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09 agosto 2017

Ah, Belo Horizonte!







Há dezessete anos, eu me mudei de mala, cuia, móveis e baixelas para esta cidade em que o nome está de acordo com o seu belo horizonte. Vim com coragem e muita fé!
Comemoro na semana que vem tal ousadia! Sim, considerando a minha realidade anterior, ela foi muita!
Naquela ocasião, vivenciando muitos conflitos, inclusive, internos, tive que decidir entre ficar no estabelecido e seguro ou escolher dar uma guinada sem precedentes. Levar adiante um projeto de vida em comum ou optar pelo seu término.
Até aquele instante só havia um inconfessável desejo de mudar de ares, de me encontrar, de dar novos passos.
Eu ainda não tinha tido peito para fazer um movimento arriscado e de tal envergadura. E acabei fazendo a escolha que o meu coração me ordenou. Afinal, ele é e sempre foi o detentor das minhas verdades e de meus quereres.
Claro, meus dois filhos, maiores de idade, já podiam prescindir da minha presença. A física, bem entendido. Da materna e afetiva, eles nunca ficaram longe ou sem.  
Abri mão do trabalho como procuradora municipal concursada, e, também, do escritório de advocacia, que eu tinha em sociedade.
Pedi permissão e bênção às pessoas mais importantes da minha vida. Dei as explicações e justificativas necessárias a quem eu julguei que delas precisava e merecia. Desfiz do que não mais seria útil no meu dia a dia, desmontei a casa e dei o passo revolucionário que pôs no chão o que de mim esperavam e para o que eu tinha sido criada. Ser dona de casa, mãe em período integral e ter aquela vidinha dentro dos padrões estabelecidos.
Vim, portanto, naquela época, rasgando papéis e moldes. Reduzindo a pó rótulos e expectativas de todos ao meu redor. Descendo do salto e me virando do avesso. Comecei literalmente do zero. Infelizmente, nem tudo ocorreu como o pretendido. E, mesmo não sendo esse o objetivo, resgatei o autorrespeito por ter sido capaz de dar um salto de tal importância e grandeza. Pela primeira vez, priorizei-me ao invés dos demais. Eu acreditava, e continuo crendo, em dias melhores, em alma saciada, em amor correspondido e compartilhado.
Aqui tive, e tenho, a oportunidade de viver o que ansiei e me propus.Tudo o que podia e pode dar brilho aos meus olhos. Paguei e pago pra ver. Fui e vou fundo. Não me economizei e não me poupo. Abri e escancaro portas. Fechei e, se preciso, bato outras. Mas jamais deixei alguma entreaberta. Não seria justo com o outro e muito menos comigo mesma. O que se perdeu por falta de atenção e de sintonia, mentiras ou mesmo em decorrência de desgaste natural ficou lá trás e permanecerá sempre como lição, experiência ou prova. 
Paguei caro, muito caro. Por algumas vivências, talvez além do que eu tivesse condições, posso avaliar hoje. Mas, graças ao meu espírito e à minha forma peculiar de encarar dificuldades e vencer os obstáculos, não faço parte do time daqueles que colecionam arrependimentos e dramas.  Não. Não mesmo!
E, para ser sincera e sem falsa modéstia, sinto um baita orgulho da minha história e do meu trajeto. Do quanto fui audaciosa e arrisquei sem proteção e sem garantia. Como fui e sou dona e senhora do meu destino. Não me fiz e não me faço menor do que sou. Procurei e procuro sempre estar à altura dos meus princípios e do que recebi como base.
Vivi o que quis e nesta toada permaneço. Amei o quanto pude. Até porque o amor, em mim, simplesmente se renova, se reinventa e, sim, ele tem morada fixa no meu interior. Entrego-me e me dou sem reservas. E, assim, de alguns fui namorada. De outros, companheira. Enquanto juntos, como soberana do meu reino, procurei a todos elevar a uma posição de rei. Se algum deles não conseguiu alcançar essa estatura, perdoe-me, mas a culpa não é minha, pois com nenhum fiquei na superfície, sendo a mulher intensa, abundante e sensível como sou.
A minha segunda faculdade, a psicologia, ficou por terminar já que um imprevisto no meio do caminho requereu que eu focasse inteiramente na minha saúde.
Foram dois episódios distantes um do outro uns nove anos. Ambos mudaram o curso da minha vida e muito me ensinaram. 
Na passagem do primeiro, fiquei careca. Aliás, sem cabelo fiz o maior sucesso. Foi uma fase áurea. Fizeram-me sentir a poderosa e a requisitada!
Bons tempos, mesmo tendo que me sujeitar à quimio e a radioterapia.
Na verdade, apesar da carga pesada, não deixei cair a peteca. Até hoje muitos comentam com admiração a postura leve e destemida que tive no decorrer dessa travessia! Acho que eles têm razão. Não me deixei amargurar e nem mesmo perder o bom humor!
O segundo, bem recente, felizmente não exigiu nenhum tratamento invasivo posterior à cirurgia. E decorridos seis meses dela, vejo que, o que saiu fora do tom e que não estava no script daquele evento, até que foi benéfico. Tudo ficou às claras. O que me leva a concluir que são mesmo as atitudes que validam as intenções, proporcionam segurança e equilíbrio, podem garantir o bem estar.
De qualquer forma, enfrentei de cabeça erguida, porém não sem medo, esses dois cânceres. Um de mama e o outro de tireoide.
Claro, nessas travessias tão solitárias e impactantes, contei com o apoio e o aconchego familiar e do meu círculo de relacionamentos. Pessoas queridas e próximas fizeram de tudo para que eu me sentisse protegida e amparada. A todos, sem exceção, aqui, eu presto as minhas homenagens e, sobretudo, a minha gratidão!
O que me causa muito alegria é que dei ouvidos e atendi o chamado da minha alma e, desde o instante que cheguei nesta capital, fiz questão de investir em cursos que tinham a ver com a minha real vocação.
E, assim, pisando em terrenos cheios de significados e profícuos, me entreguei aos Florais, à Numerologia, Astrologia, a Pós-graduação em Gestão e Terapias Holísticas e Vibracionais, a Quirologia. Matérias essas que me seduziram e que até hoje me fascinam pelo poder energético e beleza intrínseca que elas têm.
Sou apaixonada pelo que faço. Estar no meu consultório, fazendo atendimento de Terapia de Florais e de Numerologia são das minhas satisfações, certamente, uma das maiores.
E, como se isso não fosse o bastante para me realizar, tenho clientes que me são fiéis há mais de dezesseis anos. E são eles, entre tantos outros conquistados ao longo deste tempo, que me indicam, já que não faço propaganda e nem marketing. Garantem-me, eles, que me recomendam por apreciar o que eu lhes ofereço.
Também, assim que cheguei a esta metrópole, sai à procura de um trabalho voluntário que eu tinha conhecido através de propaganda de televisão em outro estado. Em nenhuma das outras cidades que morei anteriormente ele existia. E qual foi a minha surpresa ao descobrir que esse trabalho de prevenção ao suicídio, o CVV, oferecia curso de capacitação para quem pudesse dispor de tempo e de vontade para fazer atendimentos pessoais ou por telefone. Depois de um necessário treinamento, fui admitida em seus quadros. Esse foi certamente um divisor de águas na minha vida. Entrei uma e após oito anos, como atendente dedicada, eu já era outra. Houve uma transformação íntima e radical. Lá eu tive a oportunidade de poder crescer como gente. Nossas reuniões para estudo e aperfeiçoamento eram verdadeiras terapias em grupo, em que nós, meus colegas e eu, nos expúnhamos, nos desnudávamos e nos ajudávamos de maneira franca, terna e cuidadosa. Esse espaço também muito contribuiu para ampliar os meus contatos com pessoas diferenciadas, boas e do bem! E até hoje isso acontece num processo de desdobramento daqueles idos tempos que me parece até um milagre. Um milagre que me comove!

Aqui, tenho amigos de muitos matizes. Os recém-saídos da adolescência, alguns poucos quase no final da jornada e a maioria de contemporâneos. Portanto, homens e mulheres de faixas etárias diferentes, com profissões, interesses e origens as mais variadas e que enriquecem o meu viver de uma maneira que eles nem imaginam. Amigos recentes, de décadas e desde sempre. Com eles tenho garantida a diversão, as baladas, os barzinhos, as conversas agradáveis, interessantes e proveitosas, assim como também com eles exercito o delicioso e descomprometido - o vulgo - jogar conversa fora. Tanta variedade movimenta o meu dia e e a minha vida!
Além disso, fui presenteada nesta cidade com duas joias raras e lindas em todas as suas formas. Elas se  destacam, com razão, como as mais valiosas dentre os meus mais caros bens! E, se não bastasse toda essa riqueza, fui presenteada com mais dois fofíssimos netos do coração, filhos delas e, de lambuja, os seus respectivos maridos, pelos quais tenho o maior apreço. 
Essa relação muito especial teve o seu início quando nos descobrimos colegas da faculdade de psicologia. Com a constante e alegre convivência, logo passamos à amizade até que o amor transbordou e chegamos  ao ponto que não tem mais volta: nos adotamos como mãe e filhas. Nós, que nos denominamos os três elementos, temos uma abençoada afinidade, sintonia de outras vidas, lealdade à toda prova e um bem querer que até emociona pela magnitude! Elas me trouxeram luz, calor e afeto sem medida! 
Tenho que fazer menção e ser justa. Além das minhas quatro irmãs e um irmão com os quais divido a mesma descendência e um amor sem medida e à toda prova, fui agraciada por graça divina por uma nova irmandade. Elas foram agregadas à minha vida pelo coração. Caras e queridas amigas que compartilham comigo de tudo. A elas muito devo! Tem a que, muito presente na minha vida, se intitula a minha irmã "preta", por eu, em contraste a sua bonita cor morena, ser muito branquinha. Outra que, cheia de humor, sendo a única filha mulher, me acrescentou aos seus entes mais próximos. Tem a mais novinha e mais baixa que eu, que compartilha comigo descontraídos e animados momentos de dança. Outra, minha ex-cunhada, um estimado legado de uma relação amorosa que findou. E ainda há a que tem dificuldade de aceitar que a sua filha tem mais coisas em comum comigo do que com ela. Fazer o quê? Claro que não poderia faltar aqui a minha irmã de todas as horas, de todas as conquistas, alegrias, angústias e seja o que for. Essa, além de amiga do peito, camarada, é minha irmã de fato. E, por ter se mudado pra cá muito antes de mim, ela pôde me auxiliar de todas as maneiras. Coisa que ela continua a fazer! 
Então, todas afetuosas, apoiadoras, incentivadoras, gentis, calorosas e hiper especiais! 
Todas me conquistaram através das trocas, das suas delicadezas e zelo! 
Tenho que reconhecer, e reconheço, que o Universo foi muito pródigo e bondoso comigo e, mais, tenho que admitir: sou mesmo uma privilegiada! Afinal, bênção das bênçãos, sou mãe de sangue de dois homens, pessoas dignas, belas por dentro e por fora, de caráter e da melhor estirpe, os quais amo de paixão e tenho o maior orgulho. Também, vó babona e realizada de um netinho muito lindo, que enche o meu coração de doçuras e de encantos. Tenho uma bonita nora, uma pessoa que sempre está em busca do seu crescimento, a qual adoro. 
Então, minha família de origem mais a que me foi permitida conquistar aqui e neste percurso, tornam-me alguém que só tem motivos para agradecer. Agradecer sempre, sem cessar, apesar de saber que não será o suficiente!  
Registro que a Anitha nasceu nesta terra. Primeiramente por necessidade de encontrar um nome para poder efetuar os atendimentos voluntários. E também em homenagem a minha avó materna, de quem herdei o Ana, e que era chamada por todos somente por esse apelido.
E, sem que eu percebesse, a Anitha foi crescendo e tomando conta da minha personalidade original. E ao seu bel prazer e aos pouquinhos foi moldando-a. Construindo-a. E, atualmente, a ela devo os meus melhores olhares e as leituras mais de acordo com a amplitude do que sempre desejei pra mim. 
A ela bendigo e agradeço pelo meu lado mais ensolarado, criativo, generoso e próspero. E não resta dúvida. A soma dessa Anitha com as minhas tantas outras facetas somente comprovam que múltipla sou. E como sou!
Asseguro, em BH me encontrei. E continuo firme no meu propósito de buscar sentidos em minhas opções, a ir atrás dos meus mais recônditos sonhos e a me tornar quem eu sempre no fundo fui: uma caminhante que não se cansa das profundezas, de amar e de se expor, de chegar junto, de simplesmente mergulhar de cabeça naquilo que acredita e que expande a sua consciência e o seu modo de viver! 
A esta bela cidade que me acolheu e que me mantém apaixonada por ela, faço um brinde. A você, a mim e a nós! 
E um outro, ao nosso aniversário de dezessete anos!
Tintim, Belo Horizonte! 
Continuemos nesta parceria que me dá tanta satisfação e que me faz sentir que tudo valeu e - maravilha! - vale a pena!
Escrito por Anitha em 8 de agosto de 2017, às 18h20

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13 abril 2017

A chuva dos meus sonhos!



Não sei há quanto tempo eu estava com vontade de tomar chuva.  
E esse querer, por um motivo ou outro, vinha sendo adiado. E, hoje, até que enfim, pude satisfazê-lo.
Assim, em torno do meio dia, o céu foi ficando carregado de nuvens e trovões ruidosos antecipavam o que estava por vir: um forte e intempestivo pé-d’água. Sim, os deuses - parece -  estavam a meu favor.
Caiu água suficiente para encharcar o chão e aumentar o nível dos reservatórios. E, também, o bastante para me fazer sentir viva e me conectar com a minha criança interior, esta que, no frigir dos ovos, foi a maior beneficiária dessa tarde tão diferente e significativa. 
Então, obedecendo a um impulso, tirei as sandálias, levantei a barra do vestido longo, pus a bolsa a tiracolo e sem sombrinha para atrapalhar, decidi, ali, usufruir daquele inesperado presente dos céus.
Recebi aquele temporal com entrega de corpo e alma como se ele fosse um bem-vindo amante que, generoso e abundante, consegue, com sua fluidez e desenvoltura, arrebatar a sua parceira e devolvê-la inteira e realizada à vida. Senti a cada rajada de água uma sensação de prazer, liberdade, de conexão com o divino. 
É! Recebi aquela chuvarada com alegria, respeito, reverência. Com uma terna gratidão!
Abstrai-me do mundo ao redor. Só existia eu e aquele quase dilúvio. Estava em comunhão com a natureza, em uma celebração particular. Nada além me importava, nem mesmo os olhares atravessados dos transeuntes e das pessoas dentro dos carros.
Senti-me plenamente energizada, apesar de ensopada. E uma paz absoluta tomou conta de mim: estava purificada e extremamente feliz!
Bendita chuva que veio para me lembrar que as coisas simples e verdadeiras ai estão, ao meu dispor. Tenho o direito e o dever de aproveitá-las mais.
Para tanto, aprendi, nesse dia, que é imprescindível eu descer do salto, desfazer do orgulho, colocar de lado a  vergonha, não atentar ao diz me diz e, o principal, me dar a permissão para gozar das bênçãos tão fartas e disponíveis neste mundão de Deus!
Momentos ricos e intensos esses que eu vivenciei e que ficarão pra sempre na minha mente e no meu coração!
Escrito por Anitha em 12/4/2017, às 23h