Ah, quero esquecer fórmulas e regras. Besteira. Padronagem é dispêndio de energia. Deixe-me ser original. Me fazer. Leve, pioneira, fluída, sensível. Quebrar a banca, a cara, pagar o preço. Negociar o melhor lado. Ideal, o mais iluminado. Brincar seriamente nesse tempo/espaço de criatura e criadora. Enveredar pelos sentidos, pelas descobertas, quiçá sintonia. Cultuar a liberdade, as tentativas, o desbravar. Enxergar além. No espelho, no tempo, na escrita, na terapia. Moldar-me ao momento, na noite, na pressão, no calor do afeto. Dobrar a aposta, os joelhos, a esquina. Surpreender-me. Anárquica, rebelde, sem causa. Olhar pra trás. Impulsionar pra frente, para o voo, para o horizonte. Posicionar-me. Abrir meu coração. Inclusive, avalizar com beijos e abraços. Ternos, inesperados, sensuais. Poetizar-me. Perfumar-me. Erotizar-me. Tirar a máscara, a soberba, a fantasia. Não me poupar. Me jogar. Nas mudanças, nos recomeços, no despir, nas nuances. Com vontade, sem melindres. Burilar. Corpo, instinto, membros, cabeça. Revelar-me. Faceira. Foguear-me em gozo, vinho, ao sol. Inventar histórias, circunstâncias, segredos, laços. Descortinar um jeito, o meu tom, o meu norte. Driblar a sorte, os chatos de galocha. Me peitar. Peito aberto, sem pudor, seguir adiante, para o amanhã, o depois. Encarar fundo, a questão, o desejo, o outro. Perder o tesão com dedo duro, membro mole, duas caras, fura olho. Adentrar matas, profundezas, porões, o sagrado. Emergir inteira. Refeita. Encher-me de orgulho. Antever pedacinhos dos que por mim
passaram. Raros e benquistos, alguns ficaram. Dentro e para sempre. A esses, infinitamente, grata. Num processo contínuo, lapidar o interior. Fora, amadurecer. Bela. Absoluta. Abundante. Na solitude, reverenciar o Todo e comemorar quem sou. Mais alguém junto, só se somar e valer a pena!
Escrito por Anitha em 27 de agosto de 2019

