pena!
Essa senhora tinha 80 anos passados e bem vividos quando ficou encantada para sempre. Entretanto, cotidianamente, era uma menina cheia de vida, que nunca deixou de nos cativar e surpreender. Aliás, enlevo e pasmo pela vida eram as suas marcas registradas.
Tinha paixão por viver. Sim! Ela era ávida pela vida. Tentava absorvê-la por todos os poros. Era muito intensa. Suas tristezas, como suas alegrias, eram desmedidas. Não sabia impor o não de forma tranqüila. Isso lhe causava um grande sofrimento. Tanto que essa dificuldade, não poucas vezes, lhe acarretava fortes crises alérgicas. Mas sabia sair das situações. Tinha um jogo de cintura tamanho que até quando estava brigando a pessoa ficava em dúvida se era isso mesmo que ocorria. Escorria mel em seus lábios.
Era naturalmente apaixonada pelas pessoas. E não fazia distinção. A todos tratava com desvelo, outra característica forte sua. Muito carinhosa e amorosa, era puro coração.
Tinha olhos benéficos e um olhar infantil. E também possuía um quê de ingenuidade. Era sagaz. Brejeira demais. Enxergava além das intenções, apesar de se fazer de boba muitas vezes.
Ela tinha o riso fácil e a malícia como defesa. Um coração festivo, por natureza. E bondoso, por opção. Ela se exercitava nesse mister.
Sempre que via alguém pela primeira vez era certo que ela descobriria algum traço de beleza nessa pessoa, ou, dependendo, muitos, mesmo que o senso comum não destacasse nada. Ela era especialista nisso. Fazia questão absoluta de acentuar as eventuais características estéticas e de caráter das pessoas. Agora, se a pessoa fosse efetivamente bem dotada pela natureza, aí então essa pessoa era lembrada a todo momento com a maior admiração.
Era absurdamente romântica. Tinha uma visão cor de rosa do amor. Para ela a relação entre duas pessoas que se amavam era sagrada. Não por causa das convenções mas pelos elos que ligavam um ao outro. E quando um relacionamento chegava ao término, e, por acaso o fim tivesse sido proposto de forma unilateral, ela sofria terrivelmente por quem tinha sido deixado. Qualquer relação ela tratava como se fosse uma novela. Da mesma forma ela vivia as cenas de novela ou de filme como se fossem reais. Àquelas então mais carregadas de emoção ela passava dias processando-as. E as revivendo. Sofrendo, se esse fosse o mote. E rindo, até sozinha, se isso fizesse parte do roteiro. Como também relembrava quase diariamente o seu marido muito amado e querido, e chorava a sua perda como se ele tivesse morrido na véspera e não há mais de 36 anos.
Era simples. Não tinha estudo formal, mas era inteligente, a dona. De uma sabedoria que intrigava. Era PHD em conhecimentos da vida. Também em superações e dar a volta por cima.
A inquietude e a curiosidade faziam parte de sua personalidade. Era realmente uma mulher muito interessante!!!
Sua casa era o seu palácio e reduto. Um lugar caloroso e sempre de portas abertas. Ela era muito querida e tinha muitos amigos. Verdadeiros. Que a amavam de coração. Nunca foi amarga, nem mesmo não tendo a vida fácil. Essa realidade não teve mudança nem depois de casada. Recrudesceu, na verdade, quando ficou viúva. Nessa ocasião, ao contrário, restou-lhe como única herança ter sob sua responsabilidade seis filhos menores de idade. E continuou o seu trajeto, criando-os e os educando sozinha. Talvez, e até em decorrência disso, tinha um orgulho danado de tudo que conseguiu com muito esforço ter na vida. Inclusive a educação dada aos seus seis filhos com muita dificuldade, luta, retidão e exemplo. Mas ela foi recompensada. Teve a felicidade de ver todos se transformarem em adultos e pessoas do bem. E para os quais ela abundava afeto, carícias e cuidados.
Vaidosa ao extremo, tinha um cuidado exagerado com os seus cabelos, tanto assim que, até nas suas horas finais, preocupou-se com eles e exigiu que os pintassem. Não sem razão: queria fazer boa figura e estar bonita quando se encontrasse com o seu inesquecível companheiro no céu.
Era comovente como gostava de cafuné, doce de leite e de passear. Esse último era tão acentuado que ela, se por ventura fosse convidada e tivesse fazendo comida, não importava em que ponto estivesse o cozimento, desligava o fogão e ia para o carro dar uma voltinha. Perto ou longe isso não tinha relevância nenhuma. O importante era alimentar os seus sentidos.
Com ela aprendi, entre inúmeras outras coisas, a receber e agradecer de forma diferente quando ganhava algum presente. (Nesse particular, ela parecia criança. Adorava-os!!!) E ao invés do meu usual e sem graça: “- Ah! Não precisava se preocupar.”, ela me ensinou esta outra forma marota e gentil:
“-Obrigada! Adorei! Vou rezar para Deus lhe dar mais para você poder me presentear mais.” Até hoje passo para frente esse ensinamento em sua homenagem, pois o considero muito peculiar e sincero.
É um fato, ela sabia transformar como ninguém um limão em uma limonada. Suíça! Tinha um senso de humor apurado e a sua companhia era agradabilíssima. Quantas vezes, assistindo televisão, ela soltava uma de suas tiradas engraçadas. Ao ver alguém com jeito enjoado, por exemplo, ela dizia:
“- Meu Deus! Essa mulher tem a cara de doce de leite talhado.” Ou algo mais ou menos nesse teor.
Pois é, Minha Amiga, eu sinto saudades! Muitas! E jamais a esquecerei, pois com a senhora aprendi muitas, muitas coisas, mas o principal foi o conjugar o verbo amar. Sem condições!
Minha querida, vejo-a quase diariamente nos rostos de pessoas pela rua, seja pela cor da pele, pelo penteado, roupa ou por qualquer detalhe que me faça relembrá-la com doido carinho. Mas quer saber a verdade? A senhora nunca nos deixou e nunca nos deixará, pois está em nossos corações para sempre! Sempre, sempre!
Escrito por Anitha em 11.01.10 em homenagem a 1 ano de seu falecimento