Ontem,
em uma conversa informal numa roda de amigos, um deles, o mais velho desse grupo, disse-nos que está tendo dificuldade
para aceitar a sua idade numa boa. Ele está sofrendo visivelmente com a
aceleração do tempo, que é como tem sentido que vem ocorrendo após ter
completado 69 anos. Diz ele que o relógio, a partir dai, perdeu a lógica. E o
senso das medidas!
Mas, conhecendo bem os seus hábitos e manias, pois nossa amizade já é de anos, sei que ele não tem feito nada para trazer renovação e arejar a sua
realidade. Ao contrário. Ele, no seu dia a dia, tem se entregado a uma rotina maçante, repetitiva, e, dessa forma, vem perdendo o tesão de viver.
Assim, sem investir em novos caminhos e escolhas, é natural que lhe pese a limitação que a temporalidade costuma trazer.
Assim, sem investir em novos caminhos e escolhas, é natural que lhe pese a limitação que a temporalidade costuma trazer.
Convenhamos,
a velhice é um marco cronológico e social que oferece possibilidades e perspectivas com
características bem próprias, beirando a excelência, se houver bagagem e um
repertório respeitável trazido do passado. E é necessário um peito aberto,
disposição e vontade para tornar essa
fase interessante e instigante.
Na
atualidade, temos tido inúmeros exemplos de pessoas que têm usado esse período
para se autoconhecer, se descobrir, se superar e realizar metas e projetos que
nos têm deixado de queixo caído, quando não com inveja “branca” pela ousadia e
criatividade.
Falando
exclusivamente de mim, neste estágio de existência que me encontro, com um pé
lá e outro cá, sinto que há uma pulsão de vida que me impulsiona e que não tem
coincidido em absoluto com a marcação vista no calendário.
Entretanto,
como nada na natureza é linear, há ocasião que essa energia fica aquém para dar
conta do meu sentir. E isso acontece, com certeza, quando as coisas de dentro
deixam os meus olhos opacos e o cansaço toma conta, tirando o viço da minha
pele e o brilho dos meus olhos.
Sorte
que esses momentos são efêmeros. Sim. Logo vem com força e vicejante a época
mais promissora. E - bendito seja! - o tempo do ajuste perfeito chega chegando. Fase e idade fazem as pazes e me sinto plena, agradecida por estar exatamente
na estação do outono que me encontro. Com a vivência, aprendizado, ganhos e
evolução que consegui contabilizar ao longo da minha jornada. Estou no ponto. Sinto-me
animada e seguir adiante soa como um chamado divino que toca o meu coração com uma
proposta sugerindo que tudo pode acontecer. Portas poderão se abrir e eu alcançar voos
inimagináveis. Adiante, então, que venha o futuro!
Atrás,
para me dar suporte e servir de referência, tudo que fui capaz de fazer, conquistar,
doar, transformar e ser. Tudo bem. Tudo certo. Tudo no lugar.
A imagem refletida no espelho se amolda com perfeição à pessoa que me tornei e, o principal, é coerente com o conteúdo que consegui acumular.
A imagem refletida no espelho se amolda com perfeição à pessoa que me tornei e, o principal, é coerente com o conteúdo que consegui acumular.
Desta
maneira, apaziguada e esperançosa pelas novidades que o porvir possa me trazer,
sigo, confiante, pois há descobertas, um vir a ser ali onde nunca estive e que
quero alcançar. Inteira, com a percepção e os sentidos intactos, para bem
aproveitar do caminho que, por certo, está esperando eu percorrê-lo até onde e como Deus quiser!
Anitha,
em 6 de dezembro de 2019




