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08 setembro 2009

Bens preciosos



Não foi por mero acaso que ele tomou conta do meu interior. Não!
Tenho que ser justa. Eu mesma abri a porta e o convidei a entrar:
-Fique à vontade, eu lhe disse, estava a sua espera.
E ele não se fez de rogado. Sem demora, ocupou todos os espaços, e o meu tempo também!
E assim me tornei escrava quando antes era dona e senhora.
Ironia das ironias, apesar de saciada, comecei a me sentir vazia.
Hoje, vejo que devia ter tomado cuidado. Sim, ter sido mais cautelosa, menos afoita.
Entretanto, agora preciso dar um basta!
Chegou a hora de ter juízo. Esvaziar a casa. Reavaliar sentimentos e atos, o que é valioso de verdade.
Ele, contudo, tem fincado o pé. Não quer sair de jeito nenhum. Sente-se e age como proprietário.
De uma ou outra maneira, terei que fazê-lo sair. Despejá-lo, se preciso for, para o bem geral.
Mas, antes de qualquer atitude mais drástica, acho melhor tentar convencê-lo. Vá que ele me atende.
- Por favor, Desejo, saia! Preciso recuperar o que você me tomou. Principalmente a paz e a liberdade.
É! Esses bens preciosos que perdi quando lhe dei permissão para que se apossasse de mim.
Escrito por Anitha em 08.09.09

02 setembro 2009

Nada é em vão!


Tenho pra mim que, intensa como sou, quando ouso muito amar e me deixo levar pela paixão e o bem gostar, e o outro também se abre e oferece o seu melhor, pode até ser que a relação chegue ao seu final, se esgote por si mesma, e eu sofra os efeitos desse término, mas mesmo que assim seja, por opção minha ou mesmo do parceiro, deixo saudades, pedaços...de mim...; e em contrapartida levo-o dentro de mim, onde ele ficará para sempre, sempre, como uma grata e terna lembrança...
Escrito por Anitha em 02.09.09

06 maio 2009

Para o seu Conhecimento


Esse é um recadinho para você: adoro receber um alô. Curto, longo, escrito, por telefone, pessoalmente, no Orkut, e-mail, seja como for. O que importa é a lembrança. O resto não tem importância. Deleta.
Agora para o seu conhecimento: estou bem e feliz. Hoje farei a minha última sessão de quimioterapia. Nem acredito. Chegar firme e forte até aqui. Parece milagre. Claro que ter senso de humor foi necessário. Mas também quem aguenta pessoas pesadas no entorno? E quem suporta ficar deprimida o tempo todo? Eu? Falta-me talento e paciência para isto. E o principal, no meu poço tem mola.
Só sei que entre mortos e feridos me salvei. Hahahaha. A que custo? Esse é um segredo bem guardado que não contarei agora. Não. Tenho outros planos para o momento. Abrir-me para acolher o melhor é o mais simples deles.
Por enquanto, posso lhe assegurar, pretendo dar um tempo e esquecer um pouco essa travessia.
Aliás, na verdade, tão logo eu esteja distante desses eventos tão críticos; e ao mesmo tempo tão ricos, sinto que terei condições suficientes para fazer um verdadeiro balanço de toda esta vivência.
Tenho para mim que aí sim poderei avaliar de forma sensata quais as lições que levarei adiante e quais poderão me servir de lembrete ou de aprendizado. Já sei de antemão que precisarei rever conceitos, atitudes e diretrizes. Caminhos e escolhas. Mas, no momento, a ordem do dia é viver o que está aí. O que não é pouco de jeito nenhum.
Até começo de agosto terei vencido outra etapa. A da radioterapia. Serão 33 sessões. E ponto final.
O futuro? Ah! Está logo ali sorridente a minha espera.
Mais na frente, num dia qualquer, escreverei sobre toda essa experiência. Sim, senhor, pode me cobrar. Escrito por Anitha em 06.05.09

04 maio 2009

Em Construção


Enquanto isso, com a sensibilidade à flor da pele, estou me desconstruindo. Sem pudor, sem medo e em profundidade. Retiro as minhas máscaras. Fico em carne viva.
Meu Deus! A verdade é que isso dói pra burro e é muito incômodo!!! Mas é preciso. Sinto que chegou a hora.
Quero e busco os meus porquês, sentidos e limites. Vou elaborando as vitórias, acertos, dores e perdas. E me permito, de forma muito particular, nesse hiato entre ser e não ser, me aceitar como uma pessoa em construção.
Estou frágil. Absolutamente frágil, como é de se esperar de quem está sem alicerces firmes a lhe sustentar.
Mas tenho fé que, através deste processo doloroso, absolutamente só, intenso e consciente que ora estou envolvida, deixarei para trás tudo aquilo que não vale a pena e não tem mais significado para mim e para a minha vida e que, por isso mesmo, de uma forma ou de outra, faz anoitecer e sangrar a minha alma; para iluminada, esclarecida, leve e inteira seguir em frente como Anitha plena, verdadeira, feliz e em paz! Escrito por Anitha em 14/03/08

22 abril 2009

Minha Menina


Minha menina se ausentou
Ela me faz tanta falta
Que no meu coração
Estou sentindo
Como se tivesse um buraco.

Para aonde terá ido?
Não faço nenhuma idéia
Será que foi se aconchegar nos trópicos
Para calor poder sentir?
Ou foi para o sul
Para com agasalhos se aquecer?

Cadê, cadê minha menina?
Sem ela não consigo viver
Ela é a minha melhor parte
Sem ela como sonhar
Brincar, sorrir, criar,
Acreditar e amar?

Cadê minha menina?
Por favor, me avise
Se por acaso você a encontrar
E diga-lhe
Que ela me é muito cara
Dê-lhe a mão de forma terna
E a traga de volta para mim. Escrito por Anitha em 20/02/2008

19 abril 2009

Esperança...


Olá!
Qualquer hora nos encontraremos novamente.
Eu bem sei.
Antes, cuidaremos dos fios soltos.
Alinharemos os afetos.
Redimensionaremos as distâncias.
Chegaremos a um denominador comum
O da vontade de expandirmos o amor.
Se for necessário
Daremos um tempo
Para arejar os espaços
E para as saudades serem tantas
Que teremos vontade de dar cabo delas...
Escrito por Anitha em 19.04.09

16 abril 2009

Vivências da Quimioterapia


Meu Deus! É muito boa a sensação de estar quase terminando o tratamento da quimioterapia!
Das quatorze sessões prescritas, hoje é a décima primeira. Bem dizem, nada como um dia atrás do outro!
Saio desse devaneio, pois sou chamada para a consulta semanal com o meu médico Dr. Alexandre de Castro.
Não é à toa que ele é o meu preferido. Ele é cuidadoso, paciente, gentil. Um amor! Além de ser simpático, o danado é bonito, o que nessa altura do campeonato é um plus que não se pode desprezar. O seu único demérito é ter a idade próxima do meu primogênito. Nem tudo é perfeito, não é mesmo?
Depois de fazer o exame meticuloso, e também de averiguar que os meus exames de sangue semanais e obrigatórios estão a contento, ele me diz que a sala de aplicações está cheia de pacientes da véspera, devido a um problema que houve de falta d’ água na clínica.
– “Que tal deixar para amanhã? Hoje está muito cheio e vai demorar muito até desocupar um lugar para você poder fazer a sua quimio?”
Quase pulo da cadeira:
-“Jeito nenhum. Nem pensar. Amanhã ela tem outros compromissos e não poderá vir comigo, e, como ela tem feito questão de me acompanhar e não me deixa de forma nenhuma até parecendo ser minha irmã siamesa, sem condições.”
Peço-lhe que dê um jeitinho... Não acabei de dizer que ele é especial? Ele dá. Bom, já que não tem solução, solucionado está, como dizia o meu paizinho sempre saudoso e querido.
Descemos para o segundo andar. O das aplicações. Realmente, há que se ter paciência. Tudo lotado!
Ufa! Depois de um tempo considerável, surge uma acomodação. Uma poltrona que fica em uma área coletiva.
Vendo o lado bom das coisas, será uma oportunidade que terei para saber como é a experiência de tomar os medicamentos em grupo, visto que tive o privilégio de ficar somente em área exclusiva.
Até aqui ficava deitada bela e comodamente em cama individual, num compartimento separado dos demais por uma parede divisória, o que me possibilitava desfrutar de uma privacidade muito conveniente.
E ali, nesse espaço, só me faziam companhia as pessoas que por ventura eram as minhas acompanhantes do dia, ou seja, algumas poucas amigas diletas.
A Lourdes, que de brincadeira diz ser a minha irmã preta, foi a que mais esteve comigo nesses tempos iniciais de incertezas e de muitos questionamentos. Ela se desdobrou ao máximo para tornar esse processo o menos traumático e o mais suportável, ficando sempre ao meu lado, a todo tempo solidária e presente com o seu carinho e desvelo. A ela serei grata para sempre!
Atualmente, minha “anja”, Mariléa, irmã de sangue e de coração, desde que retornou da Irlanda, é quem me leva a Oncomed. De qualquer forma, de lá da Europa, através inclusive da web cam, ela nunca deixou de estar junto a mim, me dando força, apesar da distância. E agora, de volta a BH, ela não abre mão desta incumbência de jeito nenhum. Ah! Durante as aplicações ela fica a postos ao meu lado como uma verdadeira escudeira! Carinhosa e fiel, fica me acarinhando, me paparicando, me pondo para cima.
Pois é, mesmo que eu tenha mil vidas não serão suficientes para eu agradecer toda essa dedicação, desprendimento, boa vontade, presença e amor constantes! Sem sombra de dúvida, são pessoas imprescindíveis como elas que dão sentido à minha vida e me ancoram no mundo, e que tornam essa caminhada um pouco mais fácil.
Ah! Voltando à vaca fria e ao tratamento...
Sento na única poltrona livre. Por sinal acho bem desconfortável, tanto que me lembro imediatamente do meu sofá da sala de televisão. Coitado! Bem que tentei, mas ele não prima pela comodidade. Isso é o resultado de eu ter priorizado, no ato da compra, o sofá-cama em detrimento do conforto. Me estrepei!
Da parte deles, vá lá saber os motivos que tiveram para fazer essa má escolha...
Aguardo as picadas da agulha na mão direita. A esquerda não poderá nunca mais, por causa da cirurgia na axila.
Suo frio. Não, não tire conclusão apressada. Não seria justo. Não é falta de habilidade dos enfermeiros. Ao contrário. Eles são ótimos! Profissionais de primeira! A culpa mesmo é das minhas veias, que estão rijas e muito doidas. Resolveram fazer greve. Aliás, não lhes tiro a razão. Têm sofrido pra burro nessa travessia, as coitadinhas!
Definitivamente, não gostei da experiência da poltrona! Também pudera!
Do meu lado direito sentou uma paciente que me relata que teve câncer de seio em 2002 (setorectomia, do mesmo tipo do meu, até o esvaziamento axilar foi igual). Diz que fez todo o tratamento e seguiu todas as recomendações, e que agora em 2009, para o seu horror (e meu também), foi descoberto que ela está com metástase no fígado.
Do lado esquerdo, uma jovem senhora, que também tinha tido câncer no seio quatro anos atrás, fez todo o tratamento, inclusive a cirurgia de remoção do seio, e, recentemente, teve o diagnóstico que está com metástase no fêmur esquerdo. E à minha frente um senhor que teve no intestino, e que, infelizmente, a doença reincidiu e ele está com vários tumores no abdômen.
Dei sorte, fala a verdade? Só gente com metástase? Reconfortante e animador, não??? Tenho razão de não ficar fã, não é? Você ficaria???
Semana que vem, dia 22, nem morta sento em uma daquelas poltronas.
Eu, hein, Rosa??? Nem pensar!!! Nem amarrada!!! Com o perdão da má palavra, nem f......!!!
Escrito por Anitha em 15 de abril de 2009.

19 março 2009

* Um Brinde


Decido e divido com você esta resolução.
Comprarei uma taça bem bonita e delicada
A mais linda taça de campeã que houver.
Uma que encha meus olhos
e encante o meu coração.

Sim, uma taça de vencedora
De percalços, labutas, da vida.
Ocuparei o meu justo lugar no pódio.
Primeiríssima.
Medalha de ouro!

É. Sou uma.
Mereço.
Para que falsa modéstia?
Pelo menos, agora não
Não mesmo!.

Na minha caminhada,
Venci batalhas muito difíceis.
Muitas delas, solitária e calada.
Travei combates incompreensíveis para muitos.
Mesmo assim resisti. Lutei.

Outras, várias,doídas para mim.
Algumas raras, sangrentas até.
Mas, necessárias.
Delas não tive como escapar.
Questão de vida ou morte interna.
Para mudança de estado,
De pele, de forma.
Por ideias e ideais.

As que não valeram a pena.
Foram poucas, posso afirmar.
Também, em contrapartida,
Outras houveram que justificaram o esforço
E, em sinal, de reconhecimento
Recebi calorosos e sinceros apoios.

Teve, também, é claro,
Aquelas alegres e festivas.
Essas todas, que bom,
Compartilhei a tempo e na hora
Com quem eu bem quis,
Com quem devia e precisava.

Quantas sem perspectiva de vitória.
Mas não podiam ser adiadas,
E nem delas fugir.
Findadas com sucesso ou perdidas,
Foram corajosas em seus objetivos.

Incontáveis vezes,
Entrei em conflito comigo mesma.
Reconheço,
Fui e sou a minha adversária
Mais severa e exigente.

Tantas pelejas
Por paixão
Por amores, por amor.
Algumas pela falta de.

Rompi paradigmas.
Perdi a calma
Fui tomada pela emoção.
Na totalidade pus a alma.

Usei, abusei e até me esqueci da razão.
Sem sentido aparente à primeira vista.
Pelos porquês ocultos ou desvelados.
Por mim. Por outros.
Por joias da minha vida.

Teve até empenho
Por quem não fez por merecer.
Mas teve sua valia mesmo assim.
Por ser fundamental

Fiz descobertas maravilhosas.
Tive ganhos sem medida.
Quantas buscas valiosas.
O conhecimento do bem e do mal.
Experiências adquiridas e vivenciadas.
Encontros ricos e memoráveis.
Transformações profundas.
Redenções. Trocas.
Perdas. Perdões.

Lutei,
Venci quase todas...
Olhando para trás,
Vejo que precisei disso tudo,
Para me tornar quem hoje sou.

Ah! Mereço.
Como mereço!
Minha luta foi,
É e será sempre,
Tenho convicção disto,
Constante e sem trégua.
Por melhores dias.
Melhor qualidade de vida.
E, sobretudo, esta que,
Sem dúvida nenhuma,
É a mais ferrenha de todas elas,
Tornar-me uma Anitha cada vez melhor...

Então, aproveitando o ensejo,
Feliz e orgulhosamente,
Um brinde a esta aguerrida Anitha!
Tim-tim!
Escrito por Anitha, em 08/05/07

* Quero fazer neste momento um brinde especial ao Ary. Por sua amizade cuidadosa e gentil.
Em 2007, enviei a todos os meus amigos alguns escritos meus. Pois não é que o Ary os guardou e hoje delicadamente me pediu que postasse este aqui. Portanto, tim-tim também a você, meu caro amigo! Tim-tim e a minha gratidão!

16 março 2009

Amigos!


Amigos! Que bênção!
Amigos, quando de alma são, não se cobram e nem precisam se desculpar. Eles compreendem o não dito assim como as ausências.
É simples! O entendimento nasce e é elaborado pelo coração. Prescindem de palavras e de explicações. Eles, principalmente, levam em conta, em determinadas circunstâncias e instantes, quando uma das partes não está em fase de abundância. Ou porque está em míngua interna; ou por causa do tempo e do espaço que se faz necessário para se ir ao verso do reverso ao encontro de si; ou porque naquele momento simplesmente não se está a fim.
É um fato, entre amigos não existe hiato. Existe sim a certeza do puro e verdadeiro afeto. E isto é tudo. Pouco ou muito, irrelevante. Longe ou perto, pouco importa. A energia da afeição transcende o vácuo, rejeita medidas e vence qualquer limitação.
É! Amigos sinceros intuem também que na vida existem horas de se ir só pra ilha (eu vou sempre pra minha); e ocasiões de proximidade, de optar por estarem juntos, bem juntos. Fazerem trocas. Se nutrirem.
Amigos, amigos de verdade, sentem que se gostam, a despeito de....E estão unidos, apesar de...Escrito por Anitha em 05.02.09

28 fevereiro 2009

Metamorfosear


Vou desobstruir
As vias do meu coração
O que ganho
Ficando desse jeito?
Contida, magoada?
Triste, zangada?

O outro não está nem aí
E eu aqui para explodir
O outro nem ligando
E eu remoendo
Guardando
Doendo.

Vou deixar, então
De dentro sair
Fluir
Extravasar
Cobras e lagartas
Metamorfosear.

Decido abrir assim
As portas do meu coração
Já sinto os primeiros raios
Do sol nascente
E as borboletas
Em torno de mim
Esvoaçando
Lindamente. Escrito por Anitha em 27.02.09

25 fevereiro 2009

Doçuras


Não sei
Ao certo
Se foi sonho
ou não
Mas me disseram
Que lá na frente
Depois do arco-íris
Tem um pote de mel
e de afetos.

Eu, como sou crédula,
Estou indo lá buscar.

Se você quiser
ir comigo,
Venha logo
É só me avisar.

Pode, inclusive,
Ter certeza sim
Que a sua companhia
Será um prazer pra mim!Escrito por Anitha em fevereiro de 2009.

19 fevereiro 2009

Venha!


Quero um amor inteiro
De falas e sussurros
De trocas profundas
Segredos e mistérios
Gozos e alegrias.

Quero um amor maior
De entrega e encontro
Pele e química
De infinitas descobertas
Encantos e magia.

Quero um amor de afinidades
De olhos nos olhos
Transparente e gentil
De espaços necessários
E vindas desejadas.

Quero um amor de surpresas
Que suscite fantasias
E vontade de estar juntos
Que torne a vida mais bonita
E viver mais interessante.

Quero um amor de verdade
Puro de intenção e do bem
Sem máscaras ou artifícios
Sem falsidade e malícia
Sem dores desnecessárias.

Quero um amor refinado
De presentes e presença
É imprescindível também
Lealdade e fidelidade
Cumplicidade e bom humor.

Quero um amor de olhares
Entendimento sem palavras
Delicadezas e carícias
Doçura e gentilezas
De cuidados constantes.

Quero um amor amigo
De confidências e risos
De generosidade e parceira
De histórias compartilhadas
E muito bem vividas.

Quero um amor saudável
Sem mágoas, ciúmes
E sem machucados.
De queridas lembranças
E memoráveis instantes.

Quero um amor intenso
De desejos e tesão
Com gosto de eternidade
De almas companheiras
E coração entregue.

Quero um amor belo e leve
De palavras verdadeiras
De mãos dadas
Beijos trocados
Aconchego e abraços ternos.

Quero um amor confiável
Que cause admiração
Que a tônica seja o respeito
E que leve a mútua evolução.

Quero um amor
Que amor seja
Do começo ao fim
Lindo e completo
Na minha medida
De receber e retribuir.

Quero este amor carinhoso
Com todo o meu ser.
E que ele venha logo
Para me preencher.

Já o esperei demais
Está na hora
De encontrá-lo
E ele ao meu encontro vir.

Temos muito a viver
Não me deixe esperar
Venha inteiro, pleno
Venha logo,
Venha para mim...Escrito por Anitha em 19 de fevereiro de 2009, às 17:29 h.

17 fevereiro 2009

Vou Me Achar!


Espera!
Deixe-me parar
Um instante, dia, ano
O quanto eu precisar.

Em algum lugar,
Eu me perdi,
Não sei onde
Quero me achar.

Venho me arrastando
Desencontrada de mim
Sem motivos claros
Vazia fui ficando.

E pelo caminho
Privei-me de partes relevantes
A rotina diária se encarregou
De que eu perdesse o restante.

Do que gosto?
Como e por que eu faço?
Com que vibro?
O que me faz feliz?

Quais são hoje
Os meus reais objetivos?
Para onde estou indo?
Quem sou eu?

Espera um instante...
Como continuar assim?
Sem consciência,
Que significado isto tudo tem?

Sem face,
Diga-me
Para que o espelho?
Sem perspectivas,
O que vou almejar?

Meu Deus!
Em que ponto me perdi?
Quero, ah!
Quero me achar.

Sei que ainda é tempo.
Vou tratar de me buscar
Ser plena, inteira,
Para com todo o meu ser
Desejar, querer e amar.

Pára! Pára tudo!
Vou seguir sozinha
Por favor
Preciso ir só.

Tenho que
E quero me encontrar
Sei que a hora é agora
E que disto sou capaz.

Tudo é muito simples.
É desvendar o sentido
ou a falta de.
É me procurar
E me encontrar.

Já comecei o processo
Deixe-me agora
Estou indo atrás de mim
Quero e vou me achar...Escrito por Anitha em 27/02/2007

13 fevereiro 2009

Bendita Linhagem


A vida é uma caixa de surpresa, como em algum momento já nos disseram.
Não tem jeito, herdamos amores imensos; dores-mestres.
No seguir da vida, nesta alternância, se pudermos, descobrimos a essência.
A verdade é que este processo nem sempre é suave; mas é possível, necessário e pessoal.
Há que se ter prumo, afeto e corações disponíveis e constantes para não se perder no caminho. Facinho para quem sonha demais ou carrega sofrimento em suspenso.
Qualquer passo em falso, ou não, o bem ou mal se instala. Vez um; vez outro, sorriso e choro. É belo; entretanto sangra.
Todavia sei que todo esse emaranhado de emoções traz a contrapartida da criação. Que por si só vale toda essa herança, sabemos nós.
Assim, bendita linhagem que nos torna mais ricos, apesar de sofridos.
Hoje, minha amiga, são essas as palavras que nascem do meu coração para você. Elas são de amor! Escrito por Anitha em 09.02.09.

Desabafo de Um Medo Medonho


Peço licença para dividir com você o desabafo abaixo.
Ele eclodiu como uma incontrolável erupção vulcânica às cinco e meia, do dia 5 de fevereiro de 2009. Uma madrugada de quinta-feira muito quente e abafada.
Por que o faço? Apesar dele ser tão íntimo, fui aconselhada a compartilhá-lo para  - quem sabe? - auxiliar quem estiver passando pelo difícil tratamento de quimioterapia. E, também, para poder desmistificar. Sim, desmitificar, porque passo a impressão de ser sempre forte, de dar conta de todas as situações e por ser considerada arrojada e corajosa.
É! Em circunstâncias normais até pode ser verdade. Entretanto, atualmente, devido a toda excepcionalidade, a qual envolve descoberta, diagnóstico, cirurgia e pós intervenção cirúrgica para a remoção de um câncer de mama invasivo, isso procede em parte.
Foram recomendados, para o meu caso, além das futuras diárias radioterapias, perfazendo um total de 36 sessões, também 16 de quimio a ser feitas, cada uma, num espaço de 21 em 21 dias.
O tratamento teve início em novembro e até aqui já fiz 3 quimioterapias. E, em todas elas, me senti debilitada tanto física como afetiva e psicologicamente. Não sei, se tudo agravou por eu morar só. Só sei com certeza que, nesse estado tão suscetível, o medo, sem avisar, foi se imiscuindo traiçoeiro e impiedosamente!
Confesso que em todas essas ocasiões quis muito ser amparada e confortada para continuar a voar. Minhas asas estavam sem força até para voos rasteiros. Mas nem sempre foi possível, por um motivo ou outro.
Meu Deus! Que necessidade de afeto, de demonstrações claras de validação,  amizade e carinho, apesar de dificilmente manifestar de forma verbal essa carência.
Minha sorte é que lá pelo décimo dia, graças ao Bom Pai, me sinto bem novamente e recupero as minhas características inatas. E sou deveras a Anitha destemida, alegre, otimista, confiante, cheia de energia e alto astral de sempre.
Por essa minha vivência particular, constato como é interessante a alma humana. É mesmo um mistério decifrável, digamos assim,  na maioria das vezes, através da expressão e da consciência, para os atentos de plantão. Ou por intermédio de catarse. Como se deu  agora, aqui comigo.
Talvez, esse meu desnudar poderá até pôr em evidência o meu lado B, este que sempre procuro preservar de uma forma muito cuidadosa.É um risco que corro.
Então, faço-lhe um pedido especial. Acolha-me, por favor, buscando ai dentro de si o seu lado mais sensível e compreensivo para captar o que estou lhe declarando e, sobretudo, o que contém nas entrelinhas. Se não for pedir muito, sem crítica, por gentileza!
Quero crer que haverá de sua parte boa acolhida e zelo. Tomara!
Então, daqui pra frente é com você.
Beijo,
Anitha

Medo, medo, medo!!!
Este é o meu mais novo inquilino
Reconheço a minha impotência
Para fazê-lo, de mim, desalojar.

Ele está me consumindo
Levando-me ao desespero
Meu sono tirando
Minha paz nem sei mais aonde está.

Ele está sempre presente
Sorrateiramente junto de mim
Mesmo quando faço
Que não o quero ou não o vejo

Medo, medo, medo!!!
Tão atual e tão novo para mim.
Tenho me sentido incapaz.
E refém de todo esse processo.

De fato, estou me sentindo
Incompetente e inábil

Pesa-me não estar apta a melhorar
Essa rotina nauseante.


Tenho muitos amigos.
Mas bem poucos são
Os que se dispõem
De forma genuína e solícita
A amenizar esse meu vazio.

Há àqueles que se apresentam
como se cumprissem um ritual,
Um dever autoimposto.
Digo que não me importo
Mas isso não é verdade.

Alguns aparecem
Mas, assim como vem, desaparecem.
E como nada peço
Continuo solitária.

A verdade nua e crua
É que poucos são os disponíveis,
Com os quais de fato posso contar
Para o que der e vier.


Medo, medo, medo!!!
Que  sorrateiramente
Tem debilitado as minhas forças
Que já nem estavam no seu apogeu.

Agora então me encontro
Completamente fragmentada.
Tenho me esforçado
Mas só eu sei, de fato,
O que isso tem me custado.

Portanto, não me peçam coragem
Não me digam que sou valente
Que sairei dessa melhor
Que é vontade de Deus
Ou que logo tudo isso passa.

Também não quero ler depoimentos
Nem saber de vivências de conhecidos
Nem me falem de exemplos
E nem citem os vencedores.

Por favor, escutem
Estou com medo!!!
E ele está me corroendo.

Não falem que sou uma mulher forte
Muito menos sugiram ou exijam
O que não me é possível
Parem com isso
Aceitem esse meu desânimo.

Afinal, não estou dando conta!
Respeitem os meus limites

Esta experiência é minha
Deixem-me vivê-la como eu puder.

Apesar das boas intenções
Não queiram me distrair
Diminuir a importância
Do que está me acontecendo.


Estou com medo, muito medo!!!
Das dores, inclusive, as internas.
Da minha desestrutura
E dessa minha tão pouca resistência.

Medo das minhas urgências
Dos reais sintomas
Das restrições.
De precisar tanto
E ficar assim tão a mercê.

Medo. Ah! Que medo!!!
Eu não queria me sentir
Dessa maneira
Minha sensibilidade tão à flor da pele
Captando o não dito
E rejeitando o estéril carinho de plástico.

Medo da falta de solidariedade

Do meu cansaço
E também dos que me cercam,
Dos dias que passo muito mal.

Medo dos meus pensamentos
Sombrios e desordenados
Da insônia improdutiva
E da falta de motivação.

Medo de julgamento
Da acidez da crítica
De não obter apoio,
Aconchego e nem colo.

Medo de incomodar
De pesar, de refutar
Da não aceitação
Seja ela qual for.

Medo da intolerância
De não ser entendida
Da funesta comparação
De ser inconveniente
De desapontar.

Medo do ridículo, da feiura
De ficar lamentosa e chorosa
Da minha exaustão
Dos meus sentimentos
Alterados e contraditórios.

Medo das perdas que ainda virão
Do que jamais terá retorno.
Do meu rosto entristecido
Que não reconheço mais no espelho
De minha estranheza, da minha careca.

Medo de não ser mais desejada
Do silêncio das pessoas que eu prezo

De me faltar segurança
E de ser rejeitada.

Medo da perda de sentido
De não ter capacidade para lidar
Com as ocorrências do dia a dia
Com as coisas práticas e básicas da vida.


Medo da agressividade do tratamento
De ser preciso repeti-lo
De fazer exames com o coração nas mãos
E esperar, ansiosa, que os  resultados deem positivo.
Medo do real desconforto
E dos vários efeitos colaterais.

Medo da minha sensibilidade
De não aguentar a pressão
Da minha insegurança
De cair numa terrível depressão.

Medo do tédio e da angústia
Da crise existencial

De estar chata - e devo estar!!!
Da minha falta de paciência
De tato e jeito.

Medo de perder a fé
De sucumbir
Da doença reincidir
E, por isso, dela morrer.

Medo, até mesmo do medo!!!
Medo de como tudo irá acabar
Do hoje e do futuro
Medo que me péla
Ah! Como estou com medo!!!
Escrito por Anitha em 05/02/09.

Meu Caminho Eu MesmaTraço


Meu caminho eu traço
a cada manhã.

Não procure saber
para aonde vou,
nem eu mesma sei....

Meu destino me pertence,
de fato e de direito.

Se você quiser vir junto,
tudo bem,
me faça companhia.

Senão,
dê adeus
e não me impeça....
Escrito por Anitha em 06/11/2007.