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28 dezembro 2017

A MINHA FAMÍLIA!


Há um mês, Clarinha, a minha sobrinha caçula, pediu que eu escrevesse um texto sobre o que a família significa pra mim.
Tema abundante, que, contudo, me pareceu difícil.
Entretanto, como dizia o meu chefe na Procuradoria, Dr. Arthur,  é preciso entregar a carta a Garcia. Ou seja, incumbiu-se, faça!
Então...

Família é pai. E mãe.
De sangue ou não.
Os ascendentes. Descendentes.
Colaterais. Noras e genros.
Os adotados. Os que se foram.

Os afilhados. Os padrinhos.

É o próximo. O de longe.
O amigo. O exilado.
Os vizinhos benquistos.
Os cães, pássaros e gatos.
Os agregados. E quem mais vier.

É consanguinidade. O nome.
A história. O vínculo. A tradição.
Aliança. Âncora.
Suporte. Construção.
Pilar. Legado.
Inclusive, de leituras e olhares.


É exemplo. Base.
Caráter. Honra.
Valores. Princípios.
Palavra. Formação.

É a condução do espaço.
A passagem do tempo.
A partilha de experiências,
De projetos, sonhos.


É a convivência.
A profundidade.
O passado. O presente. O futuro.


Origem. Reflexo. Ressonância. 
Braços e abraços.
As quatro estações. 

É chão. Estrutura. Teto.
É o norte. É o sol.
Nascente. Poente. Direção.


Todos os planetas. Países.
Estados, sentimentos.
Emoções, fases e continentes.


É semente. Raiz. Tronco.
Galho. Folhas. Flor. Fruto.
É o começo. Meio. O fim.
 A continuidade. A mudança.
O salto quântico. A evolução.

É a porta. O vai e o vem.
É o de dentro.
O de fora que se acolhe.


É o que briga. Discute.
Bate. Perdoa.
Critica. Angustia. Curte.
Desfaz. Refaz. Recomeça.


Acalenta. Consola.
É a sintonia. A escuta.
Aconselhamento. Colo.
Incentivo. Abrigo.

É o que se diz. E o como.
É que se faz. Se transforma.
Se machuca. Se cura.
Se rivaliza. Se doa. 

É o que se mistura. Se apura.
Se purifica. Se pacifica.


É o que se oferece. Se recebe.
O que se percebe. Se troca.
O que acalma. Agrega.
Acarinha. Compõe.

É o que melhora. Cresce. Progride.
Une. Enfeita.
Está junto, apesar da distância.
É o que diferencia. Iguala. Valoriza.
Pulsa. Emociona. Auxilia. Se dispõe.


É o que cobra. Premia.
Elogia. Impulsiona.
Se faz presente. Se interessa.
 Se desdobra. Se revela.
Privilegia. Liberta.

É o mergulho. O voo.
A independência.
O ajuste e o apoio
Sempre desinteressado 

E incondicional.

A liberdade. A intuição.
O diálogo. A conquista. O gesto.
O poder ser. O deixar ir.
O poder contar.
O poder ficar.
Para sempre!

O fecundo. O maroto. O diferente.
O respeito. A individualidade.
A consideração. A coragem.
O riso. O choro. Proezas.
A amizade. A consciência.
A compreensão. A dádiva.


É o dito pelo olhar.
É o silêncio que fala. 
É a cumplicidade. A sinergia.
O estímulo. A gargalhada.

O compartilhar. Dividir.
Somar. Multiplicar.
O gerar. O aprender.
O ensinar. O repartir.


A companhia. A intervenção.
A ajuda necessária. A confidência.
Vivência em comum. O conselho.
O alerta. A crítica. A confiança.


A estabilidade. A solidariedade.
O segredo. A fé.
O querer bem. O estar bem.
O bom, o bem e o belo.

É o pequeno. O grande.
O médio. É o sem tamanho.
Sem medida. Sem preço.
As particularidades.
As diferenças. As semelhanças.


É o daqui e o de lá. O que vê além.
É afeto. É amor. É laço. É alma.
É carinho. É essência. É admiração.
É cuidado. É o lar!

De todos os bens é o mais valioso.
É o que dá sentido
E significado a vida.
É tudo!


Benditos.
Abençoados.
Queridos.
Amados.
Eternamente!

E é a esse universo tão vasto,
Indispensável e maravilhoso,
Complexo, abrangente,
E tão nosso conhecido,
Que eu, de forma humilde,
Defino como a minha família.


Essa família 

Que eu amo 
De todo o meu coração,
Hoje e infinitamente,
E para a qual eu presto
Todas as honras e homenagens
E para os quais, membros, 

Presto aqui os meus agradecimentos!

A todos vocês, desejo um santo e feliz Natal!
Beijos e abraços ternos e amorosos,
Anitha
Escrevi em 21 de dezembro de 2017, véspera da minha viagem.

Aproveitando o ensejo, abaixo transcrevo um texto, o qual eu gosto muito, que fala sobre a “mãe desnecessária” e foi escrito pela psicanalista e doutora em Psicologia Clínica, Márcia Neder.
Com ele, faço uma reverência ao meu saudoso e sempre lembrado pai e a minha querida e amada mãe. 

Os dois souberam colocar isso muito bem em prática e totalmente de forma intuitiva. Eles, também, sempre nos afirmaram através de suas atitudes, palavras e ações que estariam conosco haja o que houvesse, e assim é, foi e tem sido:

"Dê a quem você ama: asas para voar…raízes para voltar… motivos para ficar…” 

"A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.
Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha. Até agora. Agora, quando minha filha de quase 18 anos começa a dar voos solo. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso.
Quando começo a esmorecer na luta para controlar a supermãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.
A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não para de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.  O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe – solidários – criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar."






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Anitha