Dias
desses dei pra pensar o que gostaria que fosse escrito na minha lápide, quando
chegar a hora do meu adeus definitivo.
Isso se eu for enterrada da forma tradicional e o rito funerário for
seguido à risca.
Terão, aí, claro, que se preocupar com caixão, velas, músicas
próprias para velório - nada solene, ao contrário, quero músicas
lindas e suaves - e flores - aliás, muitas flores e música,
porque adoooooooooro! - e tudo o mais que poderá tornar inolvidável os meus
derradeiros instantes aqui na Terra.
Inesquecível não pra mim, lógico! Para todos
aqueles que permanecerão firmes por estas paragens de Deus após a minha
partida.
A história será bem outra se eu optar por ser cremada.
Porque aí o processo em si e as providências precisarão ser direcionadas para
obter uma finalização mais rápida.
Nesse caso, posso adiantar hoje qual destino eu quero que eles deem para as minhas
cinzas mortuárias.
Serão jogadas ao vento, ao mar, servirão de adubo para novas
flores ou árvores, guardarão em uma caixa preciosa para todo o sempre ou serão
espalhadas aleatoriamente de cima de uma montanha?
Ah, me deixaria muito contente se elas fossem espalhadas no Bairro Residencial Santa Rita, especificamente ao pé das árvores que enfeitam a Praça que recebeu o nome do meu pai, meu eterno e saudoso amor! Seria uma forma simbólica de ficar perto dele pra sempre, já que ele nunca saiu de dentro de mim!
Seja como for, entretanto, quero voltar ao
devaneio que deu origem a este texto...
Quero crer que algumas pessoas muito afetivas farão questão de me fazer esta
homenagem póstuma.
E todas elas, creio eu, se lembrarão da minha sensibilidade - muitas vezes exacerbada- como o que mais se destacou em mim durante a minha estada por aqui.
É um fato! Ela, no decorrer de minha vida e ainda nos dias de hoje, me traz muitas alegrias e ao mesmo tempo me causa muitos
dissabores...
Levando em conta o lado mais ensolarado, os que me conhecem sabem que capto e
percebo sem querer ou sem esforço: sinais, leituras gestuais, faciais e
corporais imperceptíveis a pessoas desatentas. Consigo decifrar
mensagens transmitidas sutilmente e reconhecer vibrações diferentes. Dizem que
tenho olhar de raio X que facilmente detecta o que está lá dentro guardado de
forma insuspeita. Intuições e deduções que me aproximam demais do indizível, do
imaterial. Um conhecimento dos mistérios e segredos da natureza humana que não
foi aprendido nos bancos escolares.
Em oposição a esse meu talento nato, muitos melindres, afastamentos e rompimentos. Quantos se sentem indignados ao ver que uma palavra mal colocada me fere
profundamente, coisa que, para muitos menos emotivos do que eu, não teria o
menor problema.
E, nessas ocasiões, quando me sinto machucada, a consequência
imediata ou é o choro extravasado ou a frieza da indiferença. Muitas vezes quando
a rispidez é intencional e sem razão, tenho até vontade de sumir, evaporar,
tamanha a minha dor!
Ou ainda o meu faro aguçado para descobrir coisas encobertas, falsas ou que não
prestam. Hora há que a minha antena psíquica, sem alarde ou aviso, pesca que o
interlocutor na minha frente não é confiável ou que mente usando o melhor dos
seus sorrisos. Se isso se dá com pessoa do meu círculo de amizade é
insuportavelmente dilacerante!
Apesar de tudo, entretanto, tenho que admitir que o saldo é positivo, pois
de uma forma ou de outra sempre há muito aprendizado!
Também, é certo, não poderia ser diferente tendo eu os números 6, 7, 11 no meu Mapa Numerológico e no Astral o Sol e Mercúrio em Escorpião
e Ascendente em Peixes.
Mapas com essas disposições nos revelam sentimentos à flor da pele, percepções
extrassensoriais e a capacidade inegável para ver além das
aparências, do que é falado e transmitido de maneira consciente.
Por tudo isso, queridas pessoas que cuidarão do
meu sepultamento (evento esse que desejo que só se torne
realidade daqui a uns bons anos), fiz questão de lhes ajudar,
e, inclusive, lhes esclarecer que cheguei à conclusão que não poderá ser outro
o escrito no meu túmulo a não ser este que lhes apresento agora:
"Aqui jaz a sensibilidade em pessoa!"
Escrito por Anitha em 22 de agosto de 2013