Ah, quero esquecer fórmulas e regras. Besteira. Padronagem é dispêndio de energia. Deixe-me ser original. Me fazer. Leve, pioneira, fluída, sensível. Quebrar a banca, a cara, pagar o preço. Negociar o melhor lado. Ideal, o mais iluminado. Brincar seriamente nesse tempo/espaço de criatura e criadora. Enveredar pelos sentidos, pelas descobertas, quiçá sintonia. Cultuar a liberdade, as tentativas, o desbravar. Enxergar além. No espelho, no tempo, na escrita, na terapia. Moldar-me ao momento, na noite, na pressão, no calor do afeto. Dobrar a aposta, os joelhos, a esquina. Surpreender-me. Anárquica, rebelde, sem causa. Olhar pra trás. Impulsionar pra frente, para o voo, para o horizonte. Posicionar-me. Abrir meu coração. Inclusive, avalizar com beijos e abraços. Ternos, inesperados, sensuais. Poetizar-me. Perfumar-me. Erotizar-me. Tirar a máscara, a soberba, a fantasia. Não me poupar. Me jogar. Nas mudanças, nos recomeços, no despir, nas nuances. Com vontade, sem melindres. Burilar. Corpo, instinto, membros, cabeça. Revelar-me. Faceira. Foguear-me em gozo, vinho, ao sol. Inventar histórias, circunstâncias, segredos, laços. Descortinar um jeito, o meu tom, o meu norte. Driblar a sorte, os chatos de galocha. Me peitar. Peito aberto, sem pudor, seguir adiante, para o amanhã, o depois. Encarar fundo, a questão, o desejo, o outro. Perder o tesão com dedo duro, membro mole, duas caras, fura olho. Adentrar matas, profundezas, porões, o sagrado. Emergir inteira. Refeita. Encher-me de orgulho. Antever pedacinhos dos que por mim
passaram. Raros e benquistos, alguns ficaram. Dentro e para sempre. A esses, infinitamente, grata. Num processo contínuo, lapidar o interior. Fora, amadurecer. Bela. Absoluta. Abundante. Na solitude, reverenciar o Todo e comemorar quem sou. Mais alguém junto, só se somar e valer a pena!
Escrito por Anitha em 27 de agosto de 2019
27 agosto 2019
01 julho 2018
Lulu, nua e crua...
Ontem, fui
assistir ao filme francês Lulu, nua e crua.
Primeiro, tenho que dizer que amo
películas europeias, haja vista que elas na maioria das vezes são delicadas em
suas abordagens e, o que mais me agrada, econômicas em obviedade.
Esse filme não fugiu à regra. Além do
que os atores representam com excelência. Todos eles!
Ele conta de forma nada piegas a
transformação que se deu na vida de uma mulher passiva, distraída, infeliz e sem autoestima.
Dona de casa, sem sonhos e nem metas, é casada com um homem relapso, abusador e violento até mesmo verbalmente. É, também,
mãe de uma adolescente e de gêmeos do mesmo sexo de mais ou menos uns oito
anos.
Num dia qualquer, após uma fracassada
entrevista de emprego, em que foi rechaçada sem nenhum cuidado, ela perde, sem
que faça nenhum movimento para evitar, a condução que a levaria a mesma vida de
sempre.
Deixou-se ser guiada por esse
desencontro, para mais adiante encontrar o que mais precisava: a si mesma!
Com muito pouco dinheiro e sem
perspectiva, hospeda-se num hotel bem simples de uma cidadezinha interiorana do
litoral.
Lá, buscando respostas e aproveitando
a introspecção, sozinha diante da grandeza e mistérios do mar, conhece por
acaso aquele que lhe revela tudo o que ela ainda não sabe sobre a sua
beleza, sua sensualidade e as suas possibilidades como mulher interessante,
destemida, que possui o dom de amar e de bem querer. E, sem que faça nenhum
esforço, é correspondida.
Assim, ela e ele se permitem viver
uma incrível história de entrega, abandono e sintonia. Enamorados, são a todo tempo zelados
pelos dois irmãos, amorosos, mas desastrados, do homem que a despertou para uma
realidade que jamais ousara imaginar.
Até a hora que ela sente que deve
seguir em sua busca particular. Foge. Mas sem que transpareça em nenhum
instante dor ou confusão. É só um fato. Uma necessidade de ir atrás de suas
partes perdidas, fases, faces e facetas que ficaram pelo caminho.
Desprovida de qualquer recurso
financeiro, num ato de desespero, furta uma bolsa de uma velha senhora.
Entretanto, seu caráter e sua
correção não lhe autorizam tal ato e ela devolve o produto de seu desatino e
ganha uma amizade que fará diferença na vida das duas para sempre.
Paulatinamente, não obstante o
escasso tempo de convívio, elas constroem uma sólida, sensível e leve relação.
Duas solitárias que se confortam, se acolhem, se amparam, se divertem, crescem juntas!
Duas solitárias que se confortam, se acolhem, se amparam, se divertem, crescem juntas!
Ela, mais próxima de sua essência,
talvez por estar num adiantado processo de autoaceitação, se vê num espelho. Ou
seja, se reconhece numa moça desamparada que trabalha em um bar, onde é
desrespeitada, desvalida e mal tratada por sua patroa ranzinza e má.
Agora, mais forte, sutilmente tenta e
consegue vencer as resistências e mostrar para a funcionária ultrajada que as
chances de progredir como pessoa estão e estiveram desde sempre dentro dela, e
que, apoderando-se desse conhecimento e agindo a partir dai, o mundo também
poderia ser um lugar mais aprazível e melhor.
Num ritmo sem sobressalto, o enredo
vai se desenvolvendo e nos mostrando como o amparo, o amor e a amizade são
necessários e o quanto são poderosos para, impregnados na alma, possibilitarem,
através deles, o salto quântico de cada um.
A protagonista, sem máscaras e
confiante, vai se conscientizando, tomando posse e cada vez mais sendo ela.
Afinal, sabe agora o que quer, o que lhe satisfaz, como agir e quais são seus
anseios. Também, o que tem a oferecer, como e para quem.
Inteira, por isso mesmo corajosa,
volta para a sua casa, seu lar, levando consigo o seu novo eu e também, a
tiracolo, a recém-feita amiga anciã, que, num gesto de sobrevivência, joga a
sua vida amorfa para cima e se insere na realidade da outra.
É bonito o reencontro com a sua
filha. Não pela estética, mas sim porque as duas ousaram se abrir uma para a
outra, sem medo, sem proteção. Ambas, frágeis, se fortaleceram sendo elas
mesmas.
Já com o marido foi um
confronto.
Ela sabendo de si; ele a querendo
distante de quem ela era. Ela se mantém calma e direta. Ele, como todos os
fracos e covardes, não suporta vê-la tão segura e íntegra, e a agride
violentamente, fazendo-a desmaiar.
Sua velha amiga, pensando que ela
tivesse morrido, não suporta o choque, e morre.
O final, singelo como todo o enredo,
traz uma mensagem acalentadora do quanto os afetos são imprescindíveis. E, mais, o quanto as
escolhas feitas nos definem!
Belo filme! Recomendo!
Escrito por Anitha em 29 de outubro
de 2015
24 abril 2018
A vida é um mosaico...
A
vida, tão breve e misteriosa como um grande e intrigante mosaico,
vai se compondo aos poucos.
E
a nós, simples viventes e - quiçá - donos de nossas escolhas, cabe-nos a
difícil, bela e intransferível tarefa de levar a termo o desenho por nós querido e/ou imaginado
ou ainda pelo destino sugerido, para que o resultado, ao final, nos agrade
pela harmonia, importância ou grandeza.
Assim,
de forma ininterruptamente, num processo dinâmico, sem roteiro e nenhuma
garantia, vamos seguindo em frente, optando daqui e dali. Perdendo em alguns
momentos; ganhando em outros. Deixando correr solto ou com a nossa
interferência. Sós ou acompanhados. Desconfiados ou esperançosos. Apaixonados
ou desiludidos. Plenos; incompletos ou vazios. Com profundidade do nosso ser ou ficando à
margem. Vivenciando ricas experiências ou as reduzindo à meras atitudes sem significado. Angariando afetos e
sentidos ou nos perdendo em mentiras e vilanias. Expressando as emoções
genuínas ou as camuflando, cheio de artimanhas ou vergonha. Espalhando e atraindo amor e ternura ou repelindo os
gestos de aproximação. Correndo por fora ou focando o cerne da questão. Dando
crédito à intuição ou emudecendo a voz interior. Pecando ou aproveitando para
nos elevar. Apreciando ou maldizendo a caminhada. Pingando mel ou destilando
fel. Aplaudindo ou molestando. Optando pelo caminho do meio ou, ao contrário,
pelos extremos. Abrindo ou fechando portas. Com entusiasmo ou com falta de fé e à deriva. Sem adeuses ou com despedidas em série. Nos entregando à
fluidez da natureza ou nos negando a participar como agentes responsáveis das mudanças. Fugindo ao invés de
lutar. Sonâmbulos, indecisos ou despertos e atuantes. Com escassez ou abundância de força, vontade e objetivos.
Enfim,
a certa altura do caminho percorrido, presume-se que tenhamos adquirido a
maturidade suficiente e as condições ideais para olharmos para trás e
avaliarmos quais as oportunidades a nós oferecidas que transformamos e as quais
melhoramos para nós próprios e para os que estavam convivendo conosco ou ao nosso
entorno.
E quanto mais extenso o trajeto, espera-se, maior a bagagem e o legado no que concerne aos bons e saudáveis atos e hábitos. A otimização da capacidade de construir, agregar, aprender, aperfeiçoar e evoluir. Uma maior lucidez da aferição do bem ou mal praticado, dos equívocos e acertos, dos merecimentos ou culpas.
E quanto mais extenso o trajeto, espera-se, maior a bagagem e o legado no que concerne aos bons e saudáveis atos e hábitos. A otimização da capacidade de construir, agregar, aprender, aperfeiçoar e evoluir. Uma maior lucidez da aferição do bem ou mal praticado, dos equívocos e acertos, dos merecimentos ou culpas.
Feliz
daquele que, nos seus derradeiros passos ou mesmo nos seus últimos suspiros, se
percebe leve, abençoado, em paz com os seus quereres, suas opções, ações, seus
pares e, sobretudo, com a sua consciência.
A
esse, felizardo, creio, o céu se apresenta ainda nesta existência! E, convenhamos, merecidamente!
Escrito
por Anitha em 24 de abril de 2018, às 21h
27 março 2018
Novos ares...
Algo está mudando. Dentro e fora.
As manhãs estão mais interessantes e luminosas. As flores têm aparecido, mesmo ainda modestas, vestidas com cores, graça e perfumando com suavidade em torno.
Os pássaros, tão caprichosos em apurar timbres e tons, estavam emudecidos. Ou quem sabe eu é que estava inapta a ouvi-los? Pode ser...
Eles retornaram há pouco com as suas delicadas sinfonias. E a proeza maior a distinguir no meu dia a dia é eles estarem inaugurando as minhas manhãs e se pondo, seresteiros, no parapeito da janela do meu quarto.
Seus cantos têm me deixado enlevada e desperta, e esse estado de prazer tem permanecido por horas, quando não pelo dia todo.
A chuva, que por hábito fecha o verão, tem marcado sua presença. E ultimamente vem apresentando com destaque o seu outro lado, o da destruição. Todavia, esse fato tão nefasto não tem conseguido retirar ou apagar a sua força e nem a sua beleza ao cumprir com fervor a sua missão.
E, quando ela escolhe cair mais tranquila e amena, tenho me permitido me banhar nas suas águas. Isso tem se repetido com frequência.
Oras, esse fascínio quase irresistível que sinto pelas gotas que caem das nuvens, acho que posso creditar à presença marcante do elemento água no meu mapa zodiacal. Só pode! É muita atração!
Por outro lado, o sol, já apresentando a sua face mais aprazível, tem feito carinho na minha pele. Agradável, languidamente, tem-me enchido de calor e das melhores energias! Tenho me sentido radiante, talvez, por osmose...rs...
Tenho andado também com a cabeça nas nuvens. Assim, quando dou por mim, já atravessei ruas, faixas de pedestres e sinais. Como? Não sei dizer.
Há uma música de fundo me acompanhando pra lá e pra cá. Mal distingo a letra. O que me chama a atenção é a melodia que tem me embalado, alegrado e tem feito meus dias adquirirem uma certa magia, um suave frescor.
Ah, o extraordinário...esse mistério no ar...anda me intrigando.
Sei, ou melhor, sinto que já teve início de maneira espontânea um movimento interno, sutil e peculiar, no sentido de desvendá-lo...
Aonde vai dar? Como saber?...
Só sei que, antes de mais nada, adoro esta inquietude e este gostinho, que me intriga e me entrega, de renovação!
Escrito por Anitha em 18 de março de 2018
As manhãs estão mais interessantes e luminosas. As flores têm aparecido, mesmo ainda modestas, vestidas com cores, graça e perfumando com suavidade em torno.
Os pássaros, tão caprichosos em apurar timbres e tons, estavam emudecidos. Ou quem sabe eu é que estava inapta a ouvi-los? Pode ser...
Eles retornaram há pouco com as suas delicadas sinfonias. E a proeza maior a distinguir no meu dia a dia é eles estarem inaugurando as minhas manhãs e se pondo, seresteiros, no parapeito da janela do meu quarto.
Seus cantos têm me deixado enlevada e desperta, e esse estado de prazer tem permanecido por horas, quando não pelo dia todo.
A chuva, que por hábito fecha o verão, tem marcado sua presença. E ultimamente vem apresentando com destaque o seu outro lado, o da destruição. Todavia, esse fato tão nefasto não tem conseguido retirar ou apagar a sua força e nem a sua beleza ao cumprir com fervor a sua missão.
E, quando ela escolhe cair mais tranquila e amena, tenho me permitido me banhar nas suas águas. Isso tem se repetido com frequência.
Oras, esse fascínio quase irresistível que sinto pelas gotas que caem das nuvens, acho que posso creditar à presença marcante do elemento água no meu mapa zodiacal. Só pode! É muita atração!
Por outro lado, o sol, já apresentando a sua face mais aprazível, tem feito carinho na minha pele. Agradável, languidamente, tem-me enchido de calor e das melhores energias! Tenho me sentido radiante, talvez, por osmose...rs...
Tenho andado também com a cabeça nas nuvens. Assim, quando dou por mim, já atravessei ruas, faixas de pedestres e sinais. Como? Não sei dizer.
Há uma música de fundo me acompanhando pra lá e pra cá. Mal distingo a letra. O que me chama a atenção é a melodia que tem me embalado, alegrado e tem feito meus dias adquirirem uma certa magia, um suave frescor.
Ah, o extraordinário...esse mistério no ar...anda me intrigando.
Sei, ou melhor, sinto que já teve início de maneira espontânea um movimento interno, sutil e peculiar, no sentido de desvendá-lo...
Aonde vai dar? Como saber?...
Só sei que, antes de mais nada, adoro esta inquietude e este gostinho, que me intriga e me entrega, de renovação!
Escrito por Anitha em 18 de março de 2018




