Triste constatar que estamos vivendo num mundo conturbado em que a inversão de valores tem imperado.
Não sei quanto à sua criação, a minha foi moldada em princípios éticos, firmes e tradicionais.
Da forma como fui educada, e fiz questão de passar isso para os meus filhos, não era preciso assinar nenhum papel para afirmar acordo ou promessa. A palavra dada era lei. E cumprida tal qual!
Caso o seu cumprimento não fosse possível conforme o estabelecido e combinado, era imprescindível que fosse dado ciência desse fato ao outro, e, de comum ajuste, se marcava outro dia para fazer valer o que fora dito.
Tenho orgulho de me lembrar. Respeito era a palavra de ordem, e isso era tão natural como a solidariedade e o trato gentil com as pessoas, fossem elas quem fossem.
A classe social, cor, religião ou etnia eram fatores que não tinham mais peso do que a dignidade e do que o bom proceder. Podiam concorrer para a afinidade e a aproximação, mas certamente não eram a causa de segregação ou exclusão.
Os mais velhos eram detentores de autoridade e de sabedoria, e eram reverenciados como seres que mereciam a nossa consideração e homenagens, também teriam nossos cuidados e atenção se disto precisassem. Crianças eram naturalmente protegidas e fonte de alegria.
Tive a exata noção desde tenra idade que nós, da nossa família, não éramos melhores e nem piores que ninguém. Como todos, éramos, e seremos sempre, somente diferentes uns dos outros. Mas que tínhamos o dever de nos aprimorar como pessoas do bem cotidianamente.
Agradeço a todos que me precederam, e, principalmente, aos meus pais por essa minha formação. Sinto-me rica! Muito opulenta!
Claro, sou da opinião que precisamos saber o que queremos deixar para os nossos descendentes como herança. Se forem bens materiais, ótimo! Contudo se, além deles, priorizarmos o legado da bondade e da convivência pacífica com os iguais e também com os que não são, muito melhor, pois lhe transmitiremos algo que os acompanhará ao longo e além das suas existências finitas.
Tomara que consigamos com o nosso ensinamento e exemplo lhes passar que a verdade, honradez, educação e a boa vontade são bens que jamais devem ser perdidos pelo caminho, por serem de valor inestimável e, sobretudo, porque ninguém poderá lhes tirar ou usurpar em tempo nenhum.
Pelo menos, é o que venho fazendo, e pretendo seguir nesta rota enquanto eu viver!
Escrito por Anitha em 30.9.11


Um comentário:
Ana querida, você sempre foi do bem, coração grande e de princípios muitos firmes.
Tenho o maior orgulho de ser sua amiga!
Beijão,
Rita do Prado
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