Há
dezessete anos, eu me mudei de mala, cuia, móveis e baixelas para esta cidade em que o nome está de acordo com o seu belo horizonte. Vim com coragem e muita fé!
Comemoro na semana que vem tal ousadia! Sim, considerando a minha realidade anterior, ela foi muita!
Naquela
ocasião, vivenciando muitos conflitos, inclusive, internos, tive que decidir entre ficar no estabelecido e seguro ou escolher dar uma guinada sem
precedentes. Levar adiante um projeto de vida em comum ou optar pelo seu término.
Até
aquele instante só havia um inconfessável desejo de mudar de ares, de me encontrar, de dar novos passos.
Eu ainda não tinha tido peito para fazer um movimento arriscado e de tal envergadura. E acabei fazendo a escolha que o meu coração me ordenou. Afinal, ele é e sempre foi o detentor das minhas verdades e de meus quereres.
Eu ainda não tinha tido peito para fazer um movimento arriscado e de tal envergadura. E acabei fazendo a escolha que o meu coração me ordenou. Afinal, ele é e sempre foi o detentor das minhas verdades e de meus quereres.
Claro,
meus dois filhos, maiores de idade, já podiam prescindir da minha
presença. A física, bem entendido. Da materna e afetiva, eles
nunca ficaram longe ou sem.
Abri mão do trabalho como procuradora municipal concursada, e, também, do escritório de advocacia, que eu tinha em sociedade.
Abri mão do trabalho como procuradora municipal concursada, e, também, do escritório de advocacia, que eu tinha em sociedade.
Pedi permissão e bênção às pessoas mais importantes da minha
vida. Dei as explicações e justificativas necessárias a quem eu julguei que delas precisava e merecia.
Desfiz do que não mais seria útil no meu dia a dia, desmontei a casa e dei o passo revolucionário que pôs no chão o que de mim esperavam e para o que eu tinha sido criada. Ser dona de casa, mãe em período integral e ter aquela vidinha dentro dos padrões estabelecidos.
Vim,
portanto, naquela época, rasgando papéis e moldes. Reduzindo a pó rótulos e expectativas de todos
ao meu redor. Descendo do salto e me virando do avesso. Comecei
literalmente do zero. Infelizmente, nem tudo ocorreu como o pretendido. E, mesmo não
sendo esse o objetivo, resgatei o autorrespeito por ter sido capaz de dar um salto
de tal importância e grandeza. Pela primeira vez, priorizei-me ao invés dos demais. Eu
acreditava, e continuo crendo, em dias
melhores, em alma saciada, em amor correspondido e compartilhado.
Aqui
tive, e tenho, a oportunidade de viver o que ansiei e me propus.Tudo o que podia e pode dar brilho aos meus olhos. Paguei e pago pra ver. Fui e vou fundo. Não
me economizei e não me poupo. Abri e escancaro portas. Fechei e, se preciso,
bato outras. Mas jamais deixei alguma entreaberta. Não seria justo com o outro
e muito menos comigo mesma. O que se perdeu por falta de atenção e de sintonia,
mentiras ou mesmo em decorrência de desgaste natural ficou lá trás e
permanecerá sempre como lição, experiência ou prova.
Paguei
caro, muito caro. Por algumas vivências, talvez além do que eu tivesse
condições, posso avaliar hoje. Mas, graças ao meu espírito e à minha forma peculiar de
encarar dificuldades e vencer os obstáculos, não faço parte do time daqueles
que colecionam arrependimentos e dramas. Não. Não mesmo!
E,
para ser sincera e sem falsa modéstia, sinto um baita orgulho da
minha história e do meu trajeto. Do quanto fui audaciosa e arrisquei sem proteção e sem garantia. Como fui e sou dona e senhora do meu
destino. Não me fiz e não me faço menor do que sou. Procurei e procuro
sempre estar à altura dos meus princípios e do que recebi como base.
Vivi
o que quis e nesta toada permaneço. Amei o quanto pude. Até porque o amor, em
mim, simplesmente se renova, se reinventa e, sim, ele tem morada fixa no meu
interior. Entrego-me e me dou sem reservas. E, assim, de alguns fui namorada.
De outros, companheira. Enquanto juntos, como soberana do meu reino, procurei a
todos elevar a uma posição de rei. Se algum deles não conseguiu alcançar essa
estatura, perdoe-me, mas a culpa não é minha, pois com nenhum fiquei na
superfície, sendo a mulher intensa, abundante e sensível como sou.
A
minha segunda faculdade, a psicologia, ficou por terminar já que um imprevisto
no meio do caminho requereu que eu focasse inteiramente na minha saúde.
Foram
dois episódios distantes um do outro uns nove anos. Ambos mudaram o curso da
minha vida e muito me ensinaram.
Na
passagem do primeiro, fiquei careca. Aliás, sem cabelo fiz o maior sucesso. Foi
uma fase áurea. Fizeram-me sentir a poderosa e a requisitada!
Bons tempos, mesmo tendo que me sujeitar à quimio e a radioterapia.
Na verdade, apesar da carga pesada, não deixei cair a peteca. Até hoje muitos comentam com admiração a postura leve e destemida que tive no decorrer dessa travessia! Acho que eles têm razão. Não me deixei amargurar e nem mesmo perder o bom humor!
Bons tempos, mesmo tendo que me sujeitar à quimio e a radioterapia.
Na verdade, apesar da carga pesada, não deixei cair a peteca. Até hoje muitos comentam com admiração a postura leve e destemida que tive no decorrer dessa travessia! Acho que eles têm razão. Não me deixei amargurar e nem mesmo perder o bom humor!
O
segundo, bem recente, felizmente não exigiu nenhum tratamento invasivo
posterior à cirurgia. E
decorridos seis meses dela, vejo que, o que saiu fora do tom e que não estava no
script daquele evento, até que foi benéfico. Tudo ficou às claras. O que me
leva a concluir que são mesmo as atitudes que validam as intenções,
proporcionam segurança e equilíbrio, podem garantir o bem estar.
De
qualquer forma, enfrentei de cabeça erguida, porém não sem medo, esses dois
cânceres. Um de mama e o outro de tireoide.
Claro,
nessas travessias tão solitárias e impactantes, contei com o apoio e o
aconchego familiar e do meu círculo de relacionamentos. Pessoas queridas e
próximas fizeram de tudo para que eu me sentisse protegida e amparada. A todos, sem
exceção, aqui, eu presto as minhas homenagens e, sobretudo, a minha gratidão!
O
que me causa muito alegria é que dei ouvidos e atendi o chamado da minha alma
e, desde o instante que cheguei nesta capital, fiz questão de investir em cursos que tinham a ver com a minha real
vocação.
E,
assim, pisando em terrenos cheios de significados e profícuos, me entreguei aos
Florais, à Numerologia, Astrologia, a Pós-graduação em Gestão e
Terapias Holísticas e Vibracionais, a Quirologia. Matérias essas que me seduziram e que até
hoje me fascinam pelo poder energético e beleza intrínseca que elas têm.
Sou
apaixonada pelo que faço. Estar no meu consultório, fazendo atendimento de Terapia de Florais e de
Numerologia são das minhas satisfações, certamente, uma das maiores.
E, como se isso não fosse o bastante para me realizar, tenho clientes que me são fiéis há mais de dezesseis anos. E são eles, entre tantos outros conquistados ao longo deste tempo, que me indicam, já que não faço propaganda e nem marketing. Garantem-me, eles, que me recomendam por apreciar o que eu lhes ofereço.
E, como se isso não fosse o bastante para me realizar, tenho clientes que me são fiéis há mais de dezesseis anos. E são eles, entre tantos outros conquistados ao longo deste tempo, que me indicam, já que não faço propaganda e nem marketing. Garantem-me, eles, que me recomendam por apreciar o que eu lhes ofereço.
Também,
assim que cheguei a esta metrópole, sai à procura de um trabalho voluntário que
eu tinha conhecido através de propaganda de televisão em outro estado. Em
nenhuma das outras cidades que morei anteriormente ele existia. E
qual foi a minha surpresa ao descobrir que esse trabalho de prevenção ao suicídio,
o CVV, oferecia curso de capacitação para quem pudesse dispor de tempo e de
vontade para fazer atendimentos pessoais ou por telefone. Depois de um
necessário treinamento, fui admitida em seus quadros. Esse foi certamente um
divisor de águas na minha vida. Entrei uma e após oito anos, como atendente
dedicada, eu já era outra. Houve uma transformação íntima e radical. Lá eu tive
a oportunidade de poder crescer como gente. Nossas reuniões para estudo e
aperfeiçoamento eram verdadeiras terapias em grupo, em que nós, meus colegas e
eu, nos expúnhamos, nos desnudávamos e nos ajudávamos de maneira franca, terna
e cuidadosa. Esse
espaço também muito contribuiu para ampliar os meus contatos com pessoas
diferenciadas, boas e do bem! E até hoje isso acontece num processo de
desdobramento daqueles idos tempos que me parece até um milagre. Um milagre que
me comove!
Aqui, tenho amigos de muitos matizes. Os recém-saídos da adolescência, alguns poucos quase no final da jornada e a maioria de contemporâneos. Portanto, homens e mulheres de faixas etárias diferentes, com profissões, interesses e origens as mais variadas e que enriquecem o meu viver de uma maneira que eles nem imaginam. Amigos recentes, de décadas e desde sempre. Com eles tenho garantida a diversão, as baladas, os barzinhos, as conversas agradáveis, interessantes e proveitosas, assim como também com eles exercito o delicioso e descomprometido - o vulgo - jogar conversa fora. Tanta variedade movimenta o meu dia e e a minha vida!
Além
disso, fui presenteada nesta cidade com duas joias raras e lindas em todas as suas
formas. Elas se destacam, com razão, como as mais valiosas dentre os meus
mais caros bens! E, se não bastasse toda essa riqueza, fui presenteada com mais
dois fofíssimos netos do coração, filhos delas e, de lambuja, os seus
respectivos maridos, pelos quais tenho o maior apreço.
Essa
relação muito especial teve o seu início quando nos descobrimos colegas da
faculdade de psicologia. Com a constante e alegre convivência, logo passamos à amizade até
que o amor transbordou e chegamos ao ponto que não tem mais volta: nos
adotamos como mãe e filhas. Nós, que nos denominamos os três elementos, temos
uma abençoada afinidade, sintonia de outras vidas, lealdade à toda prova e um
bem querer que até emociona pela magnitude! Elas me trouxeram luz, calor e
afeto sem medida!
Tenho
que fazer menção e ser justa. Além das minhas quatro irmãs e um irmão com os
quais divido a mesma descendência e um amor sem medida e à toda prova, fui
agraciada por graça divina por uma nova irmandade. Elas foram agregadas à minha
vida pelo coração. Caras e queridas amigas que compartilham comigo de tudo. A
elas muito devo! Tem a que, muito presente na minha vida, se intitula a minha
irmã "preta", por eu, em contraste a sua bonita cor morena, ser muito
branquinha. Outra que, cheia de humor, sendo a única filha mulher, me
acrescentou aos seus entes mais próximos. Tem a mais novinha e mais baixa que
eu, que compartilha comigo descontraídos e animados momentos de dança. Outra,
minha ex-cunhada, um estimado legado de uma relação amorosa que findou. E ainda
há a que tem dificuldade de aceitar que a sua filha tem mais coisas em comum
comigo do que com ela. Fazer o quê? Claro que não poderia faltar aqui a minha
irmã de todas as horas, de todas as conquistas, alegrias, angústias e seja o
que for. Essa, além de amiga do peito, camarada, é minha irmã de fato. E, por
ter se mudado pra cá muito antes de mim, ela pôde me auxiliar de todas as
maneiras. Coisa que ela continua a fazer!
Então,
todas afetuosas, apoiadoras, incentivadoras, gentis, calorosas e hiper
especiais!
Todas
me conquistaram através das trocas, das suas delicadezas e zelo!
Tenho
que reconhecer, e reconheço, que o Universo foi muito pródigo e bondoso comigo
e, mais, tenho que admitir: sou mesmo uma privilegiada! Afinal, bênção das
bênçãos, sou mãe de sangue de dois homens, pessoas dignas, belas por dentro e
por fora, de caráter e da melhor estirpe, os quais amo de paixão e tenho o
maior orgulho. Também, vó babona e realizada de um netinho muito lindo, que
enche o meu coração de doçuras e de encantos. Tenho uma bonita nora, uma pessoa
que sempre está em busca do seu crescimento, a qual adoro.
Então,
minha família de origem mais a que me foi permitida conquistar aqui e neste
percurso, tornam-me alguém que só tem motivos para agradecer. Agradecer
sempre, sem cessar, apesar de saber que não será o suficiente!
Registro
que a Anitha nasceu nesta terra. Primeiramente por necessidade de encontrar um
nome para poder efetuar os atendimentos voluntários. E também em homenagem a
minha avó materna, de quem herdei o Ana, e que era chamada por todos somente
por esse apelido.
E,
sem que eu percebesse, a Anitha foi crescendo e tomando conta da minha
personalidade original. E ao seu bel prazer e aos pouquinhos foi moldando-a.
Construindo-a. E, atualmente, a ela devo os meus melhores olhares e as
leituras mais de acordo com a amplitude do que sempre desejei pra mim.
A
ela bendigo e agradeço pelo meu lado mais ensolarado, criativo, generoso e
próspero. E não resta dúvida. A soma dessa Anitha com as minhas tantas outras
facetas somente comprovam que múltipla sou. E como sou!
Asseguro, em BH me encontrei. E continuo firme no meu propósito de buscar sentidos em minhas opções, a ir atrás dos meus mais recônditos sonhos e a me tornar quem eu sempre no fundo fui: uma caminhante que não se cansa das profundezas, de amar e de se expor, de chegar junto, de simplesmente mergulhar de cabeça naquilo que acredita e que expande a sua consciência e o seu modo de viver!
Asseguro, em BH me encontrei. E continuo firme no meu propósito de buscar sentidos em minhas opções, a ir atrás dos meus mais recônditos sonhos e a me tornar quem eu sempre no fundo fui: uma caminhante que não se cansa das profundezas, de amar e de se expor, de chegar junto, de simplesmente mergulhar de cabeça naquilo que acredita e que expande a sua consciência e o seu modo de viver!
A
esta bela cidade que me acolheu e que me mantém apaixonada por ela, faço um
brinde. A você, a mim e a nós!
E
um outro, ao nosso aniversário de dezessete anos!
Tintim, Belo Horizonte!
Tintim, Belo Horizonte!
Continuemos
nesta parceria que me dá tanta satisfação e que me faz sentir que tudo valeu e
- maravilha! - vale a pena!
Escrito por Anitha em 8 de agosto de 2017, às 18h20


