A
vida, tão breve e misteriosa como um grande e intrigante mosaico,
vai se compondo aos poucos.
E
a nós, simples viventes e - quiçá - donos de nossas escolhas, cabe-nos a
difícil, bela e intransferível tarefa de levar a termo o desenho por nós querido e/ou imaginado
ou ainda pelo destino sugerido, para que o resultado, ao final, nos agrade
pela harmonia, importância ou grandeza.
Assim,
de forma ininterruptamente, num processo dinâmico, sem roteiro e nenhuma
garantia, vamos seguindo em frente, optando daqui e dali. Perdendo em alguns
momentos; ganhando em outros. Deixando correr solto ou com a nossa
interferência. Sós ou acompanhados. Desconfiados ou esperançosos. Apaixonados
ou desiludidos. Plenos; incompletos ou vazios. Com profundidade do nosso ser ou ficando à
margem. Vivenciando ricas experiências ou as reduzindo à meras atitudes sem significado. Angariando afetos e
sentidos ou nos perdendo em mentiras e vilanias. Expressando as emoções
genuínas ou as camuflando, cheio de artimanhas ou vergonha. Espalhando e atraindo amor e ternura ou repelindo os
gestos de aproximação. Correndo por fora ou focando o cerne da questão. Dando
crédito à intuição ou emudecendo a voz interior. Pecando ou aproveitando para
nos elevar. Apreciando ou maldizendo a caminhada. Pingando mel ou destilando
fel. Aplaudindo ou molestando. Optando pelo caminho do meio ou, ao contrário,
pelos extremos. Abrindo ou fechando portas. Com entusiasmo ou com falta de fé e à deriva. Sem adeuses ou com despedidas em série. Nos entregando à
fluidez da natureza ou nos negando a participar como agentes responsáveis das mudanças. Fugindo ao invés de
lutar. Sonâmbulos, indecisos ou despertos e atuantes. Com escassez ou abundância de força, vontade e objetivos.
Enfim,
a certa altura do caminho percorrido, presume-se que tenhamos adquirido a
maturidade suficiente e as condições ideais para olharmos para trás e
avaliarmos quais as oportunidades a nós oferecidas que transformamos e as quais
melhoramos para nós próprios e para os que estavam convivendo conosco ou ao nosso
entorno.
E quanto mais extenso o trajeto, espera-se, maior a bagagem e o legado no que concerne aos bons e saudáveis atos e hábitos. A otimização da capacidade de construir, agregar, aprender, aperfeiçoar e evoluir. Uma maior lucidez da aferição do bem ou mal praticado, dos equívocos e acertos, dos merecimentos ou culpas.
E quanto mais extenso o trajeto, espera-se, maior a bagagem e o legado no que concerne aos bons e saudáveis atos e hábitos. A otimização da capacidade de construir, agregar, aprender, aperfeiçoar e evoluir. Uma maior lucidez da aferição do bem ou mal praticado, dos equívocos e acertos, dos merecimentos ou culpas.
Feliz
daquele que, nos seus derradeiros passos ou mesmo nos seus últimos suspiros, se
percebe leve, abençoado, em paz com os seus quereres, suas opções, ações, seus
pares e, sobretudo, com a sua consciência.
A
esse, felizardo, creio, o céu se apresenta ainda nesta existência! E, convenhamos, merecidamente!
Escrito
por Anitha em 24 de abril de 2018, às 21h

