Há muito tempo, ainda pequena intui, e depois esse conhecimento nato foi reforçado pelo que meus pais - aos quais amo de paixão e a eles sou grata eternamente - me ensinaram.
A minha postura na vida corresponderia a cada dia eu costurar um pedacinho ínfimo ou não de pano sobre uma superfície a fim de obter um lindo desenho. Então, que eu tivesse a sensatez de bem escolher os tecidos, cortes, cores, estampas, tamanhos e medidas para que esse traçado tivesse a minha cara e a minha marca. E para que, ao final, ele se apresentasse como o meu melhor.
Mas, para isso, eu teria de refutar panos e desenhos que não tivessem harmonia entre si e que pudesse atrapalhar o bom resultado.
Da mesma maneira eu deveria proceder com os outros. Não feri-los, diminui-los ou afetá-los de mau jeito, intencionalmente ou não.
E esse aprendizado me serve de guia e de esteio até os dias atuais.
E por referendá-lo e o julgar edificante, repassei-o para os meus dois filhos, para que o levem adiante com eles.
Essa lição se desdobra em várias. Ei-las:
Que tudo aquilo que pudesse causar vergonha, peso na consciência, culpa no presente ou no futuro, arrependimento, deveria ser rechaçado desde seu nascedouro.
Que jamais eu deveria dar trela ou seguir na má direção, porque a prejudicada, em última instância, sempre seria eu mesma. Que eu evitasse, de toda forma, ser fraca e/ou omissa tanto como autora ou cúmplice, dar origem ou permissão a atos menores, hipócritas, maldosos ou sem noção.
Reforçando a anterior, que o que eu fizesse para o próximo, seja de bom ou de ruim, sempre retornaria para a minha pessoa e para a minha vida, assim como regressariam as ações que estariam à mercê de escolha para se efetivarem, como a mentira, o erro proposital, o engodo ou a traição.
Que o enganar, optar por atitudes dúbias ou desonestas, escarnecer ou fazer de idiota o outro, me passar por alguém que não sou, iludir alguém íntimo que gozou algum dia da minha intimidade e do meu lar, não deveria fazer parte do rol das minhas ações, fossem elas justificáveis ou solicitadas, uma única vez ou cotidianamente.
Que jamais, em tempo algum, eu deveria expor, dar permissão ou me omitir quando alguém de fora, com quem aquele que eu convivi não tivesse tido nenhum laço de afeto, tentasse penetrar no terreno sagrado, contextualizado e confidencial da sua vida particular ou de um relacionamento seu que, por ventura tivesse em curso, ou já tivesse terminado.
Que a melhor vivência seria sempre aquela que trouxesse paz ao meu coração e que não exigisse esforço interno, porque teria uma fluidez simples e estaria de acordo com a minha natureza delicada e sensível.
Que eu estivesse sempre em guarda, atenta e cuidadosa, para que a minha lealdade para com quem deliberadamente eu convivi por uma época não pudesse se enfraquecer ou se esgotar em nenhuma hipótese. E continuasse, ostensiva e forte como um baluarte, demonstrando a minha honradez e dignidade e o apreço a um relacionamento que um dia existiu.
Que eu sempre tratasse como bendita e abençoada a pessoa e tudo o que com ela partilhei, seja por um dia, uma fase ou por longo período.
Portanto, que as coisas vividas, mais que lembradas, deveriam ser resguardadas pela grandeza do sentir oferecido e compartilhado naqueles momentos da vida em comum. Óbvio, portanto, que elas não deveriam jamais correr o risco de serem jogadas ao vento, menosprezadas ou ridicularizadas.
Mais do que tudo, quem comigo dividiu, por longos instantes ou não, emoções, sensações, sentimentos, ideias e espaço deveria ser respeitado sempre. Ou seja, hoje, amanhã e a vida toda, inclusive, por causa de eu tê-lo escolhido e porque me serviu de companhia, espelho e aprendizado, mesmo que hoje esteja no passado, lugar esse mais adequado para tudo àquilo que chegou ao fim e acabou!
Tenho procurado, com afinco e vontade, fazer do meu desenho uma homenagem aos meus mestres e progenitores.
Que eu consiga, é sempre o meu pedido ao Universo!
Escrito por Anitha em 13 de agosto de 2017, às 16h30


4 comentários:
Você é um orgulho para seus pais e um exemplo para seus filhos, incluindo eu!
Beijos, minha linda!
Fabíola, minha querida:
Muito agradecida por essas suas palavras tão carinhosas!
Você é a filha que eu sempre desejei, aliás, você, por uma obra divina, é a minha filha! A do coração!
Amo você!
Beijos, mil beijos
Ana, bela Ana, você é tão delicada de sentimentos que aposto que até teus impropérios podem ser minimizados e justificados pela gravidade das falhas de terceiros.
Oh, Gil, que maravilha ser tão bem vista! Agradecida pelos seus bons olhos!
Entretanto, confesso-lhe, na mesma proporção, aumenta a minha responsabilidade!
E, convenhamos, de santa não tenho nada...rs...
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Anitha